Copy from China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas. Wed, 14 Aug 2019 13:49:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Sistema de crédito social chinês funciona porque o povo gosta de vantagem http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/a-controversa-verdade-sobre-o-sistema-de-credito-social-chines/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/a-controversa-verdade-sobre-o-sistema-de-credito-social-chines/#respond Tue, 13 Aug 2019 07:00:41 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=758
Pedestres e motoristas identificados: não há lugar onde se ocultar na China

O sistema digital que ranqueia os cidadãos chineses, classificando-os em bons, maus, confiáveis ou perigosos tem gerado enorme discussão pelo mundo. Para muitos estudiosos de China, trata-se da materialização dos cenários distópicos apresentados séries como “Black Mirror” ou em livros como “1984”. A verdade, até agora, é que o sistema não tem sido tão mau, embora apresente potencial para ser até mais opressor do que a realidade proposta nas séries de ficção científica.

Sistemas que classificam cidadãos não são uma invenção chinesa. No Brasil, quem tiver o CPF na lista de inadimplentes do Serasa não poderá pedir empréstimos. Mesmo quem tem o nome limpo pode receber mais ou menos crédito de instituições financeiras de acordo com seu “relacionamento” com o banco, nome ensaboado para um sistema de ranqueamento dos correntistas. Ao andar de Uber ou alugar uma casa via Airbnb, somos, usuário e prestadores de serviço, mutuamente avaliados. Se sua pontuação for baixa demais, você está fora do jogo.

Na China, desde 2007 estão em teste diferentes sistemas que conferem pontuações a seus cidadãos. Ao contrário do que diria o senso comum, os sistemas não são centralizados ou controlados por Pequim. Ao menos por enquanto. Todos os sistemas são voluntários; ou seja, o cidadão opta por entrar neles, esperando beneficiar-se de vantagens, e a maior parte dos rankings de classificação são tocados por empresas privadas.

O mais famoso deles é o Sesame Credit, criado pelo grupo Alibaba. Estima-se que 400 milhões de chineses, voluntariamente, tenham aderido ao Sesame. Neste ranking, seus hábitos online são criteriosamente avaliados, e ter boas notas significa vantagens como comprar com mais desconto ou ter preferência na entrega de produtos. Gastos com livros ou itens para crianças, como fraldas, são avaliados positivamente. Passar tempo demais em jogos online ou comprar cigarros e álcool, por outro lado, te faz ter má avaliação. Outras empresas privadas possuem sistemas similares. O Zhihu, uma espécie de Quora ou Wikipedia chinês, dá muitos pontos a quem compartilha seu conhecimento e tira pontos de quem só consome conteúdo avaliado como fútil.


Jovens exibem sua pontuação: namoro e emprego facilitado para bons cidadãos

No último ano, algumas prefeituras de cidades médias iniciaram seus próprios sistemas de ranqueamento. Ajudar a instalar uma tabela de basquete em sua comunidade, oferecer-se para varrer as ruas ou ir a asilos contar histórias a idosos rende pontos. Ouvir música alta no metrô, furar o farol vermelho ao dirigir ou envolver-se em uma bebedeira faz o cidadão perder pontos. A fama dos rankings sociais levou até o app de namoro Baihe, uma espécie de Tinder chinês, a exibir, de forma voluntária, os pontos de cada “match” nos sistemas sociais. Assim, além de conferir a aparência de seu possível “crush”, é possível checar o quão bom cidadão ele é.

De um modo geral, as pessoas aderem ao sistema de crédito por ver vantagens nele. Algumas empresas, por exemplo, dão preferência a fazer entrevistas de emprego com jovens que tenham boa pontuação social. Os chineses têm aderido ao sistema também por acreditarem contribuir para a organização mais eficiente e honesta da sociedade. Estelionatários, valentões ou simplesmente pessoas mal-educadas, que jogam papel no chão ou atravessam fora da faixa, terão sua ação mais limitada em uma sociedade ultravigiada.

Mesmo em ritmo de testes, 25 milhões de cidadãos já foram punidos por ter má pontuação e 13,5 milhões seguem na “black list” dos sistemas sociais. Entre as punições mais comuns estão a proibição de comprar passagens aéreas nos feriadões chineses ou mesmo bilhetes para os modernos trens-bala do país. Só este ano, 20,5 milhões de passagens aéreas e 5,7 bilhetes de trem foram cancelados para punir cidadãos com baixa pontuação.

Embora na China o tema não tenha grande repercussão, fora do país muitas são as críticas ao sistema. Para analistas especializados em China, o principal perigo do credit score é o fato de ele não ser transparente e “maus cidadãos” não terem a quem recorrer. Para estes observadores, além de criar uma sociedade mais ordeira e solidária, os sistemas de crédito social podem ser tornar uma opressora ferramenta de dominação do regime chinês. Ou, ainda, permitir, na prática, a criação de classes de cidadãos, como os altamente avaliados ou o grupo dos “notas baixas”.  Uma perspectiva tão sombria quanto os piores momentos de “Black Mirror”.

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Veja quatro tendências tec da China que você precisa conhecer http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/06/veja-quatro-tendencias-tec-da-china-que-voce-precisa-conhecer/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/06/veja-quatro-tendencias-tec-da-china-que-voce-precisa-conhecer/#respond Tue, 06 Aug 2019 07:00:46 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=752
Chinesa paga conta via reconhecimento facial: inteligência artificial é expressão obrigatória

A rápida ascensão das empresas chinesas e a transformação da economia do país em referência de inovação tornaram obrigatório a todos que acompanham o mundo tec manter um olhar atento sobre a China.

Este mês, a consultoria Abacus e o jornal South China Morning Post, publicação controlada pelo grupo Alibaba, publicaram a versão 2019 do mais importante relatório sobre o estado da economia digital do país. Os números revelam que o crescimento da internet chinesa continua vigoroso, apesar de a economia offline do país demonstrar desaleceração.

A China, diz o relatório, mantém a maior população mundial online, com 829 milhões de pessoas conectadas, das quais 583 milhões usam pagamento móvel regularmente. Apenas este último número é maior do que toda a população dos Estados Unidos, segundo maior mercado em volume de pagamentos móveis.

O estudo mostra ainda a ascensão de um novo trio de empresas líderes no setor digital chinês. A tradicional tríade Baidu, Alibaba e Tencent, conhecida pela sigla BAT, agora encontra rivais que lhe fazem sombra, o trio TMD.  A sigla é referência às empresas Toutiao, aplicação líder em notícias digitais; Meituan, super app de serviços com delivery de comida ou venda de ingressos para filmes e shows; e Didi, o equivalente ao Uber na China.

A pesquisa, feita a partir de entrevistas com os executivos-chefes das principais empresas de internet do país, além da coleta de dados de agências governamentais chinesas, indica quatro grandes tendências para o futuro digital chinês. Veja quais são elas.

Agora, o Ocidente copia a China

Inovações digitais que surgiram na China tem, cada vez mais, influenciado o desenvolvimento de serviços online no Ocidente. A Amazon, por exemplo, passou a realizar “lives” comandadas por influenciadores promovendo produtos de sua plataforma. A técnica é uma cópia do que o Tao Bao, serviço do Alibaba, já faz já dois anos. No Japão, por exemplo, o app Line, equivalente ao WhatsApp, passou a integrar serviços como pagamentos móveis, carteira digital, transmissões de vídeo para celular e distribuição de conteúdo, como notícias e entretenimento. A técnica é uma cópia do que o WeChat, da Tencent, faz há alguns anos.

China avança sobre o 5G

Na China, o acesso a redes 5G já é uma realidade em uma dezena de cidades, beneficiando um total de 167 milhões de usuários. Entre as vantagens da tecnologia estão a maior velocidade de tráfego de dados móveis, menor custo de manutenção e a viabilização de serviços avançados como telemedicina e a gestão de robôs e veículos autônomos. Empresas chinesas, como a Huawei, lideram o registro de patentes 5G. Ao todo, a China detém 3,4 mil patentes reconhecidas desta tecnologia. Os Estados Unidos, por sua vez, apenas 1,3 mil.

Uso massivo de inteligência artificial

O uso em massa de algoritmos de AI já pode ser percebido nas ruas da China, como nas estações de metrô em que se paga a tarifa por reconhecimento facial; nas lojas autônomas da Jing Dong, onde se prova roupas via avatares virtuais; e em hotéis como o FlyZoo, do grupo Alibaba, em que todos os serviços, do check-in ao check-out, são realizados via biometria e troca de informações de nosso corpo com dispositivos conectados.

Crédito social ganha se torna realidade

O controverso sistema em que cada cidadão é avaliado por meio de uma pontuação, em testes no país desde 2014, agora torna-se uma realidade. Pagar contas com atraso, sofrer condenações na Justiça, tornar-se inadimplente, dirigir bêbado ou simplesmente gastar tempo demais em jogos online, faz os cidadãos chineses receberem más pontuações. Até 2020, a China pretende integrar estas avaliações realizadas por diferentes serviços e criar um sistema nacional que premie bons cidadãos e puna pessoas com mau comportamento, como ser multado por jogar papel no chão. As punições, fora da esfera criminal, não pretendem prender ninguém, mas impedir pessoas com má reputação de usar os trens-bala chineses ou viajar de avião dentro do país. De acordo com o relatório, atualmente 13,5 milhões de pessoas são avaliadas como não suficientemente confiáveis.

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Smartphones chineses já são os mais vendidos fora da China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/smartphones-chineses-ja-sao-os-mais-vendidos-fora-da-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/smartphones-chineses-ja-sao-os-mais-vendidos-fora-da-china/#respond Tue, 30 Jul 2019 07:18:09 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=744
Loja da Xiaomi: marca chinesa é líder fora de seu país, como na India

Uma crítica recorrente feita às empresas chinesas de tecnologia é que elas só são grandes porque desfrutam de um enorme mercado interno devidamente protegido de competição. Quando expostas às regras do livre mercado fora de casa, fracassam.

De fato, o gigantismo do mercado interno chinês é uma fortaleza e uma fraqueza para as empresas locais. É ponto positivo por permitir que elas se tornem mastodontes mesmo sem tirar passaporte. É negativo por criar uma zona de conforto que dificulta para as empresas locais compreenderem que as exigências e características dos mercados externos não são exatamente as mesmas que em seu país de origem.

Exceções à regra, no entanto, estão ficando tão comuns que já nem podem mais ser chamadas de “exceções”.  Exemplo maior é a Huawei, que de tão bem-sucedida, tornou-se alvo do governo americano, que tenta por vias heterodoxas impedir sua imposição como líder mundial de 5G.

Esta semana, por exemplo, a consultoria americana Canalys publicou um estudo sobre o mercado de smartphones da India. Por lá, 4 dos 5 maiores vendedores de celulares inteligentes são chineses. Economia aberta, democrática e que possui o inglês como um dos idiomas oficiais, a India seria o caminho natural para corporações americanas e europeias nadarem de braçada. Dos gigantes globais de tecnologia, no entanto, só a coreana Samsung mantém posição relevante (22% de participação de mercado), com uma segunda colocação na lista Top 5 dos smartphones mais vendidos no país.

A líder de mercado indiana é a Xiaomi (com 33% de market share). Depois da Samsung, vem a Vivo com 18% (a Vivo chinesa não tem nada a ver com a empresa do grupo Telefónica) , Oppo e RealMe, também chinesa.


Relatório mostra que só Samsung sobreviveu entre os não-chineses

O relatório é relevante por a India ser o segundo maior mercado mundial para smartphones e alvo de cobiça dos fabricantes do mundo todo.  A ascensão dos produtos chineses de alta tecnologia, aos poucos, se consolida em múltiplos mercados emergentes, indicando que a imagem “xing-ling”, produto de baixo custo e baixa qualidade, vai ficando para trás. Tal mudança de percepção dos mercados externos contribui para uma das metas essenciais da economia planificada chinesa: fazer com que 70% da pauta de exportação do país seja composta por produtos de alto valor agregado até 2025.

O próprio mercado interno chinês já não é mais uma fortaleza inesgotável de crescimento. Em 2018, por exemplo, a venda de smartphones dentro da China caiu 14% em relação ao ano anterior. Em 2019, a comparação entre o primeiro trimestre e igual período de 2018, mostra nova desaceleração, desta vez de 6%, indicando a maturidade do mercado local, o que pressiona as empresas tech a procurarem mercados externos.  Não à toa, a maior empresa de internet da China, a Tencent, anunciou este mês que sua meta é assegurar que ao menos 20% da receita da empresa venha de fora da China até 2025.

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Partiu oriente: China será maior mercado de computação em nuvem do mundo http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/23/china-sera-maior-mercado-de-computacao-em-nuvem-do-mundo/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/23/china-sera-maior-mercado-de-computacao-em-nuvem-do-mundo/#respond Tue, 23 Jul 2019 07:00:31 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=737
Líder local de nuvem, será competidor também fora de suas fronteiras

Você hospedaria seus dados pessoais e de sua empresa em um servidor na China? A pergunta pode parecer fora do comum, mas, de acordo com estudo da consultoria IDC, as empresas chinesas de cloud computing (computação em nuvem) devem formar o maior mercado mundial para este tipo de tecnologia em, no máximo, quatro anos.

Atualmente, o maior mercado do tipo é formado por empresas norte-americanas, que, além de controlarem a hospedagem do mercado doméstico, são líderes fora de suas fronteiras. No Brasil, por exemplo, Amazon, Microsoft e IBM, todas empresas dos Estados Unidos, possuem a maior parcela do mercado de host.

A expansão dos serviços de nuvem chineses fora de suas fronteiras é relevante por marcar a expansão do país em mais um setor tecnológico. A economia, que há vinte anos era vista como capaz de produzir relógios baratos e brinquedos de plástico, avançou sobre eletrônicos sofisticados, carros e, agora, busca a liderança mundial em áreas novas, como inteligência artificial, reconhecimento facial e internet como serviço, ou seja, nuvem.

Alibaba e Tencent, sozinhos, controlam mais de 50% dos serviços em nuvem chineses

Na China, os principais players de nuvem são o Alibaba e a Tencent. Os dois gigantes da internet local estão ampliando dramaticamente sua capacidade computacional para dar conta da expansão do mercado interno. O avanço das redes 5G, dos carros autônomos e de novos serviços digitais, como o processamento de reconhecimento facial e linguagem natural, exigem a expansão de serviços de cloud.

Alibaba e Tencent também mantêm data-centers fora da China, que obviamente serão usados para alavancar a expansão internacional de suas operações. Estes esforços são fundamentais para evitar a chamada “latência”, ou seja, o tempo de espera para um serviço em nuvem carregar. A Tencent, por exemplo, já anunciou que deseja quadruplicar o percentual de sua receita proveniente dos mercados em que atua fora da China. Parte desta conta deverá ser paga por serviços de nuvem.

Naturalmente, haverá questionamentos sobre a segurança e privacidade dos dados armazenados por empresas chinesas, uma vez que o país segue um regime político peculiar, sem os mesmos freios e contrapesos que, por exemplo, existem nos Estados Unidos. Ao analisar o histórico de desempenho das empresas chinesas, porém, não é difícil prever que, quando disponíveis em novos mercados, como o Brasil, serão mais econômicos e eficientes, o que lhes assegurará, mais uma vez, uma condição especial de competição. A conferir.

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Como o reconhecimento facial está transformando indústrias chinesas http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/16/reconhecimento-facial-transforma-multiplas-industrias-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/16/reconhecimento-facial-transforma-multiplas-industrias-na-china/#respond Tue, 16 Jul 2019 07:49:37 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=727
Painel de controle na sede da MegVii: rostos analisados em tempo real

A buzzword mais quente da China, ao lado da expressão “AI” (artificial inteligence) é “face recognition”. De acordo com a consultoria americana CB Insights, quase metade (48%, para ser preciso) das captações de investimentos feitas na China em 2017 e 2018 foram para startups que desenvolvem soluções baseadas em uma destas duas tecnologias.

Na última semana, visitei uma das mais brilhantes empresas deste setor, em Pequim, a MegVii, desenvolvedora do produto de reconhecimento facial líder em seu país, o Face++.  Fundada por três universitários recém-diplomados na prestigiosa Tsinghua University, a empresa de vision learning já é avaliada em US$ 4 bilhões, o que a coloca no seleto grupo de 216 unicórnios chineses.

A solução mais conhecida da empresa é a que usa reconhecimento facial para fins de segurança pública. De acordo com Dai Yufeng, diretor de operações internacionais da MegVii, mais de 6 mil pessoas procuradas pela Justiça chinesa foram identificadas e presas graças à solução da empresa. Câmeras em metrôs, estações de trem, praças e shopping centers capturam dados faciais dos transeuntes e os cruzam com um banco de dados de pessoas procuradas. A tecnologia já serviu também para identificar crianças perdidas dos pais em multidões ou vítimas de sequestro.


Yufeng exibe mapa 3D de Beijing:  câmeras monitoram carros e pessoas 

Apesar da fama das aplicações para segurança, a MegVii, na verdade, oferece soluções para transformações digitais de múltiplas indústrias, como pagamentos, logística e controle de acesso. Na sede da empresa, por exemplo, os funcionários não usam crachá, mas sim seus rostos para abrir as portas. O método está sendo usado em escolas e universidades que já substituem a lista de presença pelo reconhecimento de rosto e, entre outros dados extraídos, é capaz, pela análise de expressões faciais, de compreender quais estudantes estão aproveitando melhor a aula e quais precisam de ajuda.

Investida pelo grupo Alibaba, que curiosamente também é investidor da Sensetime, arquirrival da Megvii na China, a empresa fornece sua tecnologia para o método de pagamentos “smile to pay”. Por este meio, um sorriso para um totem de pagamentos é o suficiente para o consumidor validar uma compra. Sem cartões, sem dinheiro, sem QR code. Apenas seu rosto é suficiente para pagar a conta. Na China, lanchonetes do KFC já aceitam este método de pagamento, por exemplo.


Em parceria com Alibaba, Megvii permite que pagamentos sejam feitos com um sorriso

A tecnologia da empresa é utilizada também por players de logística. Robôs autônomos aprendem a reconhecer objetos e, desta forma, são capazes de se mover sozinhos por depósitos e separar pedidos, reconhecendo objetos nas prateleiras assim como um operador humano faz.

Um dos clientes famosos da MegVii é a Didi, empresa equivalente ao Uber na China, que está testando o reconhecimento facial para que motorista e passageiro chequem a identidade um do outro ao iniciar uma corrida. “Nossa tecnologia vai elevar a segurança de apps de transporte, impedindo que motoristas emprestem seu carro e celular a terceiros, bem como bloqueando criminosos de embarcar em corridas usando a identidade de terceiros”, conta Yufeng.

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Como espaços de inovação da China são mais ágeis que o resto do mundo? http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/09/edificios-voltados-para-empreendedorismo-favorecem-inovacao-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/09/edificios-voltados-para-empreendedorismo-favorecem-inovacao-na-china/#respond Tue, 09 Jul 2019 07:00:57 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=717
Trabalhadores no TechTemple: eles estão no epicentro da inovação mundial 

TechTemple, um misto de coworking e central de inovação que se espalha por nove endereços na China e dois fora do país, é um exemplo que se destaca de outros espaços similares pelo mundo porque a China controla toda a cadeia de suprimentos para o desenvolvimento de produtos tecnológicos

Designed in California, assembled in China. A icônica frase entalhada nas placas de alumínio dos iPads, iPhones e MacBooks é reveladora de uma desvantagem competitiva das empresas ocidentais para as chinesas. Ao empreender em Pequim ou Shenzhen, poupa-se um Oceano Pacífico para conectar investidores, desenvolvedores e toda cadeia de suprimento necessária para produzir gadgets (e serviços) inovadores.

No final de junho visitei, em Pequim, uma das unidades do TechTemple, um misto de coworking e central de inovação que se espalha por nove endereços na China e dois fora do país, em San Francisco e em Singapura. Fundado em 2013 por Jerry Wang, um investidor chinês, em parceria com a Infinity Ventures, um fundo de capital de risco financiado majoritariamente por japoneses, o TechTemple reúne, em antigas fábricas reformadas, espaços para diferentes segmentos da cadeia de inovação em tecnologia. Startups, empresas de mídia que cobrem tecnologia, agências de marketing digital, fundos de investimento e diferentes fornecedores de eletrônicos compartilham mesas em espaços abertos no templo da tecnologia.

É verdade que coworkings existem no mundo todo e o simples compartilhamento de espaços não confere vantagem alguma às startups chinesas. A diferença está, no entanto, no fato de a China controlar toda a cadeia de suprimentos para o desenvolvimento de produtos tecnológicos, como fornecedores de telas LCD, GPS, impressoras industriais 3D para prototipagem e circuitos eletrônicos, por exemplo. Também concentra-se na China e Sudeste da Ásia, desde 2018, os maiores fluxos de investimento de risco, superando a oferta de capital disponível para startups, por exemplo, nos Estados Unidos.

“Empresas iniciantes baseadas na China têm condições de reagir mais rápido às mudanças externas e maior velocidade para testar novas soluções e produtos.  Se uma empresa em São Paulo ou na Califórnia quer testar uma nova versão de seu produto e precisa de um componente específico para isso ou mesmo identificar um especialista em tal aplicação, ela pode levar uma ou duas semanas para executar o teste. Na China, você resolve o mesmo desafio em um ou dois dias”, afirma Jerry Wang, fundador do TechTemple.

Apenas na cidade de Pequim existem dezenas de hubbies como o TechTemple, como o Maxpace, dedicado a soluções para a indústria maker; o Circuitpot, focado em startups que usam chip Arduino; Garage Café; ou o And Lab, coworking que só aceita empresas iniciantes que explorem modelos de negócios que envolvam impressão 3D.

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Busca por selfie perfeita cria unicórnio de US$ 4 bi na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/02/busca-por-selfie-perfeita-cria-unicornio-de-us-4-bi-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/07/02/busca-por-selfie-perfeita-cria-unicornio-de-us-4-bi-na-china/#respond Tue, 02 Jul 2019 07:00:57 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=703
Desenvolvedores em Shenzhen: uma indústria a serviço da beleza virtual

Ficar bonito na foto é um desejo universal. Na China, no entanto, a obsessão por uma selfie perfeita movimentou, nos últimos anos, diversas cadeias industriais para permitir o registro de um autorretrato que revele alguém mais bonito do que, de fato, é.

Um exemplo simbólico é o uso, nativo, de filtros de embelezamento nos apps de fotos dos smartphones chineses como Xiaomi, Vivo, Huawei e Oppo. Um relatório da Consultoria Gartner, em 2016,  avaliou que a ausência de tais filtros era um fator-chave para a perda de participação de mercado de gigantes como Apple e Samsung na China. No beautification, no deal.

Na esteira dos smartphones com filtros e poderosas câmeras frontais, que fazem sucesso também no Ocidente, surgiram desenvolvedores de apps que fazem um pouco mais do que deixar sua foto cool ou vintage. Apps como o da chinesa Meitu, empresa que visitei este mês em Shenzhen, permitem clarear o tom de pele, remover rugas, deixar os cabelos com aparência mais volumosa, os olhos mais brilhantes, o queixo mais fino. Enfim, tudo que a ginástica, os cosméticos e as cirurgias plásticas prometem em um só clique no smartphone.

Na China, a febre de fotos retocadas é tamanha que apps de namoro, como o TamTam, software que pode ser comparado ao Tinder, adicionou uma camada de verificação de imagens em sua plataforma. Além de subir sua foto preferida para o perfil, o app pede que o usuário tire um retrato com sua câmera, para compará-la com a foto enviada.

Para muitos analistas financeiros, aplicativos de maquiagem virtual, como o MakeupPlus e editores de selfie, como o AirBrush, seriam uma modinha capaz de movimentar muitos usuários, mas não de criar uma empresa sustentável e lucrativa.  Para desmentir as projeções, a Meitu, desenvolvedora dos aplicativos acima citados, não só superou o efeito viral da estreia de seus apps como, ao fazer seu IPO (abertura de capital) na bolsa de Hong Kong, superou a marca de US$ 4 bilhões em valor de mercado. Nos últimos meses, na esteira da guerra comercial com os Estados Unidos, viu seu valor encolher para US$ 1,5 bilhão, o que ainda a mantém no patamar de unicórnio.


Antes e depois: quem não deseja parecer mais bonito?

De acordo com a empresa, sua família de editores de imagem e embelezamento soma 950 milhões de usuários, 500 milhões deles fora da China, espalhados por 39 países, entre eles o Brasil. O modelo de negócios da Meitu prevê a geração de receita via publicidade dentro do aplicativo e pela assinatura de recursos especiais, o consagrado modelo freemium.

O sucesso doméstico da Meitu permitiu, ainda, o desenvolvimento de uma linha proprietária de hardware, como os smartphones otimizados para selfie. Pude testar o Meitu T8, um robusto dispositivo com 128 GB de armazenamento, processador e memória RAM alinhados com celulares topo de linha.  O diferencial do aparelho, que na China é vendido por algo equivalente a R$ 2 mil, é sua poderosa câmera dupla de 12 MP com estabilização óptica e aplicações de inteligência artificial para registrar selfies com maior qualidade.

Entre os dispositivos da linha de hardware da Meitu estão ainda scanners domésticos para pele. Segundo o fabricante, os devices permitem avaliar se a pele está ressecada, se tomou sol demais e, em alguns casos, até dar alertas de risco de câncer, ao analisar a evolução de pintas e manchas na pele humana.  No mercado doméstico, a linha de hardware já supera, em receita, a importância dos apps de edição de fotos.

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Sucesso da Xiaomi mostra que ‘made in China’ mudou de patamar http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/25/sucesso-da-xiaomi-mostra-que-made-in-china-mudou-de-patamar/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/25/sucesso-da-xiaomi-mostra-que-made-in-china-mudou-de-patamar/#respond Tue, 25 Jun 2019 07:00:23 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=691
Loja física da Xiaomi em Shenzhen: lotação permanente

Por décadas produtos “made in China” foram associados ao baixo custo e à baixa qualidade. Com o sucesso recente da Xiaomi, a China tem uma marca que desperta o desejo de consumidores muito além do mercado doméstico

“Já que você está indo para a China, pode me trazer um Xiaomi?” É impossível contar para os amigos mais próximos (e alguns nem tanto) sobre seus planos de viajar para Beijing ou Shenzhen e não receber encomendas da fabricante de eletrônicos chinesa.

Ao visitar as lojas da marca nas grandes cidades da China, fica evidente que não sou o único viajante a receber encomendas de parentes. As flagships da Xiaomi estão apinhadas de estrangeiros buscando pelos notebooks, smartwatches e telefones da marca.

O fenômeno é simbólico, já que por décadas produtos “made in China” foram associados ao baixo custo e… à baixa qualidade. Basicamente, ninguém se espremia em filas para comprar o último modelo de um celular chinês. Definitivamente, a China tem uma marca que desperta o desejo de consumidores muito além do mercado doméstico.

Avaliada em mais de US$ 30 bilhões, a companhia ainda sofre com altas e baixas no mercado de ações, mas avança de forma consistente nos mercados “overseas”, como os chineses chamam tudo aquilo que não é a China continental. Atualmente, a companhia emprega 15 mil pessoas e figura na lista das cinco maiores vendedoras de celulares em mercados como China e Índia, além de estar entre as dez maiores na Malásia, Indonésia e Singapura.

No Brasil, a Xiaomi tentou em 2014 uma incursão com escritório próprio e integração de equipamentos em plantas industriais no interior de São Paulo. Foi vítima de uma tempestade perfeita. Crise econômica, política, fim da MP do Bem (que dava benefícios fiscais ao setor) e impaciência dos chefes chineses levou a operação a um fim precoce em 2016. Só este ano a empresa voltou ao Brasil, a partir de uma parceria com a fabricante brasileira DL.

O desejo dos consumidores brasileiros por produtos Xiaomi, no entanto, cresceu ao ponto de muita gente importá-los diretamente da China, ainda que estes cheguem ao Brasil sem Google Play nativamente instalado, além de outras pequenas (e médias) dificuldades de adaptação. Produtos já adaptados ao mercado internacional, com Google Play, podem ser importados, desde que de Hong Kong que, como sabemos, não é China, ao menos no sentido de regulação para comércio internacional.

Na China, o aspecto ‘cool’ da marca a levou a ampliar sua linha de produtos para muito além dos celulares. Secadores de cabelo, escovas de dente, travesseiros high-tech, fones de ouvido, projetores de vídeo, sistemas de ar condicionado e até itens de moda, como bonés e mochilas são vendidos com a marca Mi.

O sucesso da Xiaomi é um divisor de águas para os produtos “made in China”, que muitas vezes ganham mercado por oferecerem preços menores. Este é um caso, porém, de construção de uma marca admirada e desejada por sua excelência. O último estágio da evolução das jovens e inovadoras companhias chinesas.


Mercado de eletrônicos em Huanqianbei, Shenzhen: do produto de má qualidade às grifes chinesas

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Quatro tecnologias que mudaram o dia a dia dos chineses http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/11/quatro-tecnologias-que-mudaram-o-dia-a-dia-dos-chineses/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/11/quatro-tecnologias-que-mudaram-o-dia-a-dia-dos-chineses/#respond Tue, 11 Jun 2019 13:05:16 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=678
Skyline de Xangai: em 24 anos uma transformação vertiginosa

Não há registro na história recente da humanidade de uma civilização que tenha se transformado tão rapidamente quanto a China. Em 40 anos, o país dos riquixás e de práticas medievais como a atrofia forçada de pés femininos transformou-se no lugar com a maior malha de trens bala, maior rede de internet móvel, maior mercado e-commerce e maior exportador mundial de bens e serviços.

É longa a lista de tecnologias em que a China detém liderança mundial. Quatro delas, no entanto, tiveram maior impacto na cultura, na economia e no comportamento de quem vive nesta porção da Ásia. Abaixo, quatro tecnologias que aceleraram as mudanças no modo de vida local.

Pagamento móvel – O pagamento via QR Code, disponível em aplicativos como WeChat e AliPay, é quase onipresente na China. Das 790 milhões de pessoas conectadas no país, 780 milhões usam alguma solução de pagamento móvel.  Sua disseminação decretou, na prática, o fim de dinheiro de papel e dos cartões de plástico. Há ganhos óbvios com esta tecnologia, como a economia de dinheiro com impressão de notas e com a venda ou aluguel de maquininhas de cartão.

Seus efeitos, no entanto, são mais impressionantes sob a ótima da inclusão digital e bancária. Centenas de milhões de chineses sem acesso a serviços bancários puderam, por meio dos apps de pagamento, acessar serviços digitais, como compras online, financiamentos e uso de bens que requerem um meio de pagamento eletrônico — chamar táxi ou pedir comida por app, por exemplo.  O mercado chinês de pagamento móvel não é apenas o maior do mundo, mas também 80 vezes maior que o segundo colocado, os Estados Unidos.

E-commerce – Embora esta não seja uma “tecnologia” exatamente nova, em nenhum outro lugar do mundo as compras online atingiram o mesmo nível que na China.  Atualmente, 49% de todos os pedidos feitos em serviços de e-commerce do mundo são feitos por lá. Você não leu errado: o número de pedidos feitos na China equivale a quase metade do total de compras online realizadas em todo o planeta.

Contribuem para a forte adesão ao comércio eletrônico a inclusão digital massificada, o sucesso dos pagamentos móveis e a infraestrutura excepcional do país — esse último fator permite, por exemplo, que um produto seja despachado pela manhã de Shenzhen, no sul do país, e a entrega em Beijing, no norte do país, ocorra à tarde.

Um aspecto nem sempre bem avaliado para o sucesso do e-commerce chinês é a cultura. Como as jornadas de trabalho são extenuantes na China, é muito valioso salvar aquele tempo desperdiçado na fila do supermercado. É aí que entram serviços digitais.

Trens bala – Sabemos que a China construiu, em apenas duas décadas, a maior malha de trens de alta velocidade do país. Esta infraestrutura mudou radicalmente as condições de vida da população local, uma vez que o país é também o que mais intensamente viveu processos de urbanização e migração interna em todo o mundo.

Com milhões de pessoas vivendo fora de sua cidade-natal, poder viajar de forma rápida (e econômica) para visitar os pais e parentes tem um efeito importante sobre a sensação de felicidade e satisfação com seu país. Também, é claro, traz ganhos econômicos proporcionados devido ao transporte eficiente de mercadorias e pessoas.

Economia compartilhada – Bicicletas sem estação fixa que podem ser desbloqueadas por um app, aluguel de carro por horas fracionadas, serviço de assinaturas de roupas e até o aluguel de casas divididas, em que se paga só pelo quarto onde vive. O boom de serviços compartilhados na China permitiu que, mesmo em cidades superadensadas e com apartamentos pequenos, como em Beijing e Xangai, todos os cidadãos tivessem acesso a roupas de grife, bicicletas e carros.

Na China, há até serviços de compartilhamento de guarda-chuvas e de power banks, aqueles carregadores portáteis de celular. Na região do planeta com a maior população do mundo, a disseminação do uso compartilhado de bens democratizou o acesso a muitos deles.

Correção: o número de compras online realizadas na China equivale a quase metade do total de compras online realizadas em todo o planeta, e não a metade de tudo o que é feito em outras regiões do planeta, como escrito anteriormente.

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Como o revide da China a ataques dos EUA vai atingir outro alvo: seu bolso http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/04/china-decide-retaliar-eua-e-preco-de-eletronicos-pode-subir/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/06/04/china-decide-retaliar-eua-e-preco-de-eletronicos-pode-subir/#respond Tue, 04 Jun 2019 07:25:07 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=669

Ninguém integra iPhones de modo tão eficiente quanto os chineses

Após o veto do governo norte-americano à Huawei, os chineses vinham se mantendo na defensiva, evitando um confronto aberto. Mas nesta semana a China prepara lista de de “entidades não confiáveis” dos EUA que também sofrerão retaliações. No meio desta batalha, é possível que nós precisemos pagar mais caro para trocar de notebook e smartphone

A guerra comercial entre os Estados Unidos e China ganhará um novo capítulo nesta semana.  Wang Hejun, um alto comissário do ministério do Comércio, afirmou que os asiáticos preparam uma lista de “entidades não confiáveis” que sofrerão retaliações.

Hejun não deu detalhes sobre que tipo de retaliações serão anunciadas nem anunciou prazo para torná-las públicas. Segundo o oficial chinês, no entanto, “pequenas empresas, grandes corporações e até mesmo indivíduos” estão inseridos nesta lista. Há dez dias, a China anunciou a sobretaxa de produtos agrícolas americanos, que aumentam em 25% os custos para estes produtos entrarem no país asiático.

Desde o início dos ataques americanos às empresas chinesas, os chineses vêm se mantendo na defensiva, evitando um confronto aberto. Como a China tem monumentais superávits com os Estados Unidos, a guerra aberta é desfavorável aos chineses. O agravamento da disputa, que atingiu seu auge com o “banimento” da Huawei em fazer negócios com empresas americanas, deve fazer a China mudar de postura.

“Para a China, o confronto não é interessante. No entanto, o atual presidente do país, Xi Jinping, não quer transmitir uma imagem de fragilidade para seu público interno e está sendo forçado a reagir”, afirma Roberto Dumas, professor de economia chinesa do IBMEC.

O grande temor do mundo tec é que a reação da China afete a produção e venda de produtos da Apple em seu país. A consultoria IHS, por exemplo, estima que o custo dos iPhones, por exemplo, seria quase o dobro se a fabricação destes aparelhos fosse feita nos Estados Unidos, e não nas fábricas da Foxconn, em Shenzhen, sul da China.

Para analistas deste mercado, se quiser atingir com força os Estados Unidos, a melhor opção da China seria banir a Apple de vender seus produtos no mercado doméstico e taxar a saída dos produtos da companhia de Cupertino de seu país. As consequências, obviamente, seriam sentidas no mundo todo, por qualquer pessoa que compre produtos da Apple.

O cenário mais provável, no entanto, é que a China estique a corda e aumente a pressão contra as empresas americanas sem, no entanto, radicalizar. O objetivo seria apenas forçar os americanos a virem para a mesa de negociação.

Há uma expectativa, por exemplo, de reverter o banimento a Huawei ainda este ano, caso os dois países façam concessões. Nesta semana, por exemplo, a China acusou a empresa de logística Fedex de mandar encomendas com destino a outros países asiáticos para lugares errados, apenas para boicotar a economia chinesa.

Trata-se, até o momento, de uma guerra de palavras. No entanto, no meio desta batalha, é possível que cidadãos comuns e inocentes, como eu e você, precisemos pagar (muito) mais caro para trocar de notebook e smartphone, se os chefões de China e Estados Unidos não forem razoáveis.

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