Copy from China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas. Wed, 25 Mar 2020 18:16:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Após demissões em massa, China usa superapps para empregar todo mundo http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/apos-demissoes-em-massa-china-usa-superapps-para-recolocar-desempregados/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/apos-demissoes-em-massa-china-usa-superapps-para-recolocar-desempregados/#respond Wed, 25 Mar 2020 07:00:07 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1106

Formatura na Universidade de Pequim: falta emprego para os jovens (Reprodução/ Beiijing Daxue)

A epidemia de covid-19, que varreu a China de janeiro a março, deixou, além do trágico saldo de 3,2 mil mortos, um exército de pessoas desempregadas. De acordo com Pequim, 5 milhões de pessoas perderam seus empregos no período, vítimas do brutal desaquecimento econômico causado pelo bloqueio de cidades inteiras.

Apesar de o país sair da quarentena forçada, as tradicionais feiras de empregos ainda são proibidas no país, que segue cauteloso com aglomerações. Para contornar esta restrição e auxiliar empresas que precisam recontratar mão de obra, os “superapps” chineses estão organizando “feiras virtuais” para conectar quem procura trabalho com empregadores que necessitam de suas habilidades.

“Superapp” é um nome dado para aplicativos que concentram inúmeras funções, um fenômeno típico da internet chinesa. São “superapps”, por exemplo, o meio de pagamento Alipay, o comunicador WeChat e o serviço de compras online Meituan. Neles, é possível além de executar as funções para as quais foram originalmente projetados– como pagar, conversar e comprar–, realizar uma miríade de serviços, como  pedir um táxi, reservar mesa em restaurante, comprar bilhetes de trem, fazer supermercado e até, bem, procurar uma namorada! Ou namorado, claro.

Agora, estes aplicativos ganharam mais uma funcionalidade: conectar desempregados com empresas. O serviço Alipay, por exemplo, informou que 1,64 milhão de chineses conseguiram emprego por meio de sua plataforma desde o início do ano.

Inicialmente, as vagas mais preenchidas foram desenvolvedores de programas, motoristas de delivery e profissionais de atendimento on-line, funções em alta nos meses de quarentena. O serviço de vagas criado pela Alipay usa inteligência artificial para encontrar perfis adequados para vagas abertas e conectá-los com entrevistadores por meio virtual, sem a necessidade de contado físico.

Embora esta seja uma função recente, a plataforma Alipay já conta com 60 mil empresas cadastradas e 100 mil posições de trabalho abertas. Entre as empresas inscritas, estão grandes companhias, como a fabricante de eletrônicos Haier, a seguradora Ping An, o fabricante de aparelhos Gree e o próprio grupo Alibaba, controlador do app Alipay. A feira virtual com conexões para videoconferência vai durar até o final de junho.

Com a economia parcialmente paralisada por dois meses, fábricas e escritórios continuam a enxugar seus quadros para enfrentar a alta dos custos e queda da demanda. Dados da primeira quinzena de março do ministério do Comércio da China relatam que, até agora, 40% das empresas de serviço ainda não voltaram a operar completamente.

Isso ocorre porque os eventos públicos foram cancelados pela epidemia de covid-19. Trata-se de situação preocupante, pois a nova safra de recém-formados está competindo por vagas praticamente inexistentes com aqueles que foram demitidos em função do surto.

Na situação atual de crise, prevê o governo chinês, milhões de jovens ficarão sem trabalho. O ministério da Educação da China estima que o total de recém-formados em 2020 chegará a 8,74 milhões, aumento de 400 mil em relação ao ano passado.

Para amenizar essa carência de trabalho, Zhang Yanan, gerente-geral da divisão de negócios da Alipay Education, afirma que a plataforma tem seções especiais dentro da feira de empregos para os graduados da universidade de Hubei, situação onde a quebradeira de empresas foi maior, e também às pequenas e médias empresas.

Em fevereiro, o desemprego na China atingiu a sua máxima histórica. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a taxa de desemprego urbano aumentou de 5,3% em janeiro para 6,2% em fevereiro, a maior taxa desde que o índice foi criado, nos anos 80.

É claro que, além de oferecer um serviço de utilidade pública, a Alipay também tem razões econômicas. A empresa quer ganhar a preferência dos chineses no mercado de serviços, segmento em que ainda está atrás de seus principais competidores, Meituan e WeChat.

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Crise gerada pela epidemia permitiu à China criar “economia do isolamento” http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/19/crise-gerada-pela-epidemia-permitiu-a-china-criar-economia-do-isolamento/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/19/crise-gerada-pela-epidemia-permitiu-a-china-criar-economia-do-isolamento/#respond Thu, 19 Mar 2020 07:00:06 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1095

Carro autônomo do grupo Jing Dong faz entrega de comida (JD Press/Divulgação)

O sapo não pula por boniteza, mas por precisão. O ditado que ganhou fama ao ser registrado por Guimarães Rosa no conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”, é simbólica de como, na dificuldade, nos reinventamos.

A radical (e eficiente) resposta chinesa à epidemia de coronavírus em seu país impôs às empresas e trabalhadores a “precisão” de inventarem novas formas de fazer negócios dispensando contato físico e deslocamento de pessoas. Incrivelmente, deu certo.

Estudo publicado, no início deste mês, pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, avaliou 80 empresas chinesas que adotaram home office para todas as funções de trabalho, ao longo do mês de fevereiro. O resultado apontado foi a alta de 15,2% na produtividade dos colaboradores.

Plataformas de colaboração como DingTalk, do Alibaba, e Meeting, da Tencent, viram o número de usuários diários ativos saltar de 60 milhões de pessoas para 700 milhões. Chefes resistentes ao teletrabalho e desconfiados do que fariam seus subordinamos longe de seus olhos foram obrigados a testar o modelo de “isolamento” e, ao final, tiveram de dar o braço a torcer: trabalhar remoto funciona, sim, e muito bem.

Naturalmente, o ambiente de crise exige lideranças flexíveis e que saibam dar conta de gerenciar sua equipe a distância. O marketplace de comércio eletrônico Weimob, por exemplo, viu um de seus funcionários deletar os dados de 3 milhões de clientes, impedindo milhares de pedidos de serem entregues. O motivo? O gestor do banco de dados entrou em surto psicótico ao ficar isolado tempo demais em casa. A falta de atenção (e protocolos de proteção de dados) com um colaborador crítico terminou em gravíssimo prejuízo para a empresa.

A crise de isolamento forçou também o governo central da China a flexibilizar regras para uso de veículos autônomos. Empresas com tecnologia para explorar o delivery autônomo, enfim, receberam a sonhada autorização para colocar seus carros nas ruas. Jing Dong, Baidu, Alibaba e Meituan colocaram seus carrinhos para entregar remédios, comida e outros itens a venda online nas maiores cidades do país. O resultado: entregas contactless com mínima chance de transmitir vírus.

Até o varejo offline adaptou-se aos novos tempos, digitalizando seus promotores de vendas. Redes de supermercado e lojas de roupas colocaram seus vendedores para fazer live streaming de demonstração de produtos com a promessa de entregar as vendas na casa dos consumidores. Tudo da forma mais “contactless” possível.

Os resultados, do ponto de vista econômico, não são exatamente auspiciosos, já que a economia chinesa encolheu (com força) nos dois primeiros meses do ano.  Mas as medidas permitiram às empresas gerar algum fluxo de caixa para sobreviverem à crise.

Espera-se ainda para março que o governo chinês anuncie, após mais alguns dias sem novas infecções de covid-19, que venceu a guerra contra a epidemia. Com o anúncio, um generoso pacote de medidas anticíclicas buscará recuperar o tempo perdido e reaquecer a economia.

As inovações tecnológicas realizadas no período da epidemia, no entanto, permanecerão, fortalecendo a posição das empresas que apostaram na adição de soluções tech e criativas no momento mais difícil da história recente da China.

Abaixo, vídeo da agência chinesa Xinhua registrando entregas de carro autônomo em período anterior à epidemia.

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Vão faltar gadgets? Qual é o cenário na China para normalizar a produção http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/11/vao-faltar-gadgets-qual-e-o-cenario-na-china-para-a-retomada-da-producao/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/11/vao-faltar-gadgets-qual-e-o-cenario-na-china-para-a-retomada-da-producao/#respond Wed, 11 Mar 2020 07:00:24 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1080

Apenas em Shenzhen, no sul da China, são produzidos 90% de todos os gadgets vendidos no mundo. PIRO4D/ Pixabay

Álcool em gel, papel higiênico e máscaras respiratórias são itens escassos em muitos supermercados do mundo. Boa parte do pânico que atingiu os mercados no início desta semana deve-se à incerteza de que faltem, também, itens industriais na cadeia de suprimentos global, paralisando múltiplas áreas da economia, entre elas, a produção e venda de eletrônicos

Em meio à grave infodemia (epidemia de dados errados), este blog consultou fontes oficiais na China para compreender o que é risco real (e o que é fantasia)  na evolução do caso coronavírus, que teve seu epicentro no maior polo industrial do mundo, a China.

Novas infecções caíram dramaticamente

Relatório da Comissão Nacional de Saúde (o equivalente ao ministério da Saúde da China) reporta que novas infecções diárias caíram a índices mínimos desde o início da epidemia. Nos primeiros dias de março, por exemplo, os “novos” casos não chegam a 19 por dia, com exceção de Hubei. Quando se contabiliza a província mais comprometida, os números diários são de 143 novos doentes/dia… e caindo. Veja no gráfico abaixo a forte queda. No total, 80.552 pessoas já foram testadas positivas para a doença.

Linha laranja mostra declínio abrupto de casos de novas infecções. Fonte: CNS

Temor de que a China imponha quarentena a estrangeiros

Esta semana, a província de Gansu, no norte do país, registrou 11 novos pacientes de covid-19. Todos vieram de fora da China, em voo comercial do Irã. Trata-se de estudantes chineses que se infectaram no Oriente Médio e trouxeram para casa o vírus. Se a China superar sua crise, como, de fato, está fazendo, e novos doentes vierem do exterior, é possível que o país imponha quarentena a quem venha de fora, uma péssima notícia para as empresas que desejam retomar os negócios com o país.
Atualização: a China confirmou que aplicará isolamento de 14 dias a estrangeiros que cheguem  ao país.

Especialistas creem em infecção zero já em março

Cientistas locais como Zhang Boli, diretor da Comissão Nacional de Saúde, estimam que seja possível declarar “zero novas infecções diárias” até mesmo na problemática Hubei, ainda no mês de março.  A projeção é baseada no fato de os números caírem dia a dia e 100 novas infecções diárias em uma população de 1,4 bilhão de pessoas.

Fábricas foram divididas em zonas 1, 2 e 3

Empresas do setor de serviços têm voltado, paulatinamente, a trabalhar presencialmente, embora sem organizar eventos ou reuniões.

Estima-se que 30% dos escritórios já funcionem com sua mão de obra in loco.  Já as fábricas que não têm a possibilidade de funcionar com mão de obra remota foram divididas em áreas 1,2 e 3.  Nas classificadas como 1, é permitido o trabalho, normalmente, com regras básicas de segurança, tais como uso de máscaras, luvas e pausas para desinfecção. Nas fábricas nível 2, os cuidados são mais restritos.

Neste momento, o mais difícil tem sido assegurar transporte para os operários chegarem às fábricas e, mais do que isso, após semanas de pânico e más notícias, convencer a mão de obra que é seguro ir ao trabalho.

As zonas 3, bem, nestas… o trabalho é proibido.

China se recupera, mas Coreia do Sul piora

Embora ninguém seja capaz de prever com exatidão quando as fábricas chinesas estarão operando a 100% de sua capacidade, é razoável estimar que ainda em março seja possível normalizar a produção e o embarque de componentes e produtos acabados no país.

A má notícia é que a situação na Coreia do Sul, onde são fabricados grande parte dos painéis de LED usado em integradoras chinesas, está piorando. Particularmente para o mercado de telas, a crise pode ser mais grave.

Um resumo honesto é que a indústria de eletrônicos deve sofrer, sim, desabastecimento e crise neste mês de março e voltar a normalizar-se a partir de abril. Para a maior parte dos especialistas, o pior da crise ficou para trás, ainda que haja rescaldo (e incerteza) pela frente.

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Covid-19: na China, sensação é de que crise na produção está próxima do fim http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/04/dados-do-mundo-digital-mostram-a-volta-cautelosa-a-vida-normal-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/03/04/dados-do-mundo-digital-mostram-a-volta-cautelosa-a-vida-normal-na-china/#respond Wed, 04 Mar 2020 07:00:37 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1068

Um terço dos chineses já voltou ao trabalho: cautela substitui pânico inicial (EPA)

O surto de covid-19 tem causado temor em muitos países, especialmente Coreia do Sul, Itália e Irã, onde o número de infectados tem crescido. A Itália, aliás, foi o território onde os dois únicos brasileiros infectados até o momento se contaminaram.

Na China, no entanto, a situação é progressivamente melhor, ainda que a situação esteja distante de uma vida “normal”.  Em Pequim, por exemplo, de acordo com o Baidu Index, um dos serviços digitais de contagem de casos de infecção, há hoje 198 pacientes infectados de forma confirmada. Na cidade de Xangai, onde vivem mais de 24 milhões de pessoas, há 65 pacientes com esse status. Há três semanas, o número em Xangai era de 336 casos positivos para covid-19.

Os registros diários de novas infecções em províncias fora de Hubei, centro da crise, variam entre 1,0 e eventualmente 2, mostrando que após um início errático a resposta draconiana das autoridades chinesas teve espantoso sucesso.  Se considerarmos que este é o país com os centros urbanos de maior densidade demográfica do mundo, a resposta chinesa é incrivelmente eficaz, ainda que tenha tido elevadíssimo custo humanitário, como isolar milhões de pessoas em quarentena.

Indicadores mostram confiança

Para a indústria de tecnologia, tema deste blog, é relevante saber se as fábricas chinesas, que fabricam ou integram 90% dos gadgets vendidos no mundo, já voltaram a produzir. A resposta é sim, porém, parcialmente. De acordo com Índice de Migração Baidu, um terço dos trabalhadores já está de volta às fábricas e escritórios em grandes centros, como Xangai, Shenzhen e Pequim.

Atualmente, o governo chinês divide as zonas fabris em três áreas: alto, médio e baixo risco. Nas de baixo risco, é possível ir trabalhar normalmente. Nas de médio, é autorizado o trabalho, desde que seguido rigoroso protocolo. A sensação de que a crise está aproximando-se de seu fim, ao menos em termos produtivos, é o fato de as ações da Apple subirem 9% nesta semana, negociadas na Nasdaq, e os papéis da Toyota se valorizarem 1% em Nova York.

Ambos os movimentos são explicados pelo fato de estas marcas não-chinesas terem voltado a produzir na China. Para muitos especialistas in loco, a principal dificuldade das fábricas nem é mais a regulação do governo, mas fazer seus colaboradores compreenderem que não há risco em ir ao trabalho e assegurar transporte para eles, uma vez que o transporte público segue funcionando em ritmo subnormal, a fim de evitar lotações.

É um indicador de confiança da população local o fato de plataformas de viagens, como a Fliggy, do grupo Alibaba, registrar alta de 70% na emissão por passagens aéreas e elevação de 40% na compra de bilhetes de trem-bala.

Segundo comunicado do serviço Fliggy, os atuais números refletem o interesse de muitos chineses em deixar suas cidades-natal, para onde foram passar o ano-novo, e voltar ao trabalho nas grandes metrópoles. São dezenas de milhões de chineses que retomam a vida e os afazeres diários, encorajados pelos primeiros sinais consistentes de estabilização do covid-19.

Já a plataforma Elong, uma das concorrentes do Fliggy, registra que a busca por passagens, estadias e ingressos para as festividades do Dia do Qingming, um feriado nacional, aumentou 138% na última semana de fevereiro.  Essa tradicional comemoração que acontece em 4 de abril é uma espécie de “Dia de Finados”, quando os chineses cultuam os seus mortos. Para outra importante data comemorativa, o Dia do Trabalho (1º de maio), o volume de consultas subiu 84%, de acordo com a plataforma. Ambos os números mostram o interesse dos chineses em voltar a passear e tocar suas vidas.

Dados de e-commerce também apontam um sinal positivo. Pela primeira vez em muitas semanas, os itens mais vendidos são produtos tradicionais, como cosméticos, roupas e eletrônicos… e não mais equipamentos de proteção.

A resposta objetiva é que a China ainda tem um caminho a percorrer para retomar sua normalidade, mas todos os indicadores apontam para uma melhora consistente, bem diferente das imagens que recebemos nos grupos de WhatsApp.

O vídeo abaixo, em inglês, relata, por repórteres chineses, o momento mais difícil da crise, o primeiro mês em que a cidade de Wuhan, capital de Hubei, esteve isolada, em quarentena.

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Chineses podem ganhar 4 vezes mais para tirar atraso na produção de iPhones http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/26/chineses-podem-ganhar-4-vezes-mais-para-tirar-atraso-na-producao-de-iphone/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/26/chineses-podem-ganhar-4-vezes-mais-para-tirar-atraso-na-producao-de-iphone/#respond Wed, 26 Feb 2020 07:00:30 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1058

Linha de produção da Foxconn, a principal montadora dos produtos da Apple (Steve Juvertson/Wikimedia Commons)

Após quase um mês (25 dias, para ser exato) sem funcionar em função do surto de coronavírus, as fábricas da Foxconn estão oferecendo bônus de até quatro vezes o salário de um operador de máquinas para dar conta da produção de iPhones na China.

Maior integradora de eletrônicos do mundo, a empresa fundada em Taiwan e com fábricas em mais de 30 países (inclusive no Brasil) é a principal montadora dos produtos da Apple que abastecessem Apple Stores na China, nos Estados Unidos e na Europa. Apesar da presença global, a maior parte da produção de gadgets da Apple se concentra na China, onde a produtividade é maior e o custo, por unidade fabricada, menor.

Desde o feriado de ano-novo chinês, no entanto, as plantas fabris da empresa em Zhengzhou e Shenzhen estiveram fechadas, como forma de contribuir para o controle da crise de saúde no país. Desde a segunda-feira (24 de fevereiro), porém, as fábricas estão sendo autorizadas a operar em diversas cidades do país, uma vez que o número de casos de infecção pelo novo vírus vem caindo aceleradamente.

Em Zhengzhou, interior norte do país, não só os trabalhadores regulares foram convocados, mas novas vagas abertas. Um operário ganha, em média 5.000 RMB ou o equivalente a R$ 3 mil. Iniciantes podem ganhar apenas  1750 RMBs ou algo como R$ 900 pelo mês de trabalho. Nesta fase em que é necessário recuperar o tempo perdido, porém, a empresa está oferecendo bônus de até quatro vezes o rendimento mensal do trabalhador, para que volte a seu posto.

A permissão para as fábricas operarem, no entanto, dependem do cumprimento de uma série de medidas profiláticas, como o fornecimento de máscaras para proteção respiratória, critérios redobrados de higiene pessoal e desinfecção de áreas comuns a cada troca de turno. Tais medidas podem ser cumpridas por grandes fábricas, como a Foxconn, mas representam um obstáculo para pequenos e médios fabricantes que possuem menor margem de lucro para absorver os novos custos impostos pela crise de saúde. Em algumas cidades, por exemplo, o governo autoriza o funcionamento de fábricas, mas exige que as empresas ofereçam ônibus próprios para transportar seus operários ou adotem horários alternativos, evitando a lotação do transporte público convencional, que poderia ser um vetor de transmissão do coronavírus.

Oficialmente, a Foxconn não confirma as informações publicadas por seus funcionários, nos fóruns de internet chineses, de que bônus especiais estão sendo pagos para quem voltem ao trabalho. “Não comentamos nossa política de remuneração e asseguramos que, onde voltamos a operar, estamos cumprindo com rigor todas as determinações exigidas pelas autoridades locais”, diz a empresa, em nota à imprensa.

Em outra nota, desta vez voltada para seus investidores, a Foxconn afirma que suas fábricas na Índia e México trabalham com ocupação máxima para dar conta da demanda global por iPhones, mas admite que terá “perdas significativas” em seus resultados financeiros da primeira metade de 2020.

Mesmo na China, onde voltou a operar, a empresa deve exigir sacrifícios adicionais de seus colaboradores. De acordo com muitos funcionários, os bônus que podem chegar até a quatro vezes seus salários estão condicionados a cumprirem metas agressivas pelos próximos 60 e 90 dias. Ao que tudo indica, a quarentena que muitos chineses viveram dentro de suas casas durante as últimas semanas será substituída por um novo tipo de quarentena, agora dentro das fábricas, para recuperar a produção perdida.

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Com milhões em casa, China vive o maior teste de trabalho remoto do mundo http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/19/com-milhoes-em-casa-china-vive-o-maior-teste-de-trabalho-remoto-do-mundo/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/19/com-milhoes-em-casa-china-vive-o-maior-teste-de-trabalho-remoto-do-mundo/#respond Wed, 19 Feb 2020 07:00:16 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1045
Trabalhar de casa: menos tempo perdido no trânsito e mais produtividade

A crise de COVID-19, que isolou parte dos chineses em suas casas nas últimas semanas, também criou a maior experiência de trabalho remoto do mundo. Em fevereiro, quando os chineses voltaram ao trabalho depois do ano-novo lunar, a demanda por serviços de videoconferência e de plataformas de trabalho remoto cresceu em ritmo inédito na história.

O tráfego das plataformas de trabalho mais populares da China, como o DingTalk (do grupo Alibaba), o WeChat Work e o Tencent Meeting, serviços de mensagens e videoconferência da Tencent, registrou expansão, média, de 1000%.  Com o DingTalk, os usuários podem criar grupos de bate-papo em equipe, ver gráficos organizacionais e fazer videoconferência. O app também registra quantas horas cada usuário permaneceu online, uma forma de controlar a execução da jornada de trabalho.

No dia 4 de fevereiro, a DingTalk revelou que o seu tráfego de videoconferência atingiu o pico histórico logo às 9 da manhã, com mais de 200 milhões de usuários se comunicando remotamente. Além de empresas, escolas também estão usando os aplicativos. O recurso de transmissão ao vivo, por exemplo, foi usado por 50 milhões de alunos e 600 mil professores para aulas online apenas na primeira semana de fevereiro.

Para efeito de comparação, antes da epidemia, o WeChat Work registrava aproximadamente 60 milhões de usuários ativos por dia, vinculados a 2,5 milhões de empresas. No final de janeiro, a Tencent começou a expandir sua estrutura de cloud computing para atender a uma demanda que, de fato, atingiu 600 milhões de usuários ao dia, ao longo de fevereiro.

Desde o dia 10, período em que os profissionais retornaram do feriado, a procura pelo WeChat Work aumentou dez vezes, informou a Tencent. O serviço foi turbinado não só por empresas, mas escolas e outras instituições.

Não foram só as duas grandes plataformas chinesas que cresceram. O Lark, serviço colaborativo da ByteDance, tem sido muito baixado pelo público mais jovem. Detalhe: com essa ferramenta, a ByteDance se consolida rapidamente como um dos unicórnios que vem ganhando projeção além das fronteiras chinesas.

A empresa criou a rede social TikTok, que reúne 1,2 bilhão de usuários em torno do compartilhamento de vídeos divertidos e foi o terceiro app mais baixado do mundo, perdendo apenas para o WhatsApp e o Messenger, ambos do Facebook.

Oportunidade escondida? – Assim como no mundo, o teletrabalho ainda é pouco comum na China. Isso porque, tradicionalmente, existem resistências corporativas ao trabalho remoto que estão relacionadas à perda de controle e supervisão organizacional.

Por outro lado, o volume recorde de trabalho em casa na China não vem de um privilégio, mas uma necessidade. Mesmo assim, a cultura de trabalho remoto tem registrado ganhos de produtividade em diversas áreas, o que vai levar muitas empresas a refletir mais sobre como engajar os trabalhadores.

Um exemplo vem de uma pesquisa da Universidade de Stanford. Estudando o impacto do trabalho remoto em profissionais de atendimento de uma agência chinesa de viagens, a Ctrip, a universidade revelou um aumento de 13% no desempenho.

Ganhos que foram possibilitados pelas tecnologias digitais, mas também por mudanças na cultura organizacional. O trabalho remoto nunca vai substituir todas as funções corporativas presenciais, mas em contextos específicos o aumento de produtividade é evidente. De qualquer forma, a experiência chinesa serve para testar o trabalho remoto em grande escala e estudar novas oportunidades de negócio.

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E-commerce elimina atravessadores e muda produção rural na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/13/do-campo-ao-site-e-commerce-faz-produtor-rural-vender-direto-ao-consumidor/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/13/do-campo-ao-site-e-commerce-faz-produtor-rural-vender-direto-ao-consumidor/#respond Thu, 13 Feb 2020 07:00:30 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1032

Produtora de milho, no Sul da China: apps permitem vender colheira direto para consumidor es finais, nas cidades. Crédito da foto: Matt Briney/Unsplash

A primeira sociedade “cashless” do mundo, a China é também, com larga vantagem, o maior mercado mundial para compras online. De acordo com estudo da Research and Markets, em 2019, 49% dos pedidos online feitos em todo o planeta foram registrados na China.

Produtos de moda, eletroeletrônicos e itens de beleza são, sabidamente, os mais vendidos por esta plataforma, não só na China, mas em todo o planeta. O fator novo, neste ultracompetitivo mercado, é a disputa que os grandes players de comércio eletrônico na China estão travando pelos corações e mentes dos produtores rurais, que passaram a vender sua produção diretamente para supermercados ou consumidores finais por plataformas online.

Apenas uma plataforma de vendas online, o Pinduoduo, registrou vendas de US$ 9,3 bilhões em 2019, de produtos hortifruti oferecidos por camponeses às cidades chinesas via sua plataforma.

O método é uma pequena revolução para produtores familiares que, antes, vendiam sua colheita para atravessadores, que as revendiam a centros de distribuição, que as comercializavam com supermercados onde, enfim, o consumidor final adquiria os grãos, legumes e hortaliças.

A venda direta do produtor para o consumidor final (ou para supermercados nas cidades), no entanto, impõe vários desafios, além dos logísticos. Em comunidades remotas, os produtos são altamente perecíveis, pouco padronizados e cultivados em pequena escala. Atravessadores, embora tomassem para si boa parte do lucro, assumiam parte dos riscos de revenda e se responsabilizavam por organizar as entregas na cidade.

Drone adaptado para automação agrícola faz aspersão de fertilizante em cultivo na China (Divulgação XAG)

Agora, produtores podem obter maior renda, mas precisam se qualificar para cumprir tarefas antes executadas por terceiros.  São novas habilidades requeridas do produtor chinês: criar marcas para seus produtos, organizar a logística de distribuição, estabelecer padrões de qualidade para venda de sua produção e desenvolver métodos cooperativados que assegurem oferta perene de produtos nas plataformas eletrônicas.

A entrada nas vendas online acompanha uma série de transformações tecnológicas que tem impactado a vida no campo chinês, que registra o maior êxodo rural da história. Estima-se que só nas últimas três décadas, 400 milhões de pessoas tenham deixado o campo para viver nas novas grandes cidades, como Shenzhen.

Para dar conta de produzir mais comida para as cidades com menos gente no campo soluções inventivas como a automação de tarefas agrícolas, como semeadura e fertilização feita por robôs e colheita feita por drones, têm recebido forte investimento, como é o caso da XAG, startup de robôs e drones para trabalho no campo, com sede em Guangzhou, que já vale US$ 4,2 bilhões.

É indiscutível que a chegada de grandes empresas nas regiões mais afastadas dos grandes centros tem ajudado a aumentar a renda dos agricultores. O modelo de negócios nas comunidades rurais está mudando e o desafio dos produtores locais é conseguir se adaptar rapidamente e absorver uma nova cultura de negócios.

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Como as techs ajudam a reduzir o impacto econômico do coronavírus na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/06/como-as-techs-ajudam-a-reduzir-o-impacto-economico-do-coronavirus-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/02/06/como-as-techs-ajudam-a-reduzir-o-impacto-economico-do-coronavirus-na-china/#respond Thu, 06 Feb 2020 07:00:14 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1022

Professora americana dá aulas de inglês a distância pelo VIPKid (Divulgação/ VIPKid)

As bolsas de Xangai e Shenzhen voltaram a operar, esta semana, após o longo feriado de ano-novo. Como era de se esperar, desabaram, com quedas para além de 7%. O motivo do recuo é óbvio: o temor dos agentes econômicos com o desdobramento da crise causada pelo coronavírus.

Há quase duas décadas, em 2002, quando eclodiu a epidemia de Sars, os efeitos foram os mesmos: pânico nas ruas e nas bolsas, seguida de desaceleração no sempre fulguroso crescimento chinês.  Na época, os grandes beneficiários do episódio foram as empresas tech, que cresceram e ajudaram a economia local a se manter aquecida.

Uma das estelas do biênio 02-03, foi o Alibaba, plataforma de e-commerce que despontava como líder na China. O temor da Sars fez com que milhões de chineses ainda desconfiados de ceder seus dados de pagamento para serviços de comércio eletrônico, embarcassem nas compras online, a fim de evitar o risco de ir às ruas… e contrair gripe aviária.

A cultura de comprometimento dos colaboradores do Alibaba fez a diferença no momento de dificuldade e muitos funcionários embalavam e despachavam pedidos de casa, já que havia restrições para ir à sede da empresa.  Meses depois, a Sars foi embora mas a comodidade de comprar on-line ganhou as mentes e corações dos chineses.

Neste momento, em que a crise do coronavírus assola a economia tradicional chinesa, players de tecnologia ganham mercado, com soluções que contornam as limitações de movimentação dentro do país. Gigantes como Pingan, Alibaba e Jing Dong, por exemplo, apresentaram alta na contratação de seguros de saúde online que, entre outras soluções, permitem consultas médicas virtuais e análises de exames feitas por inteligência artificial. Em um momento em que os médicos estão super ocupados e é arriscado viajar de um ponto a outro, as soluções health-tech são providenciais.

Médicos orientam cirurgia a distância, em Pequim (Reprodução/YouTube)

Fenômeno similar ocorre com as empresas de entretenimento e educação a distância. Afinal, ficar fechado em sala de aula ou em um teatro com outras dezenas de pessoas não é a melhor maneira de proteger-se contra um vírus respiratório.  Startups como a VIPKid, plataforma de ensino a distância, registrou alta de 33% nas vendas de cursos a distância para crianças. Muitos pais não querem prolongar demais as férias de seus filhos, mas não concebem enviá-los às escolas. O mesmo vale para serviços de streaming e lançamento de filmes. Empresas como ByteDance e Tencent anteciparam lançamentos previstos só para o meio do ano, a fim de aproveitar o tempo ocioso das pessoas isoladas em suas casas.

Mais do que crescerem, as empresas de tecnologia estão permitindo às autoridades sanitárias avançar mais rapidamente no combate à epidemia que no passado recente.  O serviço de AI do Baidu, por exemplo, mapeou o RNA do novo vírus, bem como ferramentas do Alibaba estão sendo usadas para mapear os deslocamentos pregressos de pacientes que testaram positivo para o novo vírus. Assim, é possível testar também pessoas que eventualmente tiveram contato com eles.

Todas estas tecnologias não existiam, da forma como as conhecemos, na época da Sars, o que desenha um cenário otimista para a superação da atual crise.

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Qual é o segredo da China para ser capaz de erguer um hospital em 6 dias? http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/30/qual-e-o-segredo-da-china-para-ser-capaz-de-erguer-um-hospital-em-6-dias/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/30/qual-e-o-segredo-da-china-para-ser-capaz-de-erguer-um-hospital-em-6-dias/#respond Thu, 30 Jan 2020 07:00:48 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1001

Obras de hospital acontecem em tempo recorde (Reprodução)

As notícias de que a China construirá um hospital com mil leitos em apenas seis dias, na cidade de Wuhan, epicentro da crise causada pelo coronavírus, causaram espanto e comoção em todo o mundo. Afinal, como é possível erguer uma obra deste porte tão rapidamente? Há até um link com transmissão das obras em tempo real.

O hospital, que deve ser inaugurado já no próximo final de semana, entre os dias 1 e 2 de fevereiro, é um símbolo de como aquele país contorna obstáculos técnicos e burocráticos, avançando velozmente em direção a seus objetivos. No caso, assegurar tratamento a todos os doentes de Wuhan, sem precisar trasladá-los para outras localidades, o que elevaria o risco de transportar o coronavírus a novas províncias.

Apesar de o direito à propriedade privada ter se tornado comum após as reformas dos anos 80, a propriedade dos terrenos onde se constroem casas, fábricas ou se instalam fazendas é sempre pública, do povo da China. Ou do governo, se preferir ler assim.  Esta é a razão legal que permite ao poder público deslocar pessoas e ocupar espaços muito rapidamente, apenas pagando indenizações por “bem-feitorias” ou, basicamente, construções feitas em terras que, em última análise, são públicas.  Por isso, é mais simples (e barato) abrir estradas, linhas de metrô, fazer grandes obras púbicas.

Além disso, apesar de ser uma nação oficialmente comunista, a China possui um sistema público de saúde de fazer corar até os economistas mais liberais do Ocidente. Não há, por exemplo, saúde pública universal, como o SUS, no Brasil, e mesmo os hospitais públicos, cobram seus pacientes quando atendidos. Se não puderem pagar, bem, não serão recebidos.

Para muitos especialistas, este sistema deve-se menos à maldade dos dirigentes chineses e mais à demografia. É impossível universalizar a saúde para uma população que representa 20% de toda humanidade. O que o poder público faz é subsidiar consultas e medicação. No mais, se você não tiver seguro-privado, terá que pagar a conta sozinho.

Tal desafio, sem correlação no mundo, fez da China o paraíso das health techs. Pressionado por uma população que envelhece e requer cuidados, o governo chinês liberou o uso de novas tecnologias em saúde que, em muitos países, estão embargadas por discussões éticas, regulatórias ou simplesmente emperradas por lobbies de médicos.

Com exceção dos funcionários públicos, como professores e policiais (que podem usar hospitais do governo de graça) e empregados formais de empresas privadas (que possuem seguro saúde obrigatório, por lei), todos os demais cidadãos devem arcar com suas despesas médicas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 34,4% dos chineses estão nesta situação: sem seguro oferecido pelo empregador, seja público ou privado.

Cabine para consulta médica por teleconferência no meio da rua (Reprodução)

Empresas como Ping An Good Doctor, baseada em Shenzhen, e WeDoctor, baseada em Hangzhou, conquistaram centenas de milhões de clientes ao oferecer planos de saúde de baixo custo, justamente por otimizarem o atendimento aos pacientes via uso massivo de tecnologia.

No caso da WeDoctor, por exemplo, quiosques e pequenas clínicas com um só enfermeiro atendem pacientes que se sentem mal. Exames como medir a pressão, auscultar os pulmões, medir a temperatura e examinar a garganta são feitos pelo enfermeiro e transmitidos em tempo real para um médico remoto.  A partir da análise, o médico determina a gravidade, pede exames ou já prescreve o tratamento.

Já o serviço Good Doctor, designa um médico da família para cada grupo de usuários em uma mesma casa e os consulta por videoconferência no celular, periodicamente. Quando necessário, exames são pedidos e consultas presenciais feitas.

Em ambos os casos, os exames laboratoriais são lidos por ferramentas de inteligência artificial, que interpretam os resultados e dão recomendações ao médico. Estima-se que esta análise automatizada reduza erros médicos em até 40% e eleve a produtividade dos doutores, sempre um gargalo para universalização da saúde, em até 25%.

A liberalidade da legislação de saúde chinesa permitiu, ainda, o surgimento de unicórnios como o iCarbonX, fundado pelo geneticista Wang Jun.  A empresa, que já vale US$ 4 bilhões, propõe o desenvolvimento de medicações customizadas para o perfil genético de cada paciente, que tem seu DNA mapeado ao entrar para a plataforma. O serviço ainda mantém, em nuvem, todos os dados médicos de um paciente, permitindo que médicos de quaisquer época ou especialidade tenham acesso ao histórico de exames, tratamento e saúde do paciente.

No caso excepcional das vítimas do coronavírus, um acordo entre os hospitais chineses e o governo central de Pequim permitirá que todas as vítimas sejam atendidas, sem custos para o paciente.  Para todos os demais casos do dia a dia, serviços baseados em inteligência artificial e teleconsulta têm sido a solução para universalizar o acesso médico a uma população que já supera 1,4 bilhão de pessoas.

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Nem dinheiro e cartão: estrangeiros também usam app de pagamento na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/nem-dinheiro-e-cartao-estrangeiros-tambem-usam-app-de-pagamento-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/01/26/nem-dinheiro-e-cartao-estrangeiros-tambem-usam-app-de-pagamento-na-china/#respond Sun, 26 Jan 2020 07:00:28 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=989

Estrangeiros podem usar Alipay para fazer compras e pagamentos na China (Divulgação/Alizilla)

A China é a única sociedade cashless do mundo e ir até lá e não experimentar as facilidades desta inovação era uma constante frustração para estrangeiros até o início de 2020, quando o governo local liberou o uso de apps de pagamento para não-chineses.

Até é possível, eventualmente, comprar coisas em papel moeda por lá, mas o fato é que a maior parte dos estabelecimentos nem sempre tem dinheiro em espécie para dar troco. E as maquininhas de cartão são muito raras, porque a compra a crédito nunca foi um hábito comum na China. Comprar com cartão é possível em hotéis internacionais, mas ele raramente é aceito em táxis ou restaurantes, por exemplo. O jeito que os chineses costumam pagar suas compras hoje é por meio digital, usando apps como AliPay.

Funciona assim: por meio de aplicativos de pagamentos móveis, como o Alipay e o WeChat Pay, os chineses escolhem o que vão comprar. Na loja ou restaurante, eles apontam o celular para o código QR do produto e o valor é debitado eletronicamente do cliente. A operação também é feita de forma inversa. Em um restaurante, por exemplo, o atendente pode solicitar o QR do cliente – gerado pelo app de pagamento – para que ele seja escaneado e, assim, debitar o valor do produto.

Para sua experiência de compra acontecer, na China, no entanto,  é preciso instalar o Alipay, a maior e mais conhecida plataforma de pagamento digital do país. Veja como criar sua carteira digital, em cinco passos:

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No Apple Store, Google Play ou site do Alipay, baixe o aplicativo. Se você fizer no iPhone ou Android, escolha a versão Alipay – Simplify Your Life, por ser a mais completa. Provavelmente você não vai usar todas as funcionalidades, mas ter elas à disposição não fará mal algum.

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Mesmo que você tenha escolhido baixar o Alipay via site, vai ser redirecionado para o celular. Depois de instalado, abra o app e siga as instruções. Fácil falar, né? A tela inicial, sobre os termos e condições de uso, está em chinês. Mas é tranquilo. Clique na opção à direita destacada em azul. Depois dela, aparece uma tela que permite a escolha do idioma. Recomendamos que seja o inglês.

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Depois de definida a linguagem do app, aperte a tecla de registro ‘Sign Up’ caso ainda não tenha se inscrito no Alipay. É preciso fornecer dados pessoais, como nome, telefone, e-mail e cartão de crédito internacional. Não se preocupe, o site é seguro.  Dê as autorizações necessárias para que o app possa funcionar sem restrições.

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E assim chegamos à tela inicial do Alipay (à direita). Sim, há funcionalidades em chinês, mas vamos nos virar bem com as opções em inglês, especialmente as que estão no menu azul, na parte de cima do app: Scan (que lê o QR dos estabelecimentos para efetuar o pagamento), Pay (pagar com o seu QR gerado no app), Collect (receber dinheiro via QR) e Pocket. Para que todas essas opções funcionem, é preciso cadastrar um cartão internacional. Vá então na opção ‘Pay’. O app vai abrir uma tela que pede o registro de cartão. Confirme seus dados.  Assim que o cartão for registrado no app, vai gerar um QR code que pode ser solicitado por algum lojista ou prestador de serviço para efetuar o pagamento da compra.

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Com um cartão de crédito registrado, podemos comprar uma pequena quantidade de moeda local. Para fazer a primeira recarga, é preciso fornecer dados pessoais, como cartão bancário e foto do visto chinês (tire no celular). Na tela inicial do Alipay, clique em Tour Pass. Você pode carregar de 100 RMB a 2.000 RMB (pela cotação média de janeiro de 1,67 renminbi, isso equivale de R$ 60 a R$ 1.200).  Bem, feito isso é só desfrutar do mobile payment.

Alguns cartões de crédito podem ser recusados, dependendo de onde foram emitidos. Tente com diferentes opções até conseguir.

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