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China decidirá se celulares dobráveis serão sucesso ou modinha

Felipe Zmoginski

20/11/2019 04h02

Huawei Mate X: tela flexível pode ser grande mudança ou só um fracasso (Sergio Perez/ Reuters)

Na hora de assistir a um filme, ler um relatório ou jogar, frequentemente preferimos um smartphone de tela grande. No momento de carregá-lo no bolso, no entanto, desejamos que seja o menor e o mais leve possível.

Uma alternativa há tempos sonhada pela indústria se materializou nas últimas semanas com a estreia de smartphones como Huawei Mate XGalaxy Fold. Como todo produto novo, é difícil saber de imediato se estamos diante de produtos disruptivos, que mudarão o futuro como fez o iPhone em 2007 ao investir em um dispositivo sem teclado físico, ou se essa será apenas uma modinha, que não criará uma nova tendência de consumo.

Maior mercado mobile do mundo, maior fabricante mundial de hardware e maior consumidor global de smartphones, a China exercerá um papel central para definir como os celulares com telas flexíveis serão lembrados no futuro.

Nesta semana, por exemplo, a Huawei anunciou que seu modelo dobrável Mate X, com tela de 6 polegadas (15,24 cm) quando fechado e 8 quando aberto (20,32 cm, equivalente a um iPad mini) teve as vendas esgotadas na China em menos de 24 horas. A fabricante afirma ser capaz de produzir 100 mil unidades do modelo dobrável por semana. A rival sul-coreana Samsung, que enfrenta dificuldades no mercado chinês para sobreviver à competição com fabricantes locais, como Xiaomi, Vivo e Oppo, viu seu modelo Galaxy Fold esgotar-se na China, tamanho o sucesso em vendas.

Tanto o aparelho da Huawei quanto da Samsung custam o equivalente a R$ 10 mil e R$ 8 mil, respectivamente, na China. Isto significa que, se importados para o Brasil, custariam possivelmente o dobro disso. Ou seja: vendem bem, apesar de caríssimos.

A informação é relevante pois, se o mercado interno chinês, que é apaixonado por telas grandes, abraçar os modelos fold, vai alavancar a escala de produção para as (atualmente) dispendiosas telas flexíveis. O que, no médio prazo, significa redução dos custos e, consequentemente, mais chances de os dobráveis se tornarem produtos economicamente viáveis.

A história da indústria tec é repleta de casos em que invenções longamente aguardadas quando se realizam não conquistam os consumidores, limitando-se a um fenômeno temporário. Este foi o caso da internet 3D (alguém lembra do Second Life?) ou dos dispositivos capazes de fazer (e executar) filmes em 3D, como as televisões.

A febre pelos dobráveis na China dá sinais de que as telas flexíveis têm chances de se popularizar por lá e, consequentemente, pelo mundo. Estudar o mercado chinês, mais uma vez, é uma forma eficaz de antever o nebuloso futuro da indústria tec. A conferir o que os chineses farão com seus gadgets de 8 polegadas dobráveis.

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.

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