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Para onde vão os investimentos da maior empresa de internet da China

Felipe Zmoginski

15/01/2020 04h00

A depender da cotação de suas ações, Tencent pode ter valor total superior ao do Facebook (Divulgação)

Qual a maior empresa de internet do mundo? Oficialmente, por dados de valor de mercado, é a Amazon, seguida pela Alphabet, do Google. A depender do critério utilizado, se considerarmos a fabricante de hardware Apple e a desenvolvedora de software Microsoft como companhias "pontocom", esta estatística pode mudar.

Na lista das maiores empresas digitais do mundo aparecem, ainda, o grupo Alibaba, que não realizou abertura de mercado (IPO) de sua fabulosa fintech avaliada em US$ 150 bilhões e de sua empresa de logística, a Cainiao. Quando o fizer, a holding poderá subir às primeiras posições.  Na mesma parte superior da pirâmide está a Tencent,  quarta maior empresa digital do mundo e primeira colocada em seu país,  a companhia chinesa que controla serviços como o superapp WeChat, a depender da cotação de suas ações, pode ter valor total superior ao do Facebook.

Mas como, afinal, uma empresa que muitos mal conhecemos pode valer mais que o Facebook? A resposta óbvia é seu gigantismo no mercado interno, já que a Tencent tem posição dominante em áreas como nuvem, meios de pagamentos digitais e redes sociais na China.

Um levantamento feito com base em dados públicos pelo serviço Crunchbase, o que exclui muitos investimentos mantidos sob contratos sigilosos, revela, no entanto, que usuários de todo o mundo usam serviços da Tencent, apenas não sabem que o fazem.

Apenas em empresas americanas, a Tencent mantém US$ 97 bilhões em ações. Uber, Snapchat e Tesla têm o capital, a tecnologia e o expertise da companhia de Shenzhen. Na Índia e no Sudeste da Ásia, outros US$ 32 bilhões estão investidos em marcas como Flipkart, Ola e Swiggy, líderes em e-commerce, transporte por app e delivery de comidas na Índia, respectivamente. Na Europa, são US$ 13 bilhões investidos.

A informação (previsível) e decepcionante é o papel marginal que a América do Sul e o Brasil, quinto maior país do mundo em número de pessoas conectadas, exerce no mapa de investimentos do gigante chinês. Em nosso subcontinente, US$ 2 bilhões estão investidos, boa parte no Nubank.  O valor total é inferior até mesmo aos investimentos feitos em players africanos, como a health tech Helium ou a fintech Paystack.

O mapa dos investimentos chineses mostra uma estratégia peculiar. No mercado doméstico, a Tencent muitas vezes investe em rivais, apoiando empresas que competem entre si, apostando que terá o investimento correto, vença quem vencer a disputa por um novo mercado.

No países "maduros", como os Estados Unidos, os novos investimentos têm se concentrado apenas em pequenas empresas iniciantes e potencialmente disruptivas. A ideia é que colocar (mais) dinheiro em grandes players tem pouca chance de gerar valorização, ao passo que startups, embora mais arriscadas, ofereçam potencial de lucratividade muito mais atraente.

Em países "em desenvolvimento", como no continente africano ou em nações do Sudeste da Ásia, as apostas se concentram apenas nos players grandes e que já lideram seus segmentos, possivelmente uma aposta de que há espaço para que os líderes cresçam muito mais com a inclusão digital de suas sociedades. Abaixo, um gráfico do Crunchbase que representa o tamanho dos investimentos da Tencent em cada região do mundo.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.