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Copy From China

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Trio "Baidu, Alibaba e Tencent" controla web chinesa, diz relatório

Felipe Zmoginski

2017-07-20T18:04:00

17/07/2018 04h00


Robin Li (Baidu), Jack Ma (Alibaba) e Ma Huateng (Tencent): eles controlam metade dos serviços digitais chineses

Apenas três empresas, todas apoiadas pelo governo da China, dominam mais da metade dos serviços de internet disponíveis em seu país. Esta é a principal conclusão do "China Internet Report 2018", o mais completo e respeitado estudo feito sobre o processo de digitalização da economia chinesa, divulgado esta semana no evento Rise, em Hong Kong.

De acordo com o estudo, dos 1,4 bilhão de chineses, 772 milhões tem acesso regular à web, o que faz o país ser, de longe, a nação com maior número de internautas. Para efeito de comparação, o segundo colocado, os Estados Unidos, tem 292 milhões de cidadãos conectados. De qualquer forma, o potencial de crescimento da economia digital chinesa é enorme, visto que 772 milhões representa uma taxa de penetração de "apenas" 55% da população, índice similar ao do Brasil. Nos Estados Unidos, este índice está em 89% e na Europa Ocidental em torno de 85%.

Quase a totalidade das pessoas que acessam a internet na China o fazem via dispositivos mobile. Segundo o estudo, 771 milhões de chineses possuem smartphone.  Desde total, 527 milhões de pessoas fazem uso de ferramentas de pagamento mobile, ou seja, 37% da população usa ferramentas como WePay ou AliPay para pagar compras no dia a dia. Nos Estados Unidos, este índice é de modestos 15%.  Quando a comparação é feita em termos de recursos financeiros transacionados via mobile payment, o mercado chinês é 11 vezes maior que o norte-americano.

O estudo revela, ainda, que a China possui 124 unicórnios, jargão para definir empresas de tecnologia que ainda não fizeram sua abertura de capital, mas possuem projeção de valor estimada acima do US$ 1 bilhão.  Deste total, 50,8% das empresas pertencem totalmente ou são investidas por um dos três gigantes locais de internet, Baidu, Alibaba e Tencent, popularmente chamados pela sigla BAT.

Os players do BAT, além de concorrerem entre si em múltiplas frentes, como buscas (liderada pelo Baidu),  ferramentas de mídia social (liderada pela Tencent) e e-commerce (liderada pelo grupo Alibaba) puxam também a presença chinesa fora de seu país. Somados, o BAT é investidor em 150 empresas chinesas que atuam fora de seu país, em áreas como games, aplicativos mobile e-commerce e mídia social.

Quadro compara marcas chinesas com seus similares ocidentais

O estudo revela, ainda, que há hoje 600 milhões de chineses plugados em aplicativos sociais, o que fez ascender no país um novo modelo de negócios chamado de "Social Plus", que pode ser definido como serviços digitais em áreas como educação, notícias e e-commerce apoiados em ferramentas sociais.

Um exemplo famoso, abordado aqui neste blog, é o Pinduoduo, que faz uso de características sociais para promover a venda de produtos online, uma espécie de "social-commerce".  Outro unicórnio chinês que pode ser enquadrado como "Social Plus" é o aplicativo de notícias TouTiao, conhecido fora de seu país pelo nome TopBuzz, em que usuários comuns publicam notícias (em vídeo ou texto)  distribuídas por este app, que soma mais de 600 milhões de usuários, ou seja, uma mídia tão importante quanto a TV, porém sem editores ou redações hierarquizadas.

O estudo aponta, ainda, que apesar do protagonismo da iniciativa privada, todas as empresas digitais de sucesso na China possuem relações estreitas com o governo de Beijing, especialmente as que atuam nos setores de fintechs e de mídia, indicando um evidente déficit democrático na economia digital chinesa, em que laços com os donos do poder são essenciais para ter uma startup bem-sucedida.

O relatório foi financiado pelo fundo americano 500 Startups e divulgado originalmente pelo site de tecnologia Abacus em parceria com o jornal South China Morning Post, um veículo do grupo Alibaba. Seu conteúdo integral, em inglês, está disponível para download.

 

 

 

 

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.