Copy from China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas. Fri, 18 Oct 2019 17:53:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Após empresas, universidades brasileiras vão à China estudar inovação http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/16/apos-empresas-universidades-brasileiras-vao-a-china-estudar-inovacao/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/16/apos-empresas-universidades-brasileiras-vao-a-china-estudar-inovacao/#respond Wed, 16 Oct 2019 07:00:03 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=836

Times da USP e Unicamp discutem mobilidade urbana na Didi

A ascensão econômica (e tecnológica) da China atraiu, nos últimos cinco anos, enxames de executivos, investidores e gestores brasileiros, que foram ao país asiático visitar empresas e conhecer modelos de negócios.

Líder mundial em uso de pagamento móvel (com celulares), patentes 5G e sede de engenhosos modelos de economia compartilhada, a China tornou-se uma espécie de bússola para o futuro dos negócios digitais. O protagonismo chinês para inovação agora parece furar a bolha do universo corporativo e atrair também o setor acadêmico brasileiro.

A busca das universidades do Brasil é por referências chinesas para modelos de cidades inteligentes, uso de energias renováveis e superar desafios onipresentes em grandes metrópoles, como segurança pública e mobilidade urbana.

No último mês, a Unicamp e a USP, duas das mais importantes universidades brasileiras, enviaram a Pequim um grupo de 12 representantes, entre professores e alunos de graduação e pós-graduação, em um programa de colaboração tecnológica desenhado por universidades chinesas, governo local e a Didi –maior empresa de mobilidade urbana do mundo que, no Brasil, controla a 99.

Segundo Miguel Jacob, gerente de políticas públicas da 99, a imersão permitiu às equipes brasileira e chinesa trocarem informações sofre desafios comuns de mobilidade em suas cidades e proporem soluções conjuntas. “Há muitas diferenças entre a realidade e a cultura dos dois países, mas há também muitos pontos de sinergia, como os desafios para tornar as viagens mais seguras e a integração entre diferentes modais de transporte”, afirma Jacob.


Culturas distintas, objetivos comuns: todos querem chegar em casa mais cedo

Algumas das tecnologias da Didi testadas pelo grupo brasileiro foram o uso em um único app de diversas formas de transporte para além do táxi e carro privado, incluindo bicicletas elétricas e o pagamento de ônibus e metrô. Nas grandes cidades chinesas, os dados de mobilidade captados pelos carros a serviço da Didi são usados também para gerir, em tempo real, o tempo de abertura e fechamento dos semáforos, ajustando o fluxo ao volume de tráfego.

Desafio permanente das empresas de transporte, a segurança dos passageiros passou a contar, na Didi, com uma camada adicional de segurança, que faz uso de reconhecimento facial para verificar a identidade dos motoristas. Todos os dias, antes de iniciar o trabalho, o app da Didi exige que o motorista escaneie seu rosto com a câmera do celular, o que o impede, por exemplo, de ceder o carro a terceiros. A checagem pode ser feita, de forma randômica e automática, ao longo do dia.

Em regiões como Xangai e Beijing, sistemas de aprendizado de máquina analisam o histórico de viagens dos passageiros e passam a recomendar, diariamente, os melhores pontos de localização para início de viagem dos carros. Na prática, este recurso diminui o tempo de espera dos passageiros e eleva a produtividade dos motoristas, que rodam menos tempo sozinhos.


Táxis autônomos da Didi: testes já ocorrem na periferia de Xangai

De acordo com Miguel Jacob, o setor de mobilidade urbana vem se transformando rapidamente em todo o mundo e o fato de a Didi ter se tornado uma empresa global, com operações no Brasil (via 99), México, Austrália e Chile, auxilia a adoção mais rápida de melhores práticas, além de um uso mais intensivo de inteligência artificial e aprendizado de máquina na mobilidade urbana.

Entre as tendências para o setor projetadas a partir da experiência chinesa estão a substituição de veículos movidos a combustão por frotas elétricas e a ascensão de veículos autônomos, também em testes na China.

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Como a poluidora China criou a maior frota de carros elétricos do mundo http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/09/como-a-china-criou-a-maior-infraestrutura-para-veiculos-eletricos-do-mundo/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/09/como-a-china-criou-a-maior-infraestrutura-para-veiculos-eletricos-do-mundo/#respond Wed, 09 Oct 2019 07:00:47 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=828
Carregadores para todos: carro elétrico não é exótico na China

Por décadas acusada de ser um poluidor impiedoso, a China é, hoje o país que mais produz energias renováveis e a nação que lidera a substituição das frotas de carros movidos a gasolina e diesel por veículos elétricos.

A maior fabricante mundial de veículos movidos a esta energia, por exemplo, é a chinesa BYD, responsável por realizar a utopia perseguida por muitas metrópoles no mundo, a de substituir toda a frota de ônibus urbanos e táxis movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos. Em algumas paradas de ônibus, o piso sobre o qual estaciona o coletivo é capaz de recarregar a bateria do veículo, em um engenhoso processo que permite uma espécie de “recarga on the road”.

Há uma década, quando o céu de Pequim era escuro como noite, a venda de veículos do tipo ocorria graças a generosos subsídios. Hoje, no entanto, o processo é inverso. Não há vantagens fiscais na fabricação dos carros elétricos, mas emplacar um veículo a gasolina está ficando progressivamente mais caro nas cidades chinesas, o que, na prática, empurra muitos consumidores para a matriz limpa.

Nesta semana, a Xpeng Motors, outro player chinês de carros elétricos, anunciou investimentos na TELD, maior empresa local de estação de recargas. O investimento permitirá levar a mais 30 cidades pontos públicos de acesso aos “superchargers”, equipamentos capazes de dar carga de 80% em um automóvel (o suficiente para eles rodarem por 200 quilômetros) em apenas 50 minutos.  É o tempo de almoçar, por exemplo.

A expansão das estações públicas de recarregamento, que são opções às recargas noturnas que os proprietários de carros elétricos realizam em suas casas, contribuem para maior adoção deste tipo de veículo. Em muitas cidades chinesas, o maior investimento para ter um carro não é a compra do veículo em si, mas a aquisição de uma licença para emplacá-lo.

A lógica local é tributar o uso e propriedade dos carros, incentivando a população a usar alternativas públicas de transporte. Exceção é feita aos carros elétricos, como os BYD, Xpeng ou os estilosos NIO, espécie de versão chinesa da Tesla.


Luxuosos e descolados: os Nio só se movem com energia elétrica

De acordo com a Aliança Chinesa para a Promoção de Veículos movidos a energias renováveis, os investimentos das empresas privadas acima já tornam, com larga vantagem, a China o país com maior infraestrutura para carros elétricos, bem à frente do segundo e terceiro colocados, Estados Unidos e Japão.

Não à toa, soluções de compartilhamento de soluções de transporte, lideradas pela Didi, que no Brasil controla a 99, são super populares no país, como bike sharing, eletric-bike sharing ou o clássico carro compartilhado por aplicativo. Recentemente, as grandes cidades chinesas como Pequim, Xangai e Shenzhen, vivem um bom também de compartilhamento de automóveis, graças a sérvios como o GoFun, um app que permite desbloquear um carro estacionado na rua e usá-lo como usamos uma patinete ou uma bicicleta. Paga-se por hora.

A solução busca atender aqueles  usuários que se viram bem com metrô e ônibus no dia a dia, mas, às vezes, querem usar o carro por uma hora, para ir fazer compras no supermercado, levar o cachorro ao petshop ou mesmo ter autonomia de visitar um parente que vive em alguma localidade remota.  Os carros compartilhados, claro, são também elétricos.

Para além da inegável emergência em reduzir as emissões de dióxido de carbono, o esforço chinês tem um objetivo também perseguido pelas potências ocidentais: diminuir sua dependência da importação de petróleo.

Coletivos da BYD em Shenzhen: emissão de carbono zero 

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Sorria para pagar, dados e mais: a revolução do varejo já começou na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/02/sorria-para-pagar-dados-e-mais-a-revolucao-do-varejo-ja-comecou-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/10/02/sorria-para-pagar-dados-e-mais-a-revolucao-do-varejo-ja-comecou-na-china/#respond Wed, 02 Oct 2019 07:00:41 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=823
Houfe Chen: transformar varejo será prioridade da indústria tech

As três empresas que moldaram a internet chinesa, Baidu, Alibaba e Tencent, conhecidas pela sigla BAT, compartilham, agora, a arena de novas tecnologias para o varejo. No discurso, as três corporações dão nomes diferentes ao novo modelo que propõem, chamando-o de new retail, smart retail e bounderless retail.

Na prática, no entanto, trata-se do mesmo esforço: usar ferramentas de inteligência artificial, análise de dados e mobile payment para diminuir custos e aumentar as vendas do varejo, aproximando as experiências que consumidores têm no mundo físico (offline) e no comércio eletrônico (e-commerce).

Um passo à frente dos competidores está o Alibaba, que opera os supermercados HeMa, o estado-da-arte de novas tecnologias para varejo. Nas unidades da rede, dinheiro de papel não é aceito e as compras podem ser feitas online, por um app, para serem entregues em até 30 minutos na casa do consumidor ou de modo offline, direto no ponto de venda, sem interação com funcionários, já que todos os processos são automatizados.

Mais do que isso, um sistema de análise de dados lembra o usuário sobre itens que ele pode precisar ao visitar uma loja física e pode despachar para sua casa produtos que, eventualmente, o consumidor esqueceu de comprar ou que não estavam disponíveis em estoque naquele momento.

É também do Alibaba o método mais avançado de pagamento em uso na China, o Smile To Pay, em que o rosto do usuário serve de senha para liberar um pagamento. Sorriu, pagou.

Um passo atrás, a gigante Tencent, dona da segunda ferramenta de pagamentos mais popular do país, o WeChat Pay, anunciou esta semana que superou a marca de 100 redes de varejo atendidas na China. São clientes de setores variados que contratam a Tencent para usar suas tecnologias de análise de dados e automação de lojas.

Segundo Houfe Chen, presidente da divisão de varejo tech da Tencent, cerca de 10% da receita da empresa já vem de operações de varejo, como oferta de software, hardware e serviços em nuvem para clientes do setor.  De acordo com Houfe, em conferência da empresa nesta semana, a competição assídua no varejo chinês pressiona todas as empresas a adicionar camadas de tecnologia à sua operação, para fidelizar seus consumidores.

Um pouco atrás dos rivais, o Baidu tem demonstrado tecnologias interessantes para validação de pagamentos, como robôs que recebem pedidos por linguagem natural e usam a voz do cliente como senha para validar o pagamento, explorando a tecnologia de biometria vocal. Uma breve conversa com um robô permite não só fazer o pedido como também processar o pagamento.

A companhia também é líder em um sistema pioneiro de reconhecimento de objetos. Uma câmera inteligente é capaz de ler todos os produtos dispostos em uma bandeja ou carrinho de compras e calcular o preço total, dispensando o consumidor do tedioso trabalho de tirar os itens do carrinho, fazer um atendente registrá-los para, depois, colocá-los no carrinho de novo.

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Filme sucesso na Netflix revela problemas de um mundo dominado pela China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/25/filme-sucesso-na-netflix-revela-problemas-de-um-mundo-dominado-pela-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/25/filme-sucesso-na-netflix-revela-problemas-de-um-mundo-dominado-pela-china/#respond Wed, 25 Sep 2019 07:00:26 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=813
Americanos e chineses sofrem com as transformações tecnológicas do trabalho

O documentário “American Factory”, que estreou na Netflix há poucos meses, já figura na lista dos vídeos mais vistos na plataforma em sua categoria, nos Estados Unidos. A história narra a trajetória de uma planta fabril da General Motors, na cidade de Dayton, em Ohio, que vai à falência no final de 2008, lançando 10 mil trabalhadores nas estatísticas do desemprego.

A esperança para as famílias operárias de Dayton ressurge quando o grupo chinês Fuyao compra as instalações da GM, na esperança de ganhar participação do multibilionário mercado automotivo norte-americano. A visita do chairman da Fuyao a Dayton é celebrada pelos trabalhadores e oportunamente explorada pelos políticos locais, que até batizam uma rua da cidade com o nome do investidor chinês.

O dia a dia da operação, no entanto, revela como será difícil a adaptação das companhias ocidentais (e seus trabalhadores) à nova ordem mundial, em que os players chineses apresentam progressiva dominância sobre corporações estrangeiras  sem, no entanto, se prepararem para lidar com as diferenças culturais dos mercados em que entram.

Em uma passagem de forte poder simbólico, um supervisor chinês surpreende-se ao ser informado por seu chefe, também chinês, de que ele não pode obrigar os subordinados norte-americanos a fazer horas-extras sem remunerá-los.

O relacionamento entre trabalhadores chineses sem cultura sindical e habituados a toda sorte de sacrifícios em nome de sua corporação é permeado por momentos genuinamente comoventes, em que asiáticos e norte-americanos conseguem, ainda que momentaneamente, compreender o ponto de vista de seu parceiro estrangeiro.

Nos Estados Unidos, o documentário foi recebido com elogios (e prêmios) pela crítica, e tornou-se um sucesso de público, possivelmente interessado em compreender melhor como pode ser seu futuro, com um chefe chinês a quem se reportar. A percepção da opinião pública americana é de que os métodos chineses são inaceitáveis, mesmo no contexto americano, um país de modesta tradição trabalhista e forte viés liberal.

Ao mesmo tempo em que elevam a produtividade, os chineses também fazem crescer os acidentes de trabalho e geram uma piora no clima organizacional, com demissões frequentes.

Na China, país que não possui operação da Netflix, são muitos os chineses que baixam o documentário em sites de torrent e P2P. Os comentários dominantes nos fóruns de discussão online locais são de que, afinal, é melhor um mundo em que os trabalhadores tenham direito ao descanso, à proteção de sua saúde e ao tempo livre para conviver com a família, ainda que isto custe ser menos competitivo.

A dramática interação entre chineses e norte-americanos tem o mérito de mostrar, aos chineses, que seu estilo de trabalho não pode ser replicado em sociedades com classes trabalhadoras mais livres e conscientes. Do mesmo modo, é didático ao demonstrar aos americanos que sua liderança como potência econômica esmaece frente a ascensão chinesa.

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Na China, até marcas menores têm mais recursos que iPhone 11 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/18/na-china-ate-fabricantes-menores-tem-recursos-melhores-que-iphone-11/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/18/na-china-ate-fabricantes-menores-tem-recursos-melhores-que-iphone-11/#respond Wed, 18 Sep 2019 07:00:11 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=797

Modelo da Vivo Nex 3 já saiu com 5G antes do iPhone 11. Crédito: Divulgação

Quando Steve Jobs assombrou o mundo com o primeiro modelo do iPhone, em 2007, o dispositivo não suportava redes 3G. Só com um ano de atraso o icônico gadget da Apple passou a suportar um tipo de conexão que, na época, já era comum aos aparelhos topo de linha da Nokia e Samsung.

Mais de uma década após este episódio, o objeto de desejo que causa filas nas lojas da Apple a cada lançamento segue retardatário na adoção de várias novas tecnologias. Agora, porém, perdendo não só para rivais renomados, como a Samsung, mas para desafiantes até pouco tempo sem relevância no mercado de smartphones, como as marcas chinesas Huawei, Xiaomi, ZTE, Oppo e Vivo. Todas estas, por exemplo, já têm conexão 5G, item inexistente no novo iPhone.

Na última semana, a imagem abaixo, por exemplo, viralizou. Ela mostra que o  Mate 20 Pro, da Huawei, lançado há quase um ano, tem tela com melhor resolução, câmera mais potente, é mais leve e, claro, custa mais barato que o iPhone 11, que ainda nem chegou ao mercado. Alguns recursos do novíssimo iPhone, como a possibilidade de fazer fotos com efeito grande angular (permite colocar mais pessoas no enquadramento), são uma tecnologia nativa de dispositivos chineses há mais de dois anos.


A vantagem tecnológica da China, no entanto, não se dá apenas na qualidade dos aparelhos que fabrica. No país, as redes 5G já estão disponíveis para 167 milhões de pessoas, cobrindo 12 grandes cidades do país, entre elas Xangai e Guangzhou, de acordo com relatório publicado em junho pela consultoria Abacus.

Segundo estudo do IDC, só nos primeiros oito meses de 2019, 15 milhões de unidades de smartphones 5G foram vendidos na China. Em 2020, este número deve chegar a 57 milhões de peças. O país é também o maior detentor de patentes de tecnologias 5G, logo à frente de sul-coreanos, norte-americanos e japoneses.

Tem poder simbólico o fato de a Vivo (não confundir com a marca do grupo espanhol Telefônica) lançar, nesta semana, seu modelo Nex 3, com conectividade 5G. Na China, sabe-se que a Vivo está atrasada na corrida tecnológica, bem atrás de players como Xiaomi, Oppo, Huawei e até da estatal ZTE. Mesmo assim, no item conectividade, é mais avançada que o iPhone 11.

Ok, eu entendo. A Apple é charmosa, seu design é lindo e seus produtos possuem uma aura de inovação incomparável. Neste ponto, sejamos francos, os chineses seguem bem atrás dos norte-americanos, que sabem construir marcas e fazer marketing muito melhor que os rivais do Oriente.

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Fim de uma era: o adeus de ícone da web chinesa ao Alibaba após 20 anos http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/fim-de-uma-era-o-adeus-de-icone-da-web-chinesa-ao-alibaba-apos-20-anos/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/fim-de-uma-era-o-adeus-de-icone-da-web-chinesa-ao-alibaba-apos-20-anos/#respond Wed, 11 Sep 2019 07:00:18 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=791
Há 20 anos, Jack Ma (em pé) fazia história em um apartmento em Hangzhou

Esta é a última semana em que fundador do império digital Alibaba dá expediente em sua sala, no terceiro andar da cidade digital, nome dado ao headquarter da empresa, na cidade de Hangzhou, na China.

Ao contrário de outros grandes empreendedores digitais chineses, como o fundador do Baidu, Robin Li, e o criador da Tencent, Ponny Ma, Jack Ma é uma figura extrovertida, carismática e dono de um inglês fluente, que o ajudaram a se tornar uma figura pop no mundo, equivalente ao que Bill Gates ou Steve Jobs representam para a imagem da indústria digital do Ocidente.

Sem saber programar ou mesmo trabalhar com um computador até os 30 anos de idade, Ma teve a visão de que o e-commerce se tornaria o método dominante de compras na China e, com habilidade fora da curva para o marketing, criou estratégias inventivas para convencer o desconfiado consumidor chinês dos anos 90 a acreditar que era possível fazer compras na internet e, depois, convencê-los a criar carteiras de dinheiro que só existe na internet, com a invenção do AliPay.

Fundador de um império avaliado em meio trilhão de dólares, Ma anunciou que deixaria o comando da empresa há exatos 12 meses, passando o bastão para Daniel Zhang, atual CEO da companhia, conduzir uma transição ao longo de um ano. Na China, o boato preferido entre os trabalhadores da indústria tech é que a saída de Ma tem o dedo, as mãos, os braços e as pernas do governo. O super empresário estaria ficando poderoso demais e, por isso, seria hora de sair de cena.

Réplica da primeira loja do TaoBao: Ma convenceu os chineses a comprar online

Difícil comprar tal teoria da conspiração. Quantos não são os bilionários em todo o mundo que, após décadas de trabalho das 9h da manhã às 9h da noite, não preferem usar seu tempo de forma mais, digamos, relaxada? Também foi assim com Bill Gates, na Microsoft, por exemplo.  O próprio Ma já declarou que tem sido pressionado pela família a trabalhar menos. “Minha esposa diz que não me casei com ela, que sou casado com o Alibaba”, disse em conferência, há dois anos.

O novo CEO da megacorporação terá, agora, o desafio de transformar a empresa de e-commerce em uma plataforma de serviços digitais e internacionalizar a companhia, ainda dramaticamente dependente do mercado doméstico.  Além da operação Alibaba.com, a companhia mantém os serviços de vendas B2B e C2C TMall e TaoBao, a empresa de tecnologia logística Cainiao, a operação de nuvem AliCloud e o serviço de entrega de refeições Ele.me.

Soma-se a tudo isso a Ant Financial, mais valiosa subdivisão do grupo, responsável pelo serviço líder em pagamentos digitais AliPay e que virtualmente acabou com o dinheiro de papel na China.

Um cenário auspicioso, sem dúvida. Mas que não convenceu os investidores de que terá o mesmo brilho sem Ma no comando. A confirmação de sua saída da empresa fez os papéis do Alibaba perderem 4% de valor na NYSE, onde são negociados desde o IPO da empresa, o maior da história das bolsas de valores em todo o mundo.

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Jovens estão abandonando WeChat na China para evitar os pais http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/privacidade-jovens-estao-abandonando-wechat-na-china-para-evitar-os-pais/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/privacidade-jovens-estao-abandonando-wechat-na-china-para-evitar-os-pais/#respond Wed, 04 Sep 2019 07:00:39 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=780 re
TikTok: eles preferem estar onde os pais não os vigiam

As diferenças culturais entre Ocidente e Oriente certamente são muitas, mas o desejo dos adolescentes de manter suas aventuras entre amigos longe do conhecimento dos pais parece ser universal.

Um relatório divulgado nesta semana pela consultoria JiGuang revela que a China vive o mesmo fenômeno registrado no Brasil, Europa ou Estados Unidos, regiões em que jovens passaram a usar menos a rede social dominante, neste caso o Facebook, para evitar que seus pais os vissem fazendo coisas, digamos, desabonadoras. Nessas regiões, o beneficiário maior foi o Snapchat.

Na China, a rede dominante é o WeChat, app utilizado por 1 bilhão de usuários únicos, o que incluir virtualmente todos os chineses capazes de segurar um celular com as mãos. Ao contrário da rede criada por Zuckerberg, o app da Tencent é, no entanto, muito mais que uma rede social, integrando pagamentos e uma miríade de serviços digitais que o tornam praticamente uso obrigatório para sobreviver na China moderna.

Um lugar para os tiozinhos: adolescentes acham o WeChat velho demais

Segundo a análise da JiGuang, entre os chineses nascidos após o ano 2000, portanto com 19 anos ou menos, só 15% fazem postagens no item “Momentos”, equivalente à timeline do Facebook.  Entre o público geral, a média de publicações em “Momentos” supera 57%.

O estudo aponta que os adolescentes chineses não deixaram totalmente de lado o WeChat, app do qual dependem para pedir um táxi, fazer um pagamento ou mandar mensagens de texto e voz para os amigos. No entanto, na hora de utilizar funções sociais, como compartilhar momentos importantes de suas vidas, preferem outras redes.

O maior beneficiário dessa migração é o app TikTok, do grupo ByteDance Doyin, incrivelmente popular entre os adolescentes na China. Sem o olhar vigilante das mamães e papais, é possível publicar registros das festinhas em que se misturam garotos e garotas, experimenta-se cigarros ou mesmo cantam uma inofensiva música no KTV… em horário de aula.

Para os especialistas ouvidos pela consultoria JiGuang, sempre que uma aplicação atinge uma massa tão grande de usuários, como o WeChat, abre-se uma brecha para o surgimento de novos competidores, que sejam capazes de melhor atender nichos específicos.

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Da China para o Ocidente: 3 ideias que Facebook, Amazon e YouTube copiaram http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/28/da-china-para-o-ocidente-3-ideias-que-facebook-amazon-e-youtube-copiaram/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/28/da-china-para-o-ocidente-3-ideias-que-facebook-amazon-e-youtube-copiaram/#respond Wed, 28 Aug 2019 07:00:29 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=770
TikTok: fenômeno dos vídeos curtos influenciou Snapchat e Facebook

Maior mercado de internet mobile do mundo, a China é também um laboratório único no planeta para testar novos modelos de negócios. Com 842 milhões de conexões mobile, 170 milhões delas em velocidade 5G, e muito capital de risco à disposição, não é difícil imaginar o tanto de startups e experimentalismo que há na web chinesa.

Se uma ideia é testada – e sobrevive – neste ultracompetitivo mercado, é de se imaginar que a ideia seja boa e, por isso, tenha razoáveis chances de prosperar também fora da China. Não à toa, executivos de todo o mundo têm viajado regularmente à China para estudar os modelos de negócios locais e adaptá-los à realidade de seus usuários. É o Copy From China em estado puro.

No relatório anual que a consultoria Abacus recém publicou sobre a web chinesa, são listadas três estratégias de negócios digitais que nasceram na China e foram copiadas por produtos como Amazon Live, Instagram, YouTube, Snapchat e Facebook. Veja quais são:

1 – Super Apps, um só lugar para todos os serviços

Aplicativos chineses como o WeChat, Alipay e Meituan foram pioneiros no conceito de “one-stop shop for all services”. A ideia central é aproveitar o imenso tráfego que estas plataformas de rede social, pagamentos e compras, respectivamente, tinham, para inserir novas camadas de serviços e extrair mais tempo de uso e dinheiro de sua audiência.

No WeChat, por exemplo, que poderíamos comparar ao WhatsApp, além de trocar mensagens, você pode integrar uma carteira digital, transferir dinheiro para amigos, pedir delivery de comida, chamar um táxi ou agendar horário no salão de beleza, por exemplo. A ideia fez sucesso por dispensar os usuários de instalar, fazer cadastro e manusear uma dezena de outros apps, como os de táxi, comida ou beleza. Você faz tudo em um só local.

A estratégia acabou replicada pelo Facebook que vem transformando seu app Facebook Messenger de um produto “standalone” em um super app com múltiplas features, como games online, mobile payments (não disponível no Brasil) e chatbots. Outras empresas, como o mensageiro japonês Line, seguiram o modelo, integrando carteira digital, vídeos on demand e distribuição de animes.

2 – Fusão do e-commerce com características sociais

Gigantes do e-commerce chinês, como o Taobao, do grupo Alibaba, e jovens startups, como as empresas iniciantes Pinduoduo e Mogu adicionaram múltiplas camadas sociais a suas plataformas. No Pinduoduo, produtos premium são vendidos com descontos progressivos apenas por recomendação social. Ou seja, aquela bolsa exclusiva só pode ser vendida para você, com desconto, se algum amigo seu que a comprou te recomendar a compra. A tática é um sucesso e, em 18 meses, a startup tornou-se um unicórnio. No Taobao e no Mogu, influenciadores e celebridades testam os produtos disponíveis para venda ao vivo, todos os dias. Os reviews ao vivo têm enorme audiência e em incrível poder de conversão em vendas.

Em fevereiro deste ano, a Amazon estreou seu “Amazon Live” que, na prática, replica o modelo do TaoBao, com demonstrações ao vivo de produtos que podem ser comprados com um clique no carrossel abaixo da livre streaming. Instagram e YouTube Shopping estrearam, este ano, função semelhantes, tornando suas plataformas sociais também mecanismos de vendas online.

3 – Vídeos curtos e viciantes

O pioneirismo dos vídeos curtos deve ser atribuído ao Vine que, apesar da vanguarda, nunca se tornou um produto de massa. Na China, porém, apps como TikTok, da ByteDance, e Kuaishou tornaram-se campeões de download e febre dentro e fora do país. Recursos criados pelo TikTok, como o filtro que sincroniza o movimento dos lábios de uma pessoa com músicas acabaram copiados por apps como o Snapchat, que em fevereiro deste ano listou, oficialmente, o TikTok, como um de seus principais competidores. O app Facebook´s Lasso, focado em vídeos curtos, também tem óbvia inspiração chinesa.

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Sistema de crédito social chinês funciona porque o povo gosta de vantagem http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/a-controversa-verdade-sobre-o-sistema-de-credito-social-chines/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/a-controversa-verdade-sobre-o-sistema-de-credito-social-chines/#respond Tue, 13 Aug 2019 07:00:41 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=758
Pedestres e motoristas identificados: não há lugar onde se ocultar na China

O sistema digital que ranqueia os cidadãos chineses, classificando-os em bons, maus, confiáveis ou perigosos tem gerado enorme discussão pelo mundo. Para muitos estudiosos de China, trata-se da materialização dos cenários distópicos apresentados séries como “Black Mirror” ou em livros como “1984”. A verdade, até agora, é que o sistema não tem sido tão mau, embora apresente potencial para ser até mais opressor do que a realidade proposta nas séries de ficção científica.

Sistemas que classificam cidadãos não são uma invenção chinesa. No Brasil, quem tiver o CPF na lista de inadimplentes do Serasa não poderá pedir empréstimos. Mesmo quem tem o nome limpo pode receber mais ou menos crédito de instituições financeiras de acordo com seu “relacionamento” com o banco, nome ensaboado para um sistema de ranqueamento dos correntistas. Ao andar de Uber ou alugar uma casa via Airbnb, somos, usuário e prestadores de serviço, mutuamente avaliados. Se sua pontuação for baixa demais, você está fora do jogo.

Na China, desde 2007 estão em teste diferentes sistemas que conferem pontuações a seus cidadãos. Ao contrário do que diria o senso comum, os sistemas não são centralizados ou controlados por Pequim. Ao menos por enquanto. Todos os sistemas são voluntários; ou seja, o cidadão opta por entrar neles, esperando beneficiar-se de vantagens, e a maior parte dos rankings de classificação são tocados por empresas privadas.

O mais famoso deles é o Sesame Credit, criado pelo grupo Alibaba. Estima-se que 400 milhões de chineses, voluntariamente, tenham aderido ao Sesame. Neste ranking, seus hábitos online são criteriosamente avaliados, e ter boas notas significa vantagens como comprar com mais desconto ou ter preferência na entrega de produtos. Gastos com livros ou itens para crianças, como fraldas, são avaliados positivamente. Passar tempo demais em jogos online ou comprar cigarros e álcool, por outro lado, te faz ter má avaliação. Outras empresas privadas possuem sistemas similares. O Zhihu, uma espécie de Quora ou Wikipedia chinês, dá muitos pontos a quem compartilha seu conhecimento e tira pontos de quem só consome conteúdo avaliado como fútil.


Jovens exibem sua pontuação: namoro e emprego facilitado para bons cidadãos

No último ano, algumas prefeituras de cidades médias iniciaram seus próprios sistemas de ranqueamento. Ajudar a instalar uma tabela de basquete em sua comunidade, oferecer-se para varrer as ruas ou ir a asilos contar histórias a idosos rende pontos. Ouvir música alta no metrô, furar o farol vermelho ao dirigir ou envolver-se em uma bebedeira faz o cidadão perder pontos. A fama dos rankings sociais levou até o app de namoro Baihe, uma espécie de Tinder chinês, a exibir, de forma voluntária, os pontos de cada “match” nos sistemas sociais. Assim, além de conferir a aparência de seu possível “crush”, é possível checar o quão bom cidadão ele é.

De um modo geral, as pessoas aderem ao sistema de crédito por ver vantagens nele. Algumas empresas, por exemplo, dão preferência a fazer entrevistas de emprego com jovens que tenham boa pontuação social. Os chineses têm aderido ao sistema também por acreditarem contribuir para a organização mais eficiente e honesta da sociedade. Estelionatários, valentões ou simplesmente pessoas mal-educadas, que jogam papel no chão ou atravessam fora da faixa, terão sua ação mais limitada em uma sociedade ultravigiada.

Mesmo em ritmo de testes, 25 milhões de cidadãos já foram punidos por ter má pontuação e 13,5 milhões seguem na “black list” dos sistemas sociais. Entre as punições mais comuns estão a proibição de comprar passagens aéreas nos feriadões chineses ou mesmo bilhetes para os modernos trens-bala do país. Só este ano, 20,5 milhões de passagens aéreas e 5,7 bilhetes de trem foram cancelados para punir cidadãos com baixa pontuação.

Embora na China o tema não tenha grande repercussão, fora do país muitas são as críticas ao sistema. Para analistas especializados em China, o principal perigo do credit score é o fato de ele não ser transparente e “maus cidadãos” não terem a quem recorrer. Para estes observadores, além de criar uma sociedade mais ordeira e solidária, os sistemas de crédito social podem ser tornar uma opressora ferramenta de dominação do regime chinês. Ou, ainda, permitir, na prática, a criação de classes de cidadãos, como os altamente avaliados ou o grupo dos “notas baixas”.  Uma perspectiva tão sombria quanto os piores momentos de “Black Mirror”.

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Veja quatro tendências tec da China que você precisa conhecer http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/06/veja-quatro-tendencias-tec-da-china-que-voce-precisa-conhecer/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/08/06/veja-quatro-tendencias-tec-da-china-que-voce-precisa-conhecer/#respond Tue, 06 Aug 2019 07:00:46 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=752
Chinesa paga conta via reconhecimento facial: inteligência artificial é expressão obrigatória

A rápida ascensão das empresas chinesas e a transformação da economia do país em referência de inovação tornaram obrigatório a todos que acompanham o mundo tec manter um olhar atento sobre a China.

Este mês, a consultoria Abacus e o jornal South China Morning Post, publicação controlada pelo grupo Alibaba, publicaram a versão 2019 do mais importante relatório sobre o estado da economia digital do país. Os números revelam que o crescimento da internet chinesa continua vigoroso, apesar de a economia offline do país demonstrar desaleceração.

A China, diz o relatório, mantém a maior população mundial online, com 829 milhões de pessoas conectadas, das quais 583 milhões usam pagamento móvel regularmente. Apenas este último número é maior do que toda a população dos Estados Unidos, segundo maior mercado em volume de pagamentos móveis.

O estudo mostra ainda a ascensão de um novo trio de empresas líderes no setor digital chinês. A tradicional tríade Baidu, Alibaba e Tencent, conhecida pela sigla BAT, agora encontra rivais que lhe fazem sombra, o trio TMD.  A sigla é referência às empresas Toutiao, aplicação líder em notícias digitais; Meituan, super app de serviços com delivery de comida ou venda de ingressos para filmes e shows; e Didi, o equivalente ao Uber na China.

A pesquisa, feita a partir de entrevistas com os executivos-chefes das principais empresas de internet do país, além da coleta de dados de agências governamentais chinesas, indica quatro grandes tendências para o futuro digital chinês. Veja quais são elas.

Agora, o Ocidente copia a China

Inovações digitais que surgiram na China tem, cada vez mais, influenciado o desenvolvimento de serviços online no Ocidente. A Amazon, por exemplo, passou a realizar “lives” comandadas por influenciadores promovendo produtos de sua plataforma. A técnica é uma cópia do que o Tao Bao, serviço do Alibaba, já faz já dois anos. No Japão, por exemplo, o app Line, equivalente ao WhatsApp, passou a integrar serviços como pagamentos móveis, carteira digital, transmissões de vídeo para celular e distribuição de conteúdo, como notícias e entretenimento. A técnica é uma cópia do que o WeChat, da Tencent, faz há alguns anos.

China avança sobre o 5G

Na China, o acesso a redes 5G já é uma realidade em uma dezena de cidades, beneficiando um total de 167 milhões de usuários. Entre as vantagens da tecnologia estão a maior velocidade de tráfego de dados móveis, menor custo de manutenção e a viabilização de serviços avançados como telemedicina e a gestão de robôs e veículos autônomos. Empresas chinesas, como a Huawei, lideram o registro de patentes 5G. Ao todo, a China detém 3,4 mil patentes reconhecidas desta tecnologia. Os Estados Unidos, por sua vez, apenas 1,3 mil.

Uso massivo de inteligência artificial

O uso em massa de algoritmos de AI já pode ser percebido nas ruas da China, como nas estações de metrô em que se paga a tarifa por reconhecimento facial; nas lojas autônomas da Jing Dong, onde se prova roupas via avatares virtuais; e em hotéis como o FlyZoo, do grupo Alibaba, em que todos os serviços, do check-in ao check-out, são realizados via biometria e troca de informações de nosso corpo com dispositivos conectados.

Crédito social ganha se torna realidade

O controverso sistema em que cada cidadão é avaliado por meio de uma pontuação, em testes no país desde 2014, agora torna-se uma realidade. Pagar contas com atraso, sofrer condenações na Justiça, tornar-se inadimplente, dirigir bêbado ou simplesmente gastar tempo demais em jogos online, faz os cidadãos chineses receberem más pontuações. Até 2020, a China pretende integrar estas avaliações realizadas por diferentes serviços e criar um sistema nacional que premie bons cidadãos e puna pessoas com mau comportamento, como ser multado por jogar papel no chão. As punições, fora da esfera criminal, não pretendem prender ninguém, mas impedir pessoas com má reputação de usar os trens-bala chineses ou viajar de avião dentro do país. De acordo com o relatório, atualmente 13,5 milhões de pessoas são avaliadas como não suficientemente confiáveis.

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