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Chineses compram smartcars para evitar transporte lotado e risco de covid

Felipe Zmoginski

03/06/2020 04h00

Operário monta LSV, carro considerado ecológico e eficiente (Divulgação/ Jizhou Factory)

As vendas de veículos classificados como LSV (Low Speed Vehicles) cresceram com força na China pós-covid, justamente porque muitos consumidores esperam escapar do transporte público lotado. São carrinhos, às vezes parecidos com carros de campos de golfe, totalmente elétricos, conectados e que se movem a, no máximo, 40 km/h. Originalmente pensados para condomínios e pequenas cidades do interior, esses smartcars estão ganhando espaço nas metrópoles, eventualmente autorizados a rodar em faixas exclusivas. 

A autonomia destes pequenos carros, que na China custam o equivalente a R$ 6 mil, varia entre 40 km e 90 km e seu tempo de carregamento gira entre duas e três horas.

Para muitos especialistas, como David Li, fundador do laboratório de inovação aberta de Shenzhen, os LSV são o futuro do mercado automobilístico. "Nossa necessidade de mobilidade não requer grandes carros ou alta velocidade. Por décadas, o marketing nos ensinou a desejar isso, mas o fato é que o planeta e as cidades precisarão de soluções como os LSVs", afirma.

Um dos conhecidos objetivos estratégicos da China para o futuro próximo, além de tornar-se a maior economia do mundo, é transformar seu modo de viver e produzir em algo sustentável, verde e limpo.

Não à toa, o país é o principal gerador (e consumidor) de energias limpas, e Shenzhen, no sul do país, a única metrópole com mais de 20 milhões de habitantes em sua região metropolitana a abolir totalmente táxis e ônibus movidos a combustíveis fósseis.

Smartcar compartilhável pode ser usado após desbloqueio por app (Divulgação/ General Motors China)

Eliminar os automóveis individuais movidos a gasolina é uma meta perseguida por muitas grandes cidades chinesas, objetivo que se tornou especialmente desafiador na reabertura pós-covid. Quem pode, evita o uso de transporte público. O temor, é claro, é de respirar o mesmo ar que um contaminado.

Um dos meios de desestimular a compra de carros individuais é limitar o emplacamento deles. Em Pequim e Xangai, como em toda a China, comprar um carro é barato. Duro mesmo é pagar por uma placa, que tem disponibilidade bem limitada para evitar o excesso de veículos nas ruas.

O ideal de mobilidade chinesa, em parte já alcançado, é que os cidadãos façam um mix de modais, como o uso de bicicletas dockless, carros de aplicativo, transporte público e, quando precisarem de um veículo só para si, como uma viagem romântica ou uma ida ao supermercado, façam proveito de veículos elétricos e compartilhados.

Estes últimos, devidamente higienizados, voltaram a ser liberados para uso. Você desbloqueia um carro qualquer com seu smartphone, utiliza o quanto precisar e depois o estaciona onde julgar conveniente. Sabe a lógica das bikes e patinetes elétricas? É a mesma, porém com carros.

Para David Li, a revolução em curso será acelerada por uma segunda, já em amadurecimento, o advento da automação de carros.

Na China, empresas como Baidu e Didi já rodam operações comerciais de táxis autônomos. Para especialistas como David Li, é de se esperar um futuro em que LSVs autônomos recortem as cidades de ponta a ponta, realizando a "last mile" que ligará os passageiros aos grandes modais de transporte, como terminais de ônibus, trens e metrô. Quando? Até 2025, aposta o especialista.

Sobre o autor

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Foi fundador da Associação Brasileira de Online to Offline e secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia. Com MBA em marketing pela FGV, foi head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo.

Sobre o Blog

Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições e oportunidades. O blog é um esforço para ajudar a compreender a transformação tecnológica da China que ascendeu da condição de um país pobre, nos anos 80, para potência mundial.