Copy from China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas. Sun, 26 Jan 2020 07:00:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Nem dinheiro e cartão: estrangeiros também usam app de pagamento na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/nem-dinheiro-e-cartao-estrangeiros-tambem-usam-app-de-pagamento-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/nem-dinheiro-e-cartao-estrangeiros-tambem-usam-app-de-pagamento-na-china/#respond Sun, 26 Jan 2020 07:00:28 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=989

Estrangeiros podem usar Alipay para fazer compras e pagamentos na China (Divulgação/Alizilla)

A China é a única sociedade cashless do mundo e ir até lá e não experimentar as facilidades desta inovação era uma constante frustração para estrangeiros até o início de 2020, quando o governo local liberou o uso de apps de pagamento para não-chineses.

Até é possível, eventualmente, comprar coisas em papel moeda por lá, mas o fato é que a maior parte dos estabelecimentos nem sempre tem dinheiro em espécie para dar troco. E as maquininhas de cartão são muito raras, porque a compra a crédito nunca foi um hábito comum na China. Comprar com cartão é possível em hotéis internacionais, mas ele raramente é aceito em táxis ou restaurantes, por exemplo. O jeito que os chineses costumam pagar suas compras hoje é por meio digital, usando apps como AliPay.

Funciona assim: por meio de aplicativos de pagamentos móveis, como o Alipay e o WeChat Pay, os chineses escolhem o que vão comprar. Na loja ou restaurante, eles apontam o celular para o código QR do produto e o valor é debitado eletronicamente do cliente. A operação também é feita de forma inversa. Em um restaurante, por exemplo, o atendente pode solicitar o QR do cliente – gerado pelo app de pagamento – para que ele seja escaneado e, assim, debitar o valor do produto.

Para sua experiência de compra acontecer, na China, no entanto,  é preciso instalar o Alipay, a maior e mais conhecida plataforma de pagamento digital do país. Veja como criar sua carteira digital, em cinco passos:

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No Apple Store, Google Play ou site do Alipay, baixe o aplicativo. Se você fizer no iPhone ou Android, escolha a versão Alipay – Simplify Your Life, por ser a mais completa. Provavelmente você não vai usar todas as funcionalidades, mas ter elas à disposição não fará mal algum.

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Mesmo que você tenha escolhido baixar o Alipay via site, vai ser redirecionado para o celular. Depois de instalado, abra o app e siga as instruções. Fácil falar, né? A tela inicial, sobre os termos e condições de uso, está em chinês. Mas é tranquilo. Clique na opção à direita destacada em azul. Depois dela, aparece uma tela que permite a escolha do idioma. Recomendamos que seja o inglês.

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Depois de definida a linguagem do app, aperte a tecla de registro ‘Sign Up’ caso ainda não tenha se inscrito no Alipay. É preciso fornecer dados pessoais, como nome, telefone, e-mail e cartão de crédito internacional. Não se preocupe, o site é seguro.  Dê as autorizações necessárias para que o app possa funcionar sem restrições.

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E assim chegamos à tela inicial do Alipay (à direita). Sim, há funcionalidades em chinês, mas vamos nos virar bem com as opções em inglês, especialmente as que estão no menu azul, na parte de cima do app: Scan (que lê o QR dos estabelecimentos para efetuar o pagamento), Pay (pagar com o seu QR gerado no app), Collect (receber dinheiro via QR) e Pocket. Para que todas essas opções funcionem, é preciso cadastrar um cartão internacional. Vá então na opção ‘Pay’. O app vai abrir uma tela que pede o registro de cartão. Confirme seus dados.  Assim que o cartão for registrado no app, vai gerar um QR code que pode ser solicitado por algum lojista ou prestador de serviço para efetuar o pagamento da compra.

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Com um cartão de crédito registrado, podemos comprar uma pequena quantidade de moeda local. Para fazer a primeira recarga, é preciso fornecer dados pessoais, como cartão bancário e foto do visto chinês (tire no celular). Na tela inicial do Alipay, clique em Tour Pass. Você pode carregar de 100 RMB a 2.000 RMB (pela cotação média de janeiro de 1,67 renminbi, isso equivale de R$ 60 a R$ 1.200).  Bem, feito isso é só desfrutar do mobile payment.

Alguns cartões de crédito podem ser recusados, dependendo de onde foram emitidos. Tente com diferentes opções até conseguir.

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Como a tecnologia vai impedir que o coronavírus se torne epidemia na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/como-a-tecnologia-vai-impedir-que-o-coronavirus-se-torne-epidemia-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/como-a-tecnologia-vai-impedir-que-o-coronavirus-se-torne-epidemia-na-china/#respond Wed, 22 Jan 2020 07:00:08 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=985

Paciente internado em Wuhan, epicentro da crise (Bruce Detorres/Wikimedia Commons)

Há duas décadas um vírus respiratório chamado Sars, originado a partir da mutação de uma virose que afetava aves em criadouros, espalhou-se velozmente na China, matando 800 pessoas. Mais uma vez, um ser acelular, de origem animal, desta vez oriundo de bichos marinhos, adaptou-se ao organismo humano e apresenta potencial para gerar nova crise sanitária na China.

Segundo relatório publicado pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, a recente ameaça, no entanto, deve ter um desfecho bem menos agressivo que a crise vivida no início dos anos 2000.

Por e-mail, Daniel Lucey, pesquisador da Georgetown, contou ao blog que as condições tecnológicas e ferramentas disponíveis para controle da enfermidade são “dramaticamente diferentes”. “Há duas décadas, nós não tínhamos serviços de Big Data, análise de grandes volumes de dados ou mesmo laboratórios com supercomputadores capazes de prever as mutações de um novo vírus”, afirma Lucey.

Entre os recursos disponíveis agora está a capacidade de rastrear, por georreferenciamento, a trajetória de pessoas que testarem positivo para o novo vírus, entendendo exatamente onde estiveram e com quem tiveram contato.  A partir daí, é possível testar e isolar (se for o caso) pessoas em estágio contagioso.

Aplicações de inteligência artificial também projetam os deslocamentos de pessoas que vivem em áreas com maior índice de infecção, como Wuhan, no interior da China, e emitem alertas sobre destinos sensíveis, que devem ser monitorados. Sabe-se, por exemplo, que mais de 8 mil moradores de Wuhan estão viajando para os Estados Unidos e Canadá neste feriadão de ano-novo lunar chinês.

Equipamentos medem temperatura de transeuntes (Divulgação/Beijing City Airport)

Nos aeroportos e estações de trem, equipamentos capazes de medir a temperatura corporal de grande volume de pessoas permitem identificar, em meio a uma multidão, quem está febril e, logo, testá-la.

O diagnóstico correto, aliás, é uma possibilidade tecnológica recente. Há vinte anos, identificar com certeza a infecção por Sars em um paciente levava uma semana. Atualmente, testes de sangue são capazes de encontrar traços do DNA do novo vírus em uma pessoa suspeita de estar contaminada em menos de uma hora.

Na China, no entanto, a principal razão de otimismo da população para enfrentar a crise é o fato de Pequim agir com transparência. Na crise dos anos 2000, o governo central tentou esconder a crise, o que só piorou as chances de controlar a epidemia. Agora, as informações circulam livremente e todos sabem onde não devem ir e o que não devem comer.

No fóruns de internet de serviços como Baidu e Weibo, no entanto, grassam teorias conspiratórias. A mais popular é que o novo vírus seria uma arma química desenvolvida pela CIA. O objetivo seria encontrar um micro-organismo capaz de matar apenas chineses e que fosse inócuo quando infectasse pessoas de outros grupos étnicos, como os ocidentais, por exemplo.

A teoria é alimentada pelo fato de o Sars, há duas décadas, só ter feito vítimas fatais chinesas. Até mesmo japoneses infectados, ao final do tratamento, salvaram-se. Conspiração à parte, laboratórios na China estimam que o fato de supercomputadores e ferramentas de Big Data estarem disponíveis agora, permitirá o desenvolvimento de uma vacina em até 12 meses. Há duas décadas, este prazo seria inviável.

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Para onde vão os investimentos da maior empresa de internet da China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/para-onde-vao-os-investimentos-da-maior-empresa-de-internet-da-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/para-onde-vao-os-investimentos-da-maior-empresa-de-internet-da-china/#respond Wed, 15 Jan 2020 07:00:13 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=974

A depender da cotação de suas ações, Tencent pode ter valor total superior ao do Facebook (Divulgação)

Qual a maior empresa de internet do mundo? Oficialmente, por dados de valor de mercado, é a Amazon, seguida pela Alphabet, do Google. A depender do critério utilizado, se considerarmos a fabricante de hardware Apple e a desenvolvedora de software Microsoft como companhias “pontocom”, esta estatística pode mudar.

Na lista das maiores empresas digitais do mundo aparecem, ainda, o grupo Alibaba, que não realizou abertura de mercado (IPO) de sua fabulosa fintech avaliada em US$ 150 bilhões e de sua empresa de logística, a Cainiao. Quando o fizer, a holding poderá subir às primeiras posições.  Na mesma parte superior da pirâmide está a Tencent,  quarta maior empresa digital do mundo e primeira colocada em seu país,  a companhia chinesa que controla serviços como o superapp WeChat, a depender da cotação de suas ações, pode ter valor total superior ao do Facebook.

Mas como, afinal, uma empresa que muitos mal conhecemos pode valer mais que o Facebook? A resposta óbvia é seu gigantismo no mercado interno, já que a Tencent tem posição dominante em áreas como nuvem, meios de pagamentos digitais e redes sociais na China.

Um levantamento feito com base em dados públicos pelo serviço Crunchbase, o que exclui muitos investimentos mantidos sob contratos sigilosos, revela, no entanto, que usuários de todo o mundo usam serviços da Tencent, apenas não sabem que o fazem.

Apenas em empresas americanas, a Tencent mantém US$ 97 bilhões em ações. Uber, Snapchat e Tesla têm o capital, a tecnologia e o expertise da companhia de Shenzhen. Na Índia e no Sudeste da Ásia, outros US$ 32 bilhões estão investidos em marcas como Flipkart, Ola e Swiggy, líderes em e-commerce, transporte por app e delivery de comidas na Índia, respectivamente. Na Europa, são US$ 13 bilhões investidos.

A informação (previsível) e decepcionante é o papel marginal que a América do Sul e o Brasil, quinto maior país do mundo em número de pessoas conectadas, exerce no mapa de investimentos do gigante chinês. Em nosso subcontinente, US$ 2 bilhões estão investidos, boa parte no Nubank.  O valor total é inferior até mesmo aos investimentos feitos em players africanos, como a health tech Helium ou a fintech Paystack.

O mapa dos investimentos chineses mostra uma estratégia peculiar. No mercado doméstico, a Tencent muitas vezes investe em rivais, apoiando empresas que competem entre si, apostando que terá o investimento correto, vença quem vencer a disputa por um novo mercado.

No países “maduros”, como os Estados Unidos, os novos investimentos têm se concentrado apenas em pequenas empresas iniciantes e potencialmente disruptivas. A ideia é que colocar (mais) dinheiro em grandes players tem pouca chance de gerar valorização, ao passo que startups, embora mais arriscadas, ofereçam potencial de lucratividade muito mais atraente.

Em países “em desenvolvimento”, como no continente africano ou em nações do Sudeste da Ásia, as apostas se concentram apenas nos players grandes e que já lideram seus segmentos, possivelmente uma aposta de que há espaço para que os líderes cresçam muito mais com a inclusão digital de suas sociedades. Abaixo, um gráfico do Crunchbase que representa o tamanho dos investimentos da Tencent em cada região do mundo.

 

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Dsputa com EUA orientará tecnologia da China na década http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/08/para-especialista-disputa-com-eua-orientara-tecnologia-da-china-na-decada/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/08/para-especialista-disputa-com-eua-orientara-tecnologia-da-china-na-decada/#respond Wed, 08 Jan 2020 07:00:25 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=961

Dominik Vanyi/ Unsplash

 

Um estudo publicado há dez anos, pelo Banco Mundial, projetava que a China superaria o PIB americano até 2030. Análise similar, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), estimava que a ultrapassagem chinesa ocorreria em 2025. A recente desaceleração da maior economia da Ásia indica que este ponto de inflexão poderá atrasar um pouco, mas não muito.

Esta é a percepção da maioria dos especialistas de fundos de investimento, bancos, acadêmicos e estudiosos da economia e do ecossistema de tecnologia chineses. De acordo com projeções do próprio governo chinês, o país espera posicionar-se como líder mundial de inteligência artificial até 2030 e concentrar 70% de suas exportações em produtos de alto valor agregado já em 2025.

Neste processo de ascensão da China, veja cinco tendências apontadas na virada de 2019 para 2020 por diferentes especialistas.

1 – Rivalidade com Estados Unidos orientará corporações chinesas
Para Yu Uny Cao, pesquisador da Zhejiang University, é visível que o governo local, que possui assento no conselho de administração das grandes companhias de tecnologia, pressionará as companhias para mirarem no desempenho das rivais americanas. “Aqui, observam-se todos os passos tomados pelas empresas dos Estados Unidos e a todo tempo se discute como ter soluções mais avançadas e eficientes”, afirma Cao.

2 – Guerra comercial diminuirá “farra do venture capital”
O fato de a China praticar taxas reais de juros negativos, na prática, inundou os fundos de capital de risco para oferecer (muito) dinheiro às startups mais criativas.  Poucas fizeram ótimo uso deste dinheiro e tornaram-se unicórnios. Muitas fracassaram e deixaram grandes prejuízos.  De acordo com especialistas, a guerra fria com os Estados Unidos está pressionando os fundos a investirem mais em “tacadas certas” e tomarem menos riscos.

3 – A era dos subsídios e cash burn ficou para trás
Quem acompanha as grandes empresas online da China sabe que muitas delas se tornaram gigantes “comprando” usuários, via agressivas campanhas de marketing baseadas em subsídio. Empresas de food delivery, por exemplo, vendiam por 10 dinheiros uma refeição que, no restaurante, custaria 15. A mágica era tornar as ofertas online tão imperdíveis que forçassem milhões de usuários a aderir a elas. Um caso emblemático é do e-commerce Taoji, que queimou US$ 86 milhões em subsídios para construir sua base de clientes. De fato, eles atraíram 80 milhões de cadastros no período de descontos, mas logo após os subsídios acabarem, os consumidores abandonaram a plataforma e voltaram para os players de sempre, como Alibaba e Jingdong, fazendo o Taoji ir à falência.

Eles não são chineses.. mas adoram o Tik Tok  (Divulgação/ByteDance)

4 – Tik Tok mostrou que redes sociais chinesas podem conquistar o mundo
Há uma máxima que afirma que os hardwares fabricados na China são ótimos, mas o software chinês não faz sucesso fora da China.  O app Tik Tok, da empresa ByteDance, é uma espécie de “rompedor de tabus”, uma vez que a rede social mobile tornou-se febre nos Estados Unidos, Europa e, de certa forma, também no Brasil. O caso mostra que é possível para aplicações chinesas serem bem sucedidas fora do mercado doméstico.

5 – Cidades high tech movidas a carrinhos de brinquedo
As metrópoles chinesas já figuram entre as mais modernas do mundo, com lojas de atendimento autônomo, entregas feitas por robôs, pagamentos realizados por biometria facial e carros (e ônibus) elétricos dominando as ruas.  Estima-se que, nos próximos anos, automóveis como nós conhecemos sejam gradativamente substituídos por pequenos veículos (eventualmente autônomos) que rodam a baixa velocidade. Esta nova alternativa de mobilidade reduziria congestionamentos, o clássico problema dos estacionamentos e da poluição atmosférica.

Pequeno, lento e elétrico: mini-carro é aposta para mobilidade futura (Wikimedia Commons)

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Visitamos a maior fábrica de veículos elétricos do mundo, na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/02/visitamos-a-maior-fabrica-de-veiculos-eletricos-do-mundo-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/02/visitamos-a-maior-fabrica-de-veiculos-eletricos-do-mundo-na-china/#respond Thu, 02 Jan 2020 07:00:27 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=951

Fábrica de Pingshang, em Shenzhen: um novo carro pronto a cada 90″

A fabricante de veículos motorizados BYD voltou ao noticiário brasileiro, no final de 2019, na esteira do fechamento da operação da Ford em São Bernardo do Campo, em São Paulo.  A empresa chinesa é especulada como possível compradora da fábrica da Ford, informação não confirmada por nenhuma das partes envolvidas.

Um símbolo da organização dos trabalhadores brasileiros no final dos anos 70 e ícone da transição do regime militar para a democracia, São Bernardo do Campo pode mimetizar, mais uma vez, a mudança na história.  A confirmação da compra da planta da Ford pela BYD, poderá materializar a progressiva substituição de parceiros americanos por chineses nos negócios com o Brasil, bem como a transição gradual da energia fóssil pela elétrica.

Há algumas semanas, em Shenzhen, visitei a principal planta fabril da jovem companhia chinesa, fundada apenas em 1995, inicialmente como um fabricante de baterias para celulares e computadores. Na unidade de Pingshan, distrito de Shenzhen, um veículo elétrico é fabricado a cada 90 segundos, o que a torna a maior planta do tipo em todo o mundo.

Além da fábrica de Shenzhen, há outras 29 espalhadas pelo mundo, uma delas em Campinas, interior paulista, o que confere a BYD o título de maior fabricante mundial de veículos elétricos, fornecendo carros, tratores e caminhões para Ásia, Europa e América Latina.

Expansão global: em duas décadas, BYD chegou a todos os continentes

Na China, estima-se que entre 15% e 17% dos carros elétricos vendidos no país tenham a marca BYD, o que a coloca na liderança do mercado doméstico, o maior do mundo neste segmento, a frente de Estados Unidos e Japão, segundo e terceiro colocados na adoção de veículos limpos, respectivamente.

É um caso icônico no país o fato de toda a frota de ônibus e de táxis de Shenzhen, uma cidade com 20 milhões de habitantes, ser elétrica. O fato supera o mito de que, em grandes cidades, carros elétricos não possam se tornar dominantes, face as dificuldades de abastecimento e autonomia.  Um veículo BYD pode, em média, rodar 300 km com uma só carga. No caso dos ônibus, um engenhoso sistema permite que os veículos recarreguem as baterias nos poucos segundos em que ficam parados em cada ponto de ônibus, ampliando sua autonomia.

Bateria instalada no assoalho do veículo: 300 km de autonomia

A adoção de veículos elétricos, neste momento, não é mais incentivada por subsídios fiscais na China. Eventualmente, um carro a gasolina pode custar até mais em conta. No entanto, a tributação sobre o uso de veículo não-poluente é bem mais baixa, o que tem incentivado os usuários finais a migrarem da gasolina para eletricidade em metrópoles como Xangai e Beijing, além de Shenzhen, é claro.

Como parte do programa econômico que prevê que 70% das exportações chinesas sejam de produtos de alto valor agregado até 2025, é uma meta do país ser líder na fabricação de veículos elétricos em todo o mundo até a mesma data.

Já reconhecidos pela eficiência nos custos e, mais recentemente por sua qualidade, marcas globais chinesas ainda enfrentam alguma dificuldade em áreas como design e marketing, já que as centenárias grifes europeias ainda projetam glamour por trás de nomões como Lamborghini ou Ferrari.

Não à toa, em 2019, a BYD inaugurou seu centro de design, na China, sob liderança do alemão Wolfgang Josef Egge, que levou a Shenzhen criativos da Audi, Ferrari e Mercedes. Ao que tudo indica, cada vez mais carros serão chineses. No Brasil e no mundo.


Vídeo institucional mostra maior entrega de ônibus elétricos

Fotos: Felipe Zmoginski

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Leilão do 5G é causa real de Trump taxar alumínio do Brasil http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/leilao-do-5g-e-causa-real-de-trump-taxar-aluminio-do-brasil/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/leilao-do-5g-e-causa-real-de-trump-taxar-aluminio-do-brasil/#respond Wed, 11 Dec 2019 07:00:42 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=938

Bolsonaro fez muito por Trump, mas não fez o mais importante (Isac Nóbrega/PR)

Não era amor. Era cilada.  O hit do grupo de pagode Molejo musicou o tsunami de memes que fez troça com o presidente Jair Bolsonaro tão logo seu colega americano anunciou, via Twitter, sobretaxas ao alumínio brasileiro. Oficialmente, a justificativa é que o Brasil desvalorizou sua moeda ante o dólar. Nada mais falso.

Cercado por americanófilos como os ministros Paulo Guedes e Ernesto Araújo, Bolsonaro tem feito tudo o que pode para agradar aos Estados Unidos. Cedeu o uso da base de Alcântara, no Maranhão, isentou os americanos de visto de turismo (sem reciprocidade) e abdicou do status de “país em desenvolvimento” em negociações na Organização Mundial de Comércio.

O presidente brasileiro provavelmente deseje, sinceramente, um alinhamento com os Estados Unidos. Na política, como na vida, no entanto, desejar nem sempre é poder. Há um mês, quando a Petrobrás realizou o aguardado leilão de quatro áreas do pré-sal, nenhuma empresa estrangeira ofereceu seus dólares ao Brasil. Duas estatais chinesas, CNOOC e CNODC, salvaram o leilão do fiasco total.  Também em novembro, ao visitar o Brasil por conta de reunião dos Brics, o presidente chinês ofereceu US$ 100 bilhões em financiamento a partir de fundos estatais chineses para obras de infraestrutura no Brasil.

O ouro de Pequim, no entanto, tem seu preço. No encontro dos Brics, entre uma e outra xícara de chá, Bolsonaro foi lembrado de que a Huawei tem ótimas soluções 5G.  Ao que tudo indica, por mais que ame Trump, Bolsonaro não mais fará objeção à participação da Huawei como fornecedora de tecnologias 5G no Brasil.  Todos aqueles impropérios que Jair proferiu contra a China na campanha de 2018, bem, foram apenas retórica. Em um país com 13 milhões de desempregados e uma infraestrutura em clamorosa necessidade de investimentos, quem não voltaria atrás?

Tecnologias 5G chinesas são melhores e mais econômicas (Divulgação Huawei)

Como todos sabemos, em situação normal de competição, as soluções da Huawei para 5G são mais baratas e eficientes que as oferecidas por empresas americanas, como Cisco, ou europeias, como Nokia. Não à toa, a fabricante chinesa está no epicentro da guerra comercial entre China e Estados Unidos, já que liderar o mercado 5G garantirá uma vantagem estratégica na economia das próximas duas décadas.

Oficialmente, os Estados Unidos dizem que não compartilharão informações sensíveis com países que usem redes da Huawei, acusando-a, sem provas, de espionagem, ameaça que parece não ter surtido efeito sobre o Brasil. Então, Trump lançou mão de uma retaliação econômica, ainda não concretizada, avisando que vai taxar nosso alumínio.

O exportador de chapas metálicas, que não tem nada a ver com a disputa pelo controle do 5G, deve pagar a conta da briga sino-americana, já que o Brasil não tem como recuar em sua parceria com a China, economia da qual o mundo está se tornando dependente.

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Reconhecimento facial será obrigatório para usar smartphone na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/reconhecimento-facial-sera-obrigatorio-para-usar-smartphone-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/reconhecimento-facial-sera-obrigatorio-para-usar-smartphone-na-china/#respond Wed, 04 Dec 2019 07:00:30 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=929

Multidão é avaliada por algoritmo de reconhecimento facial (Wikimedia Commons)

Uma nova regulação, aprovada na China esta semana, exigirá que todos os usuários de telefonia móvel no país registrem sua biometria facial ao comprar um novo SIM card. A lei apenas formaliza o que já vinha acontecendo na prática, já que além de solicitar documentos pessoais, operadoras como China Mobile, China Telecom e Unicon já pediam que o usuário registrasse seu rosto em uma câmera.

O controle para identificar usuários de internet mobile tornou-se mais rigoroso nos últimos 4 anos. Até 2014, quando eu viajava para a China, era possível comprar um SIM card em bancas de jornal na rua. O vendedor fazia um cadastro falso em um sistema online e o chip começava a funcionar em minutos. Nos últimos anos, porém, a regulação baniu este tipo de venda e comprar um SIM card passou a exigir levar o passaporte (no caso de estrangeiros) ou o documento de identidade em uma operadora telefônica.

Em setembro deste ano, quando entrei na China, ao comprar um SIM card, além do passaporte, solicitaram a mim o registro de minha biometria facial. O atendente, além de te fotografar, faz pequenos vídeos e pede que você vire o rosto em múltiplas direções. Estrangeiros têm também sua biometria das mãos capturadas na imigração. É um ato obrigatório para entrar no país, assim como os Estados Unidos coletam os mesmos dados quando aplicamos para um visto americano.

Oficialmente, o departamento de telecomunicações da China informou que a medida é necessária para impedir fraudes online e ampliar a cibersegurança de empresas e pessoas que vivem na China.  A justificativa é verdadeira, mas não revela toda a verdade.

De fato, o uso de reconhecimento facial bem como outras formas de identificação online torna a internet chinesa um ambiente digital mais seguro. A mesma tecnologia tem sido efetiva para diminuir a criminalidade nas ruas, hoje entre as mais baixas do mundo, comparáveis a de países como a Suíça, com a diferença de que a China tem uma população muitíssimas vezes maior.

Usuário paga café por reconhecimento facial na rede Luckin Coffee (Divulgação)

Também é verdade, no entanto, que os fóruns de internet são, ainda, um dos poucos espaços de contestação ao governo chinês e suas políticas.  Em uma sociedade em que a mídia é controlada e espaços para debates públicos muito restritos, o anonimato em fóruns é um espaço possível para criticar o governo e falar de… política.  Acusações de corrupção e críticas ácidas são, de tempos em tempos, removidas do ar pelos sites que as hospedam e os autores investigados.

Certa vez, um amigo chinês comentou comigo que ele mesmo foi abordado por um agente do governo para explicar uma postagem controversa. “Eles te convidam para tomar chá e reforçam o que é permitido ou não fazer online. Evidentemente, reincidentes podem sofrer punições mais graves, como a prisão”, contou-me.

O uso de tecnologias de reconhecimento e vigilância é especialmente criticado na província de Xijiang, região em que os uigures, etnia asiática de religião muçulmana, são maioria. No passado, grupos desta etnia promoveram atentados em Pequim, reivindicando independência.

O uso para fins de repressão é potencial a qualquer nova tecnologia e os limites éticos da captação em massa de biometria facial é um debate acalorado no mundo todo. Empresas chinesas como ZTE, Dahua e China Telecom, por exemplo, são especialmente ativas junto a organismos internacionais, como as Nações Unidas, para criar um marco legal internacional para o uso de reconhecimento facial.

Na China, no entanto, as regras estão dadas e, basicamente, é impossível viver sem ceder imagens de seu rosto para órgãos públicos. Com os benefícios de segurança e conveniência advindos disso, bem como com os inegáveis riscos à privacidade e liberdade individual.

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Visitamos a WeDoctor, empresa chinesa que substitui médicos por algoritmos http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/inteligencia-artificial-atende-pacientes-e-poe-hospital-como-ultimo-recurso/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/inteligencia-artificial-atende-pacientes-e-poe-hospital-como-ultimo-recurso/#respond Wed, 27 Nov 2019 07:00:25 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=912

Sede da WeDoctor, em Hangzhou: tecnologia eleva produvidade dos médicos

Assegurar o acesso de pacientes a médicos e hospitais é uma tarefa que desafia governos e empresas privadas ao redor do mundo. Desde países como o Brasil, que oferecem um sistema único (e super lotado) de saúde pública até nações como os Estados Unidos, em que o custo do tratamento privado pode ser proibitivo para parcela da população, encontrar uma solução para que todos possam ter cuidados médicos é uma questão sem resposta satisfatória.

Na China, país em que a população supera 1,4 bilhão de pessoas, a missão torna-se ainda mais complicada. Há dois anos, porém, a WeDoctor, uma startup com sede em Hangzhou, cidade próxima a Xangai, se propôs a adicionar consultas virtuais e testes de sintomas por algoritmos para tentar equilibrar a demanda por serviços de saúde com a capacidade de clínicas e hospitais.

Avaliada em US$ 6 bilhões, a WeDoctor nasceu como um aplicativo de agendamento de consultas, como tantos outros que existem no mundo, e evoluiu para uma espécie de plano de saúde high-tech.  Para usar o WeDoctor, é preciso pagar uma mensalidade que é mais baixa que planos tradicionais, variando entre valores equivalentes a R$ 80 e R$ 150 por mês.  Bem menos do que você paga pelo seu plano no Brasil, aposto. A presença nacional do WeDoctor permite que eles atendam, potencialmente, quase um bilhão de pessoas.

Birch Bai diz que tecnologia permite WeDoctor cobrar mensalidades mais baixas (Foto: Felipe Zmoginski)

De acordo com Birch Bai, diretor de investimentos da WeDoctor, que me recebeu na sede da empresa, na China, o valor reduzido deve-se, entre outros fatores, à adição de tecnologia no atendimento.  Pessoas com mal-estar diversos, como dores de cabeça, enjoos, resfriados e quadros febris são atendidas, em primeira linha por um algoritmo, que avalia seus sintomas e realiza a triagem. Nesta etapa, é possível descartar quadros simples, que não exigem uma visita a um pronto-socorro.

Se o paciente quiser, no entanto, pode conversar com um especialista por vídeo-conferência ou dirigir-se a uma clínica de pronto atendimento… sem médicos! Nestas clínicas, um enfermeiro, cuja mão de obra é sensivelmente mais barata que a de um médico, afere pressão, examina a garganta e realiza outros tipos de testes, todos monitorados em tempo real por um médico remoto, que pode determinar se o paciente deve ir a uma consulta presencial ou não.

“Esta descentralização do sistema e o uso de consultas remotas permite deixar hospitais e clínicas menos lotados e reduzir a pressão sobre a infraestrutura de saúde, sem prejudicar o paciente. Na verdade, há até um ganho para o paciente, que pode consultar-se com rapidez com um especialista, ainda que este esteja do outro lado do país”, afirma Birch Bai.  A solução é especialmente eficaz para atender a população das pequenas cidades chinesas, que não contam com corpo médico especializado.

Estação para atendimento virtual: médico recebe dados em tempo real (Foto: Felipe Zmoginski)

Na China, país em que não existe sistema gratuito de saúde, soluções como as do WeDoctor estão incluindo centenas de milhões de pacientes no sistema de cuidados médicos. De acordo com Bai, o grande ganho que plataformas tecnológicas podem oferecer, no entanto, está na prevenção e na detecção precoce de enfermidades.

O fato de todos os dados do paciente estarem integrados em um único app permite que consultas preventivas e check-up regulares sejam controlados pelo app. O paciente que não realiza os exames de check-up pode ser penalizado com o aumento de custo de seu seguro. Na prática, a ideia é forçar os pacientes a terem um cuidado regular com sua saúde, evitando que doenças simples se agravem, o que é bom para o paciente e para o sistema de saúde, já que tratar doenças diagnosticadas em seu início é mais efetivo e (muito) menos custoso.

Os dados coletados também direcionam o disparo de conteúdos para os usuários da plataforma, como dicas de alimentação para pessoas com diabetes e cuidados especiais para cardíacos. “Se os pacientes tem a informação correta sobre sua saúde, podem prevenir muitas ocorrências médicas, o que também impacta na redução de custos para o sistema de saúde”, afirma Bai.

O uso de tecnologia se dá até na oferta de medicamentos, que podem ser retirados em totens de auto-atendimento, mesmo para medicações controladas, como mostra o vídeo abaixo.

Em todas as áreas, a ordem é reduzir custos para ampliar o acesso médico da população.

Naturalmente, as soluções da WeDoctor não são plenamente replicáveis fora da China, já que há poucas regiões no mundo com a mesma densidade demográfica e, sobretudo, em que a legislação local libera, por exemplo, consultas virtuais e processamento de dados médicos por algoritmos de inteligência artificial.  Na China, país em que o ambiente regulatório abraçou a inovação e a gigantesca população pressiona por soluções de massa para a saúde, no entanto, a WeDoctor é um fenômeno.

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China decidirá se celulares dobráveis serão sucesso ou modinha http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/smartphone-celular-dobravel-china-sucesso-mercado/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/smartphone-celular-dobravel-china-sucesso-mercado/#respond Wed, 20 Nov 2019 07:02:43 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=896

Huawei Mate X: tela flexível pode ser grande mudança ou só um fracasso (Sergio Perez/ Reuters)

Na hora de assistir a um filme, ler um relatório ou jogar, frequentemente preferimos um smartphone de tela grande. No momento de carregá-lo no bolso, no entanto, desejamos que seja o menor e o mais leve possível.

Uma alternativa há tempos sonhada pela indústria se materializou nas últimas semanas com a estreia de smartphones como Huawei Mate XGalaxy Fold. Como todo produto novo, é difícil saber de imediato se estamos diante de produtos disruptivos, que mudarão o futuro como fez o iPhone em 2007 ao investir em um dispositivo sem teclado físico, ou se essa será apenas uma modinha, que não criará uma nova tendência de consumo.

Maior mercado mobile do mundo, maior fabricante mundial de hardware e maior consumidor global de smartphones, a China exercerá um papel central para definir como os celulares com telas flexíveis serão lembrados no futuro.

Nesta semana, por exemplo, a Huawei anunciou que seu modelo dobrável Mate X, com tela de 6 polegadas (15,24 cm) quando fechado e 8 quando aberto (20,32 cm, equivalente a um iPad mini) teve as vendas esgotadas na China em menos de 24 horas. A fabricante afirma ser capaz de produzir 100 mil unidades do modelo dobrável por semana. A rival sul-coreana Samsung, que enfrenta dificuldades no mercado chinês para sobreviver à competição com fabricantes locais, como Xiaomi, Vivo e Oppo, viu seu modelo Galaxy Fold esgotar-se na China, tamanho o sucesso em vendas.

Tanto o aparelho da Huawei quanto da Samsung custam o equivalente a R$ 10 mil e R$ 8 mil, respectivamente, na China. Isto significa que, se importados para o Brasil, custariam possivelmente o dobro disso. Ou seja: vendem bem, apesar de caríssimos.

A informação é relevante pois, se o mercado interno chinês, que é apaixonado por telas grandes, abraçar os modelos fold, vai alavancar a escala de produção para as (atualmente) dispendiosas telas flexíveis. O que, no médio prazo, significa redução dos custos e, consequentemente, mais chances de os dobráveis se tornarem produtos economicamente viáveis.

A história da indústria tec é repleta de casos em que invenções longamente aguardadas quando se realizam não conquistam os consumidores, limitando-se a um fenômeno temporário. Este foi o caso da internet 3D (alguém lembra do Second Life?) ou dos dispositivos capazes de fazer (e executar) filmes em 3D, como as televisões.

A febre pelos dobráveis na China dá sinais de que as telas flexíveis têm chances de se popularizar por lá e, consequentemente, pelo mundo. Estudar o mercado chinês, mais uma vez, é uma forma eficaz de antever o nebuloso futuro da indústria tec. A conferir o que os chineses farão com seus gadgets de 8 polegadas dobráveis.

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“Dia dos solteiros”: como a Black Friday online chinesa supera a dos EUA http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/dia-dos-solteiros-como-a-black-friday-online-chinesa-supera-a-dos-eua/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/dia-dos-solteiros-como-a-black-friday-online-chinesa-supera-a-dos-eua/#respond Wed, 13 Nov 2019 07:00:17 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=890
Alibaba anuncia vendas de 100 bi de RMBs na 1ª hora de promoção

O “dia dos solteiros”, em 11 de novembro, é a data mais importante do e-commerce chinês e, em 2019, voltou a bater recordes, superando US$ 58,5 bilhões em vendas. Para efeito de comparação, ao longo de um ano inteiro, o e-commerce do Brasil vende US$ 14,5 bilhões, mais ou menos que a China vendeu nos primeiros 60 minutos deste dia dos solteiros.  O valor comercializado na China, no dia 11 de novembro, é maior também que a soma de Black Friday e Cyber Monday nos Estados Unidos, economia (bem) maior que a brasileira e (um pouco) maior que a Chinesa.

O gigantismo dos Singles Days, data inventada por Jack Ma, fundador do Alibaba, para promover as vendas online no país no fim dos anos 90, não é exatamente a grande notícia. O fato relevante é que, mais uma vez, as vendas foram (bem) maiores que no ano anterior, crescendo 30% (ano sobre ano).

No passado, este crescimento já foi de 40% ao ano, é verdade, mas uma expansão a taxas de 30% não é nada mal, sobretudo se observarmos o cenário de guerra comercial entre China e seu principal parceiro, os Estados Unidos. Havia muito temor de que, em 2019, os chineses fossem menos otimistas em relação ao futuro e comprassem menos, o que não aconteceu.

Social commerce

O líder em vendas, naturalmente, foi o Alibaba, que faturou US$ 38,4 bilhões sozinho, seguindo pela Jing Dong, tradicional número 2 do e-commerce chinês.  O ponto de atenção fica para a meteórica ascensão do Pingduo, uma startup que, segundo a consultoria Syntrun, foi o 3º maior vendedor do país na data.


Interface do Pingduo: misturar rede social e compras deu certo na China

O Pingduo é, na verdade, uma rede social em que pessoas compartilham o que compram online com os amigos, que recebem descontos se adquirirem itens referenciados por terceiros. O caso é um fenômeno estudado por executivos do mundo todo e que, recentemente, inspirou a Amazon a adicionar características sociais à sua plataforma, em um evidente caso de copy from china.

A enormidade do Singles Day na China pode ser explicada por múltiplos fatores e todos eles colocam o país asiático em uma posição em que não cabe comparações com outros mercados do mundo. São pontos favoráveis à China, por exemplo, a infraestrutura excelente do país, que assegura entregas rápidas e o estilo de vida mega-plus-ultra-blaster ocupado dos chineses, que trabalham looongas jornadas. Tudo o que puder ser resolvido online, melhor.

Além disso, algumas ofertas são, na verdade, a compra de cupons válidos para uso o ano todo, como créditos para pedir entregas de comida, por exemplo. Ou seja, não é que, em um único dia, vendeu-se 10 bilhões de refeições, mas sim que comprou-se cupons para tantas refeições, que serão consumidas ao longo do tempo.

Na China, serviços de saúde, vacinas, tratamentos odontológicos e até cirurgias plásticas não obedecem às mesmas regras de regulação que no Brasil ou nos Estados Unidos. Muitos consumidores, por exemplo, aguardam estas promoções para comprarem vacinas antecipadas para seus filhos (não existe SUS nem saúde gratuita na China, ok?) ou mesmo créditos para tratar dentes quebrados ou amarelados demais.

Sim, cirurgias plásticas como aumento dos seios, ampliação do tamanho das pálpebras e mágicos tratamentos para “clarear” a pele (a palidez é um critério de beleza, especialmente para mulheres) também são vendidas em promoção.

Aliás, nada mais coerente que comprar um tratamento estético no… dia dos solteiros, não?

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