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Copy From China

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Investimento no Nubank é só início da onda de recursos chineses no Brasil

Felipe Zmoginski

09/10/2018 13h29

Sede no Nubank: startup brasileira representa só início dos investimentos chineses

Há mais de uma década, os chineses compram ativos brasileiros em grande volume.  A primeira onda de recursos asiáticos concentrou-se em fazendas de soja e participações em mineradoras. Depois, avançou para infraestrutura, notadamente nos últimos 18 meses, quando uma dúzia de geradoras e distribuidoras de energia foi comprada pelos orientais.

O recém-anunciado aporte de US$ 200 milhões da Tencent no Nubank sinaliza uma terceira onda de investimentos, agora concentrada nas empresas de tecnologia mais bem-sucedidas do Brasil.

Antes, tivemos a aquisição da plataforma de corridas de táxi 99 pelo Didi, grupo chinês líder neste setor em seu país.  Um pouco mais cedo, a empresa de buscas Baidu fez a compra do Peixe Urbano, por valor nunca revelado.

De todos os casos, o mais promissor é justamente o que beneficia o Nubank, startup já apoiada por fundos como Sequoia Capital, Kaszek e Tiger.  A diferença para o investimento chinês que chega ao unicórnio brasileiro é, justamente, a possibilidade de transferência tecnológica e expertise.

Consumidor paga almoço com produto da Tencent: ninguém precisa de uma carteira

A Tencent, um titã com valor de mercado superior ao do Facebook, é líder, na China, em ferramentas de mobile payment, posição que divide com outro gigante local, o Alipay, do grupo Alibaba.  Virtualmente todo chinês adulto possui um smartphone com a ferramenta de pagamento mobile da Tencent, usada para compras de valor elevado, como uma jóia, ou atividades corriqueiras, como pagar uma corrida de táxi ou comprar um cacho de bananas no camelô da esquina.

Se além de dinheiro, a Tencent usar sua inteligência para fazer o Nubank prosperar, a startup brasileira terá uma condição única de transformar o mercado de pagamentos no Brasil, acelerando a adoção de pagamento móvel em restaurantes, lojas de varejo e provedores de serviço, justamente como ocorre na China, país em que o dinheiro de papel tornou-se um item desnecessário.

O movimento da Tencent também demonstra que as corporações chinesas – que já investiram com apetite em startups dos vizinhos Indonésia e Índia – pode incluir um novo mercado em seu alvo de compras, justamente o Brasil, uma das maiores populações conectadas do mundo entre as nações emergentes.  O método de investimento é sempre o mesmo: eles preferem pagar mais caro, mas investir em um líder já consolidado a assumir riscos ao apostar em empresas iniciantes, ainda sob competição. A regra de ouro para o investimento chinês em tecnologia será: torne-se líder e nós o apoiaremos.

Sobre o autor

Felipe Zmoginski é jornalista, foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e é secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre e organiza missões de negócios para a China. Com MBA em marketing pela FGV, desde 2013 é gerente de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas.