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Distante no Brasil, 5G já funciona na China e preocupa até Trump

Felipe Zmoginski

26/02/2019 04h00


Estação de Hongqiao: 5G mantem-se estável, mesmo em momentos de pico

Quem viaja a partir da estação de trens de Hongqiao, no centro de Xangai, já pode navegar em redes 5G que cobrem todas as plataformas e áreas comuns da central, de onde partem os modernos Gaotie, nome dado aos trem-bala chineses, que ligam a histórica cidade litorânea chinesa a dezenas de províncias.

Embora experiências-piloto de 5G existam em várias partes do mundo, como Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, é na China que esta tecnologia avança em ritmo mais acelerado. Em Hongqiao, por exemplo, usuários de smartphones como o Mi Mix 3, da Xiaomi, e o Huawei Mate X, o novíssimo smartphone com tela dobrável, podem acessar redes 5G que são, em média, 10 vezes mais rápidas que a versão LTE do 4G.

Mais do que permitir fazer streaming de vídeo em alta-definição ou conectar seu notebook a grupos de games online, o 5G é a primeira tecnologia que permite, de fato, uma conexão tão veloz como as de cabos de fibra óptica, aquela que alguns de nós já têm em nossas casas. Na prática, isto significa que o uso de aplicações em nuvem se torna muito mais confiável e estável, além de viabilizar a existência de robôs e carros autônomos, que precisam trocar dados com outros dispositivos em grande volume, bem como teleconferências em movimento.

Na Espanha, onde participa do Mobile World Congress, Ryan Ding, executivo da Huawei, empresa que montou a rede na estação de Hongqiao, explicou que, entre outras vantagens, o 5G consegue ser estável mesmo em momentos de pico. Este certamente é o caso da estação de Xangai, já que apenas por uma de duas plataformas, a 20A, passam, em média 9 milhões de pessoas por dia.


Robô orienta passageiros por linguagem natural conectado a redes 5G

Um estudo publicado pela prestigiosa universidade de Tsinghua estima que, em seis anos, todos os chineses conectados à internet terão acesso a redes 5G, o que indica que 1 bilhão de pessoas farão uso destas redes apenas na China. Se o número se confirmar, entre 40% e 50% das conexões 5G no mundo estarão na China, condição que deixará o país asiático em situação vantajosa para manter-se como a economia mais produtiva e avançada do planeja.

Não à toa, esta semana, a China Unicom, operadora móvel controlada pelo governo chinês, anunciou a compra de 100 estações-base de redes 5G para cada uma de suas grandes cidades, chamadas de "Tier 1" e "Tier 2", em função do tamanho de sua população. São elas Beijing, Tianjin, Qingdao, Hangzhou, Nanjing, Wuhan, Guiyang, Chengdu, Shenzhen, Fuzhou, Zhengzhou e Shenyang.


Teste mostra download de 1.38 Gbps feito em rede móvel

O rápido avanço do 5G na China é tema sensível em muitos países do mundo como, por exemplo, os Estados Unidos. Há poucos dias, por exemplo, o presidente americano, Donald Trump, cobrou publicamente as empresas de seu país, via Twitter, a acelerar o desenvolvimento das futuristas redes 6G. A administração americana tem, ainda, pressionado as empresas nacionais a não colaborar com companhias chinesas. Oficialmente, o discurso é de que os Estados Unidos devem proteger-se de ciberataques e espionagem. Na prática, porém, a meta é retardar o avanço de empresas como a Huawei.

Ter a vanguarda de serviços 5G é um tema estratégico, pois isto assegurará aos países no controle de tais tecnologias a geração de milhares de empregos qualificados, exportações de equipamentos com alto valor agregado, além de contratos bilionários em royalties.

Questionado sobre as declarações de Trump, o executivo da Huawei saiu-se com um comentário que, em tudo, soa irônico. "A melhor forma de os Estados Unidos terem um ótimo 5G é expor-se à competição internacional". Como se sabe, a "liberal" economia americana protege suas empresas da competição com fabricantes de produtos telecom chinesas, ao passo que a "comunista" China pressiona os países ricos pelo mundo pela abertura de seus mercados.

A situação chinesa contrasta com o Brasil, onde o 5G deve levar mais alguns anos até começar a ser usado. Nem mesmo os leilões da frequência começaram a ser feitos pelas operadoras.

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.

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