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Copy From China

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Rival do Alibaba, JD leva lojas automatizadas para fora da China

Felipe Zmoginski

2002-10-20T18:04:00

02/10/2018 04h00


Seu celular é a porta de entrada para visitar as lojas automatizadas da JD

Imagine entrar em uma loja, colocar o que precisa em sua bolsa e sair dela. Simples assim. Sem caixas, filas ou atendentes. Esta é a tarefa que as lojas automatizadas da  JingDong, ou JD, oferecem a seus clientes em mais de 400 pontos na China e, a partir deste mês, também em países vizinhos, como a Indonésia.

Uma das 10 maiores empresas de internet do mundo, o grupo JD é o irmão menos famoso – mas igualmente rico e inovador – do Alibaba. Há um ano, a companhia iniciou seu movimento de sair do "mundo online", onde divide a liderança com o Alibaba, para fazer experiências offline. O objetivo da empresa, diz Liu Qiangdong, é oferecer o que seus clientes querem comprar em qualquer lugar, seja na tela de seu smartphone, seja em uma loja de conveniência ao lado de casa. O modelo é também chamado de "new retail" ou "varejo 360" e faz uso intensivo de novas tecnologias.

Para entrar em uma loja automatizada da JD, é preciso, antes instalar o app da companhia em seu smartphone e criar uma conta, associando-a a seu cartão de crédito ou a uma conta de "mobile payment", como WePay, por exemplo.  Cumprida esta etapa, nada mais de caixas, filas ou burocracia.

Ao chegar a uma loja, deve-se escanear um QR Code disponível logo na entrada destes varejos. Esta ação serve para que os equipamentos da loja saibam quem está lá dentro. Uma alternativa é permitir que câmeras fotografem seu rosto. Por reconhecimento facial, as máquinas sabem quem está dentro da loja.

Todos os itens a venda são equipados com etiquetas de RFID, ou seja, tags com rádio frequência que informam aos dispositivos localizados próximo à saída seu preço.  Se um cliente colocar, por exemplo, um creme de 20 yuans (moeda chinesa) em sua bolsa e uma parta de dentes de 16 yuans, as etiquetas informarão ao caixa que tal cliente está saindo da loja com 36 yuans em compras. O valor é debitado de seu cartão de crédito.

Também é possível usar as lojas físicas como "vitrines offline para o e-commerce". Neste modelo, você vai à loja, observa, toca e testa os produtos que deseja e, ao final, escaneia um QR code disponível em cada um deles. A ordem de compra irá para seu app no smartphone e, uma vez dado o OK, os produtos serão entregues em sua casa, por uma central de e-commerce. Nada de sair da loja carregando sacolas.

De acordo com a JD, na China,  85% das compras feitas em suas lojas físicas são entregues, pela central de distribuição, em até 24 horas.  O objetivo da empresa é espalhar a presença de lojas automatizadas pelo sudeste da Ásia e Índia até o fim de 2019.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.