Copy from China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br Copy from China é um blog que busca jogar luzes sobre o processo de expansão econômica e desenvolvimento de novas tecnologias na China, suas contradições, falhas e oportunidades que são geradas para brasileiros que se interessam por consumir soluções tecnológicas inovadoras e compreender a ascensão da nação pobre que se tornou potência mundial em menos de três décadas. Mon, 10 Aug 2020 19:34:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Bloqueio ao WeChat impacta iPhones na China? Depende do que Apple fizer http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/08/10/banir-apps-chineses-pode-derrubar-vendas-globais-do-iphone-em-30/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/08/10/banir-apps-chineses-pode-derrubar-vendas-globais-do-iphone-em-30/#respond Mon, 10 Aug 2020 19:34:35 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1319

Loja da Apple na China: uma mercado que não vive sem WeChat (Zhiyue Xu/ Unsplash)

No início de agosto, o valor de mercado da Apple bateu US$ 1,88 trilhão. O número astronômico para uma empresa privada é superior ao PIB do Brasil, que apesar dos recentes anos de crise, permanece entre as dez maiores economias do mundo. Em 2019, o PIB brasileiro fechou em US$ 1,84 trilhão.

A Apple é, por tanto, um dos ícones do sucesso e da inovação americana, seduzindo usuários em todos os continentes.

Parte do sucesso acionário da Apple deve-se ao parque fabril chinês. Por produzir na Ásia, com condições favoráveis de logística, impostos e produtividade, o custo de um iPhone ou iMac é sensivelmente mais baixo do que, por exemplo, se tal processo fosse executado nos Estados Unidos.

Trazer a fabricação de iPhones para a América do Norte, aliás, foi uma promessa de campanha de Trump, em 2016. Nunca cumprida, registre-se.

Segundo a consultoria IHS Market, a fabricação nos Estados Unidos faria o custo final de um iPhone dobrar, impactando drasticamente as gordurosas margens de lucro da Apple e, por consequência, sua participação de mercado e valor acionário. De acordo com a IHS, as fábricas chinesas adicionam, em média, entre US$ 5 e US$ 7 em custo por montar iPhones em suas plantas em Shenzhen. É o custo mais competitivo do mundo.

Não bastasse a dependência da Apple do parque fabril chinês para manter seu nível de lucratividade, o país asiático é também um dos maiores consumidores de produtos da maçã. De acordo com números do Statista, a depender do trimestre, a China sozinha responde por até 18% do faturamento global da Apple.

A China é um dos mercados mais competitivos para venda de smartphones, com marcas locais como Xiaomi, Oppo e Vivo lutando bravamente pela preferência do consumidor. A gigante Samsung, por exemplo, está reduzida a 1% de market share na China, incapaz de competir em features e preço com os players locais. A exceção estrangeira neste ninho é a Apple, um ícone tecnológico e de status entre os chineses, que fazem enormes esforços para comprar um iPhone.

As crescentes ameaças de bloqueio a aplicações criadas por empresas chinesas, como o caso do TikTok, da ByteDance, e do WeChat, da Tencent, lançam mais sombras sobre o futuro da Apple.

Esta semana, Ming-Chi Kuo, um respeitado analista da consultoria financeira KGI Securities, publicou um estudo, no site AppleInsider, projetando quedas de 30% nas vendas globais de iPhone, caso o bloqueio a apps chineses como o WeChat se verifiquem em 20 de setembro. A data é uma espécie de “deadline” imposto pelo governo Trump para que a BiteDance ceda o controle do TikTok para uma empresa americana. A compradora mais provável, em caso de venda, seria a Microsoft.

Quem conhece a China, sabe que é impossível viver lá sem WeChat. É uma espécie de “app essencial” que virtualmente toda população economicamente ativa utiliza. O WeChat é (ao lado do AliPay) o meio de pagamento mais popular, a rede social mais usada, o método de entrada no e-commerce mais comum.

Com o advento da covid-19, o app é usado pelo governo local até para medir a saúde das pessoas, e ter uma conta ativa do WeChat é essencial para poder obter “autorização digital” de entrar em shoppings e restaurantes, o tal QR de saúde, explicado em outro post aqui. Enfim, se não houver WeChat na App Store, não faz sentido nenhum ter um iPhone e mata-se o (lucrativo) mercado chinês. Um tiro no pé.

Nas contas de Kuo, o tamanho do tombo com o banimento dos apps chineses seria de 30% nas vendas do telefone da Apple.  As consequências em torno de toda a cadeia de produtos Apple, como acessórios, serviços de nuvem, streaming e outros produtos seriam proporcionais.

A projeção de Kuo, no entanto, leva em conta um banimento em todas as Apps Store da Apple no mundo, cenário improvável. Se Trump determinar o bloqueio ao WeChat, por exemplo, deve fazê-lo para contas americanas da App Store.

Ação similar ocorreu, recentemente, na Índia, país que vive um conflito fronteiriço por uma região chamada de Lakah, na fronteira com a China. O governo chinês reivindica soberania sobre Lakah e, em retaliação, a Índia determinou um bloqueio de mais de 80 apps chineses no país. A Apple, por óbvio, o fez apenas em contas indianas, sem indispor-se com o multibilionário mercado chinês.

Em qualquer cenário, no entanto, a cruzada trumpista contra a China, às vésperas da campanha eleitoral americana, não deve trazer boas notícias para o acionista da Apple. No mundo das retaliações comerciais, a regra predominante é que todos perdem.

O Brasil, imerso em crises variadas e com seu PIB embicando para uma queda histórica de mais de 6% em 2020, pode ter a modesta alegria de poder (voltar) a valer mais que a Apple, se o mercado precificar as pataquadas eleitorais do candidato à reeleição nos Estados Unidos.

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Livre mercado? Cerco ao TikTok expõe o fim do discurso liberal dos EUA http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/08/05/livre-mercado-cerco-ao-tiktok-expoe-o-fim-do-discurso-liberal-dos-eua/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/08/05/livre-mercado-cerco-ao-tiktok-expoe-o-fim-do-discurso-liberal-dos-eua/#respond Wed, 05 Aug 2020 07:00:57 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1309

Kon Karampelas/ Pixabay

São muitos e célebres os teóricos do liberalismo. Nos séculos 17 e 18, pensadores como John Locke e Adam Smith revolucionaram o capitalismo ao propor ideias como a liberdade dos indivíduos para conduzir suas vidas (em detrimento da “orientação do Estado”) e defender a livre iniciativa e a livre competição. Em uma Europa colonialista, defensora de monopólios comerciais e cujos Estados nacionais decidiam a religião e tipo de trabalho que cada cidadão teria, estas ideias foram como jogar luzes sobre uma noite escura.

No último século, em um mundo convulsionado por ideologias diversas, os Estados Unidos lideraram a defesa do discurso liberal, em oposição não só aos países comunistas, no período de Guerra Fria, mas também contestando nações ricas e protecionistas, como a França de Mitterrand. Nos anos 70, com Nixon na presidência, e nos anos 90, com Clinton, os americanos fizeram todo o possível para trazer o gigante mercado chinês para a economia de mercado. O convite era claro: venha desfrutar das delícias do mundo que progride sob a égide do livre mercado.

A triste notícia é que o discurso liberal não valha agora, momento em que os Estados Unidos embicam para baixo sua economia e a China, uma vez seduzida a dançar no baile do livre comércio, desloca-se rumo ao posto de maior economia do mundo, posição que poderá atingir até o final desta década, de acordo com projeções do FMI e Banco Mundial.

Não se trata aqui de barreiras alfandegárias, políticas antidumping (concorrência desleal) ou quaisquer outros itens que podem, com justeza, serem debatidos na Organização Mundial do Comércio, entidade à qual a China se filiou em 2001, sob aplausos americanos.  Tratamos aqui de banimento, proibição.  Em português claro: “eu não aceito mais competir com você”.

Este tem sido o caso do aplicativo TikTok, fenômeno social que supera 800 milhões de usuários ativos pelo mundo. Seu engenhoso algoritmo, que usa IA (inteligência artificial) para recomendar conteúdos baseado nos vídeos que você vê por mais tempo e seus recursos incrivelmente simples de edição de vídeos e uso de filtros são um case mundial de sucesso.

Em 2017, a BiteDance, uma inovadora empresa chinesa avaliada em mais de US$ 100 bilhões e que já criou múltiplos apps de sucesso antes do TikTok, como o aplicativo de notícias customizadas por IA TouTiao, adquiriu a Misical.ly, adicionando uma feature matadora de músicas e trilhas ao seu app. Trata-se de um caso genuíno de inovação chinesa. Várias inovações da ByteDance, aliás, têm sido despudoradamente copiadas por Facebook e Instagram.

O explosivo sucesso do TikTok levou a administração Trump a ameaçar o app de bloqueio no multibilionário mercado americano. A justificativa não poderia ser mais pueril: espionagem.

A americana Charlie supera 70 milhões de fãs no TikTok (Reprodução)

Na China, uma lei de segurança digital, de fato, obriga empresas de internet a seguir condutas restritas, o que pode envolver compartilhar dados de usuários, se houver suspeitas em torno de deles.

Por precaução, a ByteDance separou a operação de seu app chinês, chamado lá de DouYin, da versão internacional, o TikTok. Os servidores que atendem americanos (e brasileiros, diga-se) ficam em Virgínia. Já os que servem japoneses, taiwaneses e outros países asiáticos, em Cingapura. Ou seja, não estão sob legislação chinesa. Mais do que isso, o CEO do TikTok é um americano, ex-executivo da Disney, que pode ser processado e responder por qualquer malfeito na jurisdição de seu país, os Estados Unidos.

Trump diz que pode bloquear o app até setembro, se este não for vendido a uma empresa americana. No mercado, os rumores mais fortes indicam que a Microsoft já teria feito proposta pelo app chinês.

Um eventual boqueio, em tese, poderia matar o fenômeno chinês entre os jovens americanos. Mas por quanto tempo? Um app similar, chamado Kuaishou, também chinês, não para de crescer nos Estados Unidos. Vamos bloquear este também?

Certamente, há que se reconhecer os riscos de espionagem. Mas por tal linha de raciocínio, não seria o caso de países do mundo todo bloquearem serviços do Facebook, Apple, Google e Microsoft, todos implicados em casos reais de espionagem, conforme revelou ao mundo Edward Snowden?

Caso semelhante é vivido pela Huawei, cujo pecado maior é produzir uma tecnologia 5G mais eficiente e econômica que seus competidores ocidentais. Neste episódio, porém, os americanos não querem apenas bani-la de seu país, mas interferir em nações terceiras, pressionando-os a não contratar a empresa chinesa, claro, com o desinteressado propósito de gentilmente direcioná-las a contratar empresas…. americanas.

O imbróglio tecnológico da Huawei e do Tik Tok são, a rigor, um exemplo de liberalismo que se exerce até a página 2. É uma teoria válida quando eu sou o mais competitivo e sem valor quando alguém é mais competente que eu.

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Maior do mundo, fintech de Jack Ma esnoba Nasdaq e abrirá capital na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/29/maior-do-mundo-fintech-de-jack-ma-esnoba-nasdaq-e-abrira-capital-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/29/maior-do-mundo-fintech-de-jack-ma-esnoba-nasdaq-e-abrira-capital-na-china/#respond Wed, 29 Jul 2020 07:00:46 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1299

Jack Ma, fundador do grupo Alibaba, detém 50% da fintech Ant Financial (Divulgação/ Alibaba Group)

A mais valorizada fintech do mundo, a Ant Financial, controlada pelo fundador do grupo Alibaba, Jack Ma, oficializou este mês que trabalha em seu processo de abertura de capital, o chamado IPO. Na linguagem dos mercados financeiros, “abrir capital” significa colocar uma parte das ações da empresa à venda em uma bolsa de valores o que, além de capitalizar a fintech, a obrigará a seguir regras de governança e transparência mais rígida. Sinal dos tempos, a Ant Financial está ignorando a bolsa americana Nasdaq, no que deve ser o maior IPO de 2020.

Na década de 2000 e 2010, o principal objetivo das big techs chinesas era realizar sua abertura de capital na Nasdaq, como fizeram Baidu, em 2005, e Xiaomi, em 2018. Além da magnitude, a bolsa americana servia de “selo de qualidade” para as empresas chinesas dizerem a seus investidores que estavam listadas na Nasdaq. Há um motivo para isso: como há uma histórica desconfiança com o grau de fidedignidade dos números apresentados por empresas chinesas, estar listado em Nova York era, em outras palavras, afirmar que elas “cumpriam as mesmas regras que Apple, Microsoft e Facebook“.

A fintech criada em 2004 por Jack Ma, o midiático fundador do Alibaba, é ao lado do WeChat, da Tencent, a principal responsável por matar o dinheiro de papel na China. As duas empresas lideraram um processo de digitalização que virtualmente chegou a toda população economicamente ativa da China. São 900 milhões de usuários ativos no mercado doméstico, comprando de joias caras a prosaicos cachos de banana em feiras de rua pagando via AliPay.

Em 2018, um grupo privado injetou US$ 14 bilhões na Ant por menos de 10% de participação na fintech, o que projetou um valor de mercado para o gigante tech de US$ 150 bilhões. Um terço da empresa pertence ao grupo Alibaba e outros 50% a seu fundador, Jack Ma. Analistas de mercado, no entanto, estimam que ao realizar IPO a empresa atingirá valor superior a US$ 200 bilhões.

Escritório da Ant Group, em Hangzhou: eles querem dois bilhões de usuários (Divulgação/ Alizilla)

Os números reais da Ant são pouco conhecidos. Analistas financeiros publicaram na Reuters que a empresa faturou US$ 17 bilhões em 2019, número que a Ant disse não ser correto, sem informar, porém, qual seria o real patamar.

O fato é que a empresa fatura hoje muito menos do que pode, justamente por ter foco em crescimento. O app AliPay permite fazer investimentos, operar uma conta poupança digital, medir a “confiabilidade” das pessoas por “crédito social” –um engenhoso sistema de avaliação dos cidadãos chineses–, opera empréstimos e, claro, oferece crédito. Tudo isso a taxas baixas ou eventualmente inexistentes. Se esticar a corda, a Ant pode lucrar muito mais.

Analistas estimam que, ao realizar seu IPO, a empresa oferecerá algo entre 5% e 10% de seu capital para venda. O valor será usado para financiar a expansão internacional da companhia, que já detém participação próxima de 40% na indiana PayTM, empresa líder em mobile payments na Índia, com 550 milhões de usuários.  O próprio AliPay detém hoje 300 milhões de usuários fora da China.

Parte do dinheiro obtido com o IPO, especula-se, deverá ser usado na expansão internacional da Ant, que tem como meta chegar a dois bilhões de usuários pelo mundo, crescendo na esteira da disseminação global do pagamento móvel.

O fato de o maior IPO do ano ocorrer fora de Nova York, valorizando as bolsas de Hong Kong e a Star Market, a equivalente de Xangai para a Nasdaq, sinaliza duas informações para o mundo.

A primeira é que os chineses confiam em seu próprio mercado de capitais para atrair os recursos que precisam, sem a necessidade de recorrer a uma bolsa nos Estados Unidos, país progressivamente hostil às iniciativas chinesas.

Outra, talvez até mais relevante, é que o “selo Nasdaq” de governança já não é tão indispensável para atrair a confiança de investidores internacionais, que deverão comprar papéis da Ant em Hong Kong, ao passo que a Star Market deve concentrar a captação de recursos domésticos.  O mundo, como se vê, mudou.

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Na pandemia, Brasil “imita” chineses na adoção de tecnologia para compras http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/22/brasil-segue-passos-da-china-na-transformacao-digital-do-mundo-pos-covid/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/22/brasil-segue-passos-da-china-na-transformacao-digital-do-mundo-pos-covid/#respond Wed, 22 Jul 2020 07:00:26 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1290

Pedidos em centro do Alibaba: e-commerce  ganha idosos entre seus clientes (Alizilla/Divulgação)

O fato de a China ter sido o primeiro país a mergulhar em uma quarentena, que lá durou dois meses, e depois ser também a primeira grande economia a sair dela, transformou a nação em uma espécie de referência para compreensão de como se comportarão as pessoas – e os agentes econômicos – no pós-covid.

Por lá, a crise sanitária forçou as empresas a acelerar seu processo de transformação digital e modificou o comportamento dos consumidores, que passaram a usar mais apps e tecnologias digitais para compras. Mesmo os idosos ou pessoas chamadas de “late adopters” aderiram, em função da pandemia, em ritmo inédito às soluções de tecnologia para compras.

Agora um estudo publicado pela FSB Pesquisa, sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria, demonstra que os mesmos caminhos trilhados pela China no primeiro trimestre deste ano se replicam no Brasil, com alguns meses de atraso. Segundo o estudo brasileiro, “a taxa de penetração” do e-commerce entre pessoas de 60 anos ou mais subiu de 21% para 25%, mesmo fenômeno registrado na Ásia.

Com receio de sofrer golpes ou com pouca intimidade com a tecnologia, esta faixa etária é a que menos compra online, mas também é a que mais teme ser contaminada pela covid, o que impulsionou a adesão deste público às ferramentas digitais.

Chamado de “Os Brasileiros e o Consumo no Pós-isolamento”, o estudo entrevistou consumidores em todo o Brasil entre 10 a 13 de julho.  Na análise, a CNI verificou que a resistência dos brasileiros às compras online está caindo. Em maio, pouco menos da metade dos entrevistados (47%) responderam que não faziam e nem pretendiam fazer compras online. Dois meses depois (julho), esse percentual caiu para 43%. Entre aqueles que não faziam, mas que pretendiam comprar online, o percentual aumentou de 6% para 8%. E o público que começou a experimentar as compras online após o isolamento social dobrou, passando de 3% para 6%.

No Brasil, assim como na China, o principal público das lojas virtuais tem entre 16 e 24 anos, conforme a CNI. A maioria (55%) já comprava online antes da pandemia e outros 10% que não costumavam fazer isso, agora afirmam que vão se juntar a esse grande contingente.

Na China, a corrida ao e-commerce fomentou ainda a explosão de um fenômeno chamado de “live commerce” em que especialistas em serviços como maquiagem, eletrônicos ou carros, por exemplo, fazem transmissões ao vivo dentro das plataformas de venda, buscando orientar, divertir e tirar dúvidas do consumidor. No último mês, no Brasil, ao menos duas marcas anunciaram experiências similares: a Magazine Luiza, com ação de streaming no Instagram, e a varejista de moda Renner, que contratou a atriz Fernanda Paes Leme para apresentar suas lives.

Ressalvadas as particularidades econômicas e culturais entre Brasil e China, o exemplo asiático mostra que novas tecnologias e comportamentos verificados durante a pandemia são semelhantes em diferentes partes do mundo. Enquanto o mercado consumidor brasileiro tem carências de infraestrutura logística (a conexão 4G não cobre todo o território) e de pessoal, a China exibe infraestrutura de rede robusta, além de logística para entregas mais eficiente. Lá, mais de 200 milhões de pessoas já usam serviços 5G, por exemplo.

Se seguir outras tendências já verificadas na China, é esperado que o consumidor brasileiro exija comodidades como entrega por delivery em tempo rápido (same hour delivery) e métodos de pagamento sem contato em pontos de varejo físico.

Uma tendência que, infelizmente, não se replicou no Brasil foi a adesão massiva da população aos cuidados preventivos, como uso permanente de máscara em locais públicos e a manutenção rigorosa de distanciamento social até que a epidemia fosse vencida. Neste ponto, o comportamento registrado aqui é mais similar, por exemplo, ao anotado nos Estados Unidos, em que a abertura econômica, incluindo retorno de crianças às escolas, ocorre com um número elevado de infeções. Estados Unidos e Brasil são os dois países com mais casos de covid no mundo. A China, apesar de ter sido o epicentro original da crise, conteve o número de óbitos abaixo de cinco mil pessoas.

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App de vídeo: por que o sucesso do Kwai tem relação com influencers novatos http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/15/app-de-video-por-que-o-sucesso-do-kwai-tem-relacao-com-influencers-novatos/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/15/app-de-video-por-que-o-sucesso-do-kwai-tem-relacao-com-influencers-novatos/#respond Wed, 15 Jul 2020 07:00:58 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1283

No Kwai, Lara Romeiro alcançou um milhão de seguidores ensinando passinhos online (Reprodução/ Kwai)

Você já deve ter visto em sua timeline do Facebook ou em grupos de WhatsApp vídeos curtinhos, com no máximo 15 segundos, marcados com um logo alaranjado com formato de câmera de vídeo. Trata-se de (mais um) app chinês que se populariza rapidamente entre os brasileiros, o Kwai.

Se, por anos, se discutiu se a China seria capaz de fazer com soluções de software o que já faz com hardware e conquistar consumidores “fora de casa”, fenômenos como AliExpress, TikTok e Kwai dão uma resposta clara: sim.

No mundo, o Kwai tem 300 milhões de usuários diários e já figurou como “aplicação mais baixada” no Google Play em ao menos oito países, entre eles o Brasil, onde soma 12 milhões de fãs.

O sucesso vertiginoso da aplicação – originalmente criada para geração e compartilhamento de GIFs – levou a gigante Tencent, maior companhia de internet da China, a anunciar investimentos de US$ 2 bilhões na empresa com sede em Pequim. Curiosamente, a Tencent é também investidora do rival TikTok, um modelo de investimento muito típico para quem conhece a Tencent: aposta-se em vários competidores, garantindo vitória em qualquer caso. A notícia do aporte fez o valor de mercado da empresa Kwaishou alcançar US$ 29 bilhões, o que já a coloca entre os maiores unicórnios do mundo.

No Brasil, um mercado já dominado por Instagram e Snapchat, que chegaram primeiro ao país, o Kwai teve a inteligência de adotar um algoritmo mais “aberto”, em que influenciadores iniciantes têm seu conteúdo entregue em larga escala, mesmo quando ainda não têm muitos fãs.  A tática se contrapõe, por exemplo, ao que fazem serviços como Facebook, que mantêm seus usuários irremediavelmente dentro de suas bolhas, visualizando conteúdos e interagindo, quase sempre, com pessoas que pensam como elas.

“Nosso algoritmo permite que o conteúdo de novos criadores seja visto de maneira mais justa e dá a nossos usuários a chance de se comunicar com toda a comunidade, visualizando vídeos de mais autores diferentes”, disse ao blog Wu Yan, diretora de operações do Kwaishou, empresa que controla o app.

Na maior parte das redes sociais, o principal critério de “entrega” é o nível de interação do autor de um conteúdo com outros usuários. Quanto mais o autor interage com likes ou comentários e é marcado por outras pessoas, maior a probabilidade de aparecer no topo do feed de postagens.

Quem interage pouco nas redes sociais, por consequência, acaba limitado ao seu grupo de contatos e têm poucas chances de mostrar seu conteúdo a mais pessoas. A lógica do algoritmo do Kwai é identificar o interesse de cada usuário e entregar conteúdos que possam lhe parecer relevante, mesmo que produzidos por “autores” iniciantes ou sem muitos seguidores.

O método de entrega parece interessante para a rede que dependerá de ter mais “influenciadores relevantes” em sua plataforma para continuar crescendo no Brasil. Uma das estrelas locais do Kwai, por exemplo, é a dançarina Lara Romeiro, que ensina passos e coreografias online. Lara poderia usar qualquer plataforma para entregar seus vídeos. Escolheu o Kwai e, por conta da característica do algoritmo, está perto de bater 1 milhão de seguidores em três meses de “postagens”. Em outra rede, a jornada seria mais longa, justamente por causa do algoritmo.

No Brasil, a empresa que tem operação local, a exemplo do rival TikTok, buscou parcerias com funkeiros, organizadores de festas populares, como São João e canais de música, como Kondzilla. A tentativa é atrair para o app os fãs destes eventos e de cantores populares. Quem navega pela timeline do aplicativo, no entanto, será confrontado com uma enxurrada de vídeos ao estilo “vídeo cassetadas” e esquetes de humor “pastelão” involuntário. São engraçados e, por isso, viralizam.

Ao capturar a audiência de 12 milhões de brasileiros, o app torna-se também mais uma vitrine digital para marcas exporem seus produtos, seja com conteúdo orgânico ou com publicidade, modelo de negócios que sustenta a empresa.

Na China, com o advento da pandemia, serviços de e-commerce migraram também para apps como Kwai, em que “influenciadores” vendem produtos e tiram dúvidas dos consumidores ao vivo. É uma tendência que, a julgar pelos movimentos recentes de Magazine Luiza e Lojas Renner, que estrearam serviços de live commerce recentemente, devem se popularizar no país.

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Como é o esquema chinês de investimento do Estado em tecnologia e inovação? http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/09/como-e-o-esquema-chines-de-investimento-do-estado-em-tecnologia-e-inovacao/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/09/como-e-o-esquema-chines-de-investimento-do-estado-em-tecnologia-e-inovacao/#respond Thu, 09 Jul 2020 07:00:06 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1275

Centro de controle de fonteiras usa tecnologia da CloudWalk, que tem apoio de venture capital estatal (Divulgação/Cloudwalk)

Um estudo publicado esta semana pela consultoria chinesa Zero2IPO revelou que a maior parte do dinheiro disponível para apoiar a inovação e soluções “disruptivas” vem de diferentes órgãos do Estado chinês, sejam universidades públicas, governos de províncias ou mesmo fundos diretamente criados por bancos estatais.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, a China é a segunda maior fonte de venture capital no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Neste enorme mercado, 74% dos fundos de private equity são privados e “apenas” 26% são públicos. O fato novo é que o Zero2IPO contabilizou o dinheiro aplicado por cada um destes fundos na China e publica, em seu relatório, que apesar de nominalmente em menor número os fundos “estatais” controlam 60% do dinheiro disponível para investimentos de risco na China.

Quando realizou sua “abertura para o capitalismo”, nos anos 1980, a totalidade dos fundos de risco era estatal, número que foi “reduzido” para 70% em 2014. Seis anos depois, há tantos fundos privados que, percentualmente, pouco mais de um quarto destes fundos é controlado pelo Estados chinês. O que sabemos agora, no entanto, é que os números só mudaram na aparência. Na prática, em 2014, 59% dos investimentos vinham dos fundos públicos. Agora, são 60%.

Os números revelados pelo relatório demonstram que o sucesso chinês, líder em múltiplas áreas da inovação, como machine learning, aplicações de reconhecimento facial, redes 5G e novos modelos de negócio, notadamente em setores como “economia compartilhada”, deve-se muito ao incentivo do Estado, ainda que a execução e inventividade dos projetos inovadores fique a cargo de empreendedores privados.

A forte participação do Estado no financiamento da inovação acaba por orientar em quais áreas o país deve avançar mais no futuro. Atualmente, os fundos estatais têm como meta fomentar a indústria de semicondutores, novos materiais e soluções de internet das coisas, bem como aplicações baseadas em uso intensivo de inteligência artificial (IA).  Há quatro anos, por exemplo, a Cloudwalk, uma empresa de reconhecimento facial com sede em Guangzhou, sul do país, recebeu o equivalente a US$ 200 milhões de um fundo público. O motivo? Era um interesse do Estado, à época, tornar o reconhecimento facial popular no país, objetivo, aliás, que foi alcançado.

Projeção para promover investimentos em Shenzhen (Divulgação/ Fundação para Promoção do Investimento em Shenzhen)

Grandes transnacionais como Softbank e corporações privadas, como Alibaba e Tencent, são importantes “players” nesta indústria. Mas, todos juntos, os fundos privados ainda não chegam à metade do dinheiro de capital de risco oferecido no país.

A estratégia chinesa, já experimentada com sucesso antes em mercados menores e diferentes escalas, como Cingapura e Coreia do Sul, tem o benefício de empurrar, a fórceps, o país rumo à inovação. Por outro lado, há um inegável problema de credibilidade e transparência. Afinal, quem são as pessoas que tomam as decisões de investimento nestes fundos? Por que escolhem a empresa A e não a B para ser abençoada com o ouro de Pequim?

O temor de serem acusados de má conduta ou mesmo corrupção, faz os gestores destes fundos estatais, por vezes, serem excessivamente conservadores, o que pode ser um tiro no pé de um fundo que leva em seu sobrenome a palavra “venture” (“risco”). Os gestores não têm medo apenas de perderem os recursos aplicados, mas também sua reputação. Se não, sua liberdade.

O que seria um paradoxo capaz de levar ao fracasso a ideia de fomentar a inovação via fundos públicos, por vias tortuosas, tem dado certo, haja visto a liderança mundial da China na formação de novos unicórnios.

O segredo chinês, no fundo, é bem simples. Os private equities privados investem primeiro, assumem mais riscos e lucram muito mais em suas saídas. E os fundos públicos acabam (quase sempre) entrando em momento de risco reduzido, têm menos chance de perder, mas também ganham menos. Para tais fundos, cujo objetivo maior é cumprir as metas de desenvolvimento econômico e inovação planejadas por burocratas em Pequim, não é tão ruim lucrar menos.

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Tensão com EUA e Índia pode fazer a China investir nas techs do Brasil http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/03/tensao-com-eua-e-india-pode-fazer-a-china-investir-nas-techs-do-brasil/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/07/03/tensao-com-eua-e-india-pode-fazer-a-china-investir-nas-techs-do-brasil/#respond Fri, 03 Jul 2020 07:00:28 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1261

Bandeiras da China, Índia e EUA: crise entre os países pode beneficiar Brasil (Pixabay)

Maior parceira comercial do Brasil, a China figura também entre as economias estrangeiras que mais investem por aqui. É uma pena, no entanto, que a quase totalidade do ouro que Pequim derrama sobre os ativos nacionais se concentre em setores como agricultura e infraestrutura.

Segundo país com mais volume de venture capital no mundo (capital de risco, investido em geral em pequenas e médias empresas, em que há elevado risco, porém grande potencial de crescimento), a China (ainda) investe pouco nas techs brasileiras, o que seria essencial para o crescimento sustentável de nossa economia. Afinal, a exportação de soja e ferro, commodities com baixo valor agregado, não farão do Brasil uma economia tão rica e sofisticada quanto se controlarmos grandes empresas de tecnologia e inovação.

Titãs chineses, Tencent e Alibaba possuem, cada uma, mais de US$ 20 bilhões investidos fora da China, por exemplo. No caso da Tencent, o dinheiro está em empresas americanas como Uber, Tesla e Snapchat, além de indianas como Swiggy e Flipkart, líderes em food delivery e e-commerce de seu país. Já o Alibaba tem recursos em apps de carona, como o americano Lyft, e meios de pagamento como o indiano PayTM.

Gráfico mostra investimentos da Tencent pelo mundo

No Brasil, porém, são modestos. Enquanto a Tencent comprou 5% da fintech Nubank, uma subsidiária do Alibaba (Ant Financial) investiu R$ 100 milhões na abertura de capital da empresa de pagamentos Stone.

A baixa atenção para o Brasil tem suas justificativas. O país é distante, a barreira linguística é enorme, o fuso invertido e, a bem da verdade, nossas empresas não exploraram (ainda) todo o potencial de parceria com os fundos asiáticos.

Desde a eleição de Trump, em 2016, no entanto, os chineses vêm gradativamente reduzindo sua exposição às startups americanas. Há aversão à política externa errática do governo local e cada vez mais medo que a “guerra comercial” entre os dois países descambe para boicotes, suspensões e outras manobras que afetem os interesses chineses nos Estados Unidos.

Jannat Zu, Tik Tok influencer na Índia: o app foi banido do país (Reprodução)

O beneficiário natural deste movimento seria a Índia, segundo maior mercado de internet do mundo, atrás apenas da China. A consultoria Gateway, por exemplo, estima que a Índia chegará a 2024 com 1,2 bilhão de pessoas conectadas. Por lá, aliás, a Tencent já investiu US$ 2 bilhões em 15 empresas iniciantes diferentes e o grupo Alibaba mais US$ 2,7 bilhões, a maior parte disso na PayTM. Baidu e Xiaomi mantém posições consistentes no país.

Uma nova-velha disputa territorial entre os dois países, que brigam por um punhado de terra pedregosa nas encostas do Himalaia, numa região que a Índia chama de “Ladahk”, no entanto, terminou com a morte de 20 soldados indianos.  Deu-se a discórdia. Quase 60 apps chineses foram banidos do país. Indianos, agora, só acessam TikTok e WeChat se tiverem VPN.

O episódio, um duro golpe para chineses que investiram na Índia, deixam os fundos locais, com alta liquidez, com menos opções à mesa. Quinto maior país em número de usuários de internet no mundo, o Brasil é a bola da vez. Será uma pena se nossas empresas mantiverem baixos seu conhecimento sobre as oportunidades a serem exploradas com parceiros chineses, bem como a própria política externa brasileira, que se notabilizou, nos últimos anos, em fazer ofensas variadas a seu principal parceiro, deixarem tais oportunidades escorrerem por entre os dedos.

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Qual o segredo que fez Huang Zheng entrar na lista dos maiores bilionários http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/24/qual-o-segredo-que-fez-huang-zheng-entrar-na-lista-dos-maiores-bilionarios/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/24/qual-o-segredo-que-fez-huang-zheng-entrar-na-lista-dos-maiores-bilionarios/#respond Wed, 24 Jun 2020 07:00:39 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1247

Huang convenceu usuários a fazer marketing de graça para PDD (Reprodução)

Aí está uma missão nada simplória: superar Larry Page, o fundador do Google, e Jack Ma, a mente brilhante por trás do grupo Alibaba, no ranking de maiores fortunas do mundo. A hercúlea tarefa foi completada esta semana por Huang Zheng, um ex-engenheiro do Google, na Califórnia, que retornou a seu país de origem para fundar o Pingduoduo (PDD), o maior fenômeno do e-commerce mundial da última década. De acordo com ranking da Forbes, Zheng tem US$ 45,4 bilhões ante US$ 45,1 de seu ex-patrão, Larry Page, e US$ 41,7 de Jack Ma.

Os números da fortuna pessoal de Zheng têm o poder de revelar as transformações pelas quais o cenário de comércio eletrônico, fortemente beneficiado pela crise do covid-19, tem sofrido na China – e apontar tendências para o resto do mundo.

Fundado só em 2005 (tardiamente, já que o e-commerce chinês se estabeleceu ainda nos anos 90), o Pingduoduo resolveu um problema que atormenta dez entre dez gestores de serviços do tipo: os gastos com marketing. Enquanto os líderes Alibaba e Jingdong derramavam milhões de renminbis (nome da moeda chinesa) em anúncios, promoções e aquisição de novos usuários, o PDD criou um modelo em que seus usuários são impulsionados a promover, de graça, a marca.

Huang se destacou ao misturar conceitos de rede social e compras coletivas às vendas online. É mais ou menos como se o Facebook e o Peixe Urbano se fundissem para reunir amigos em um clube de compras. Quanto mais amigos, mais descontos se consegue. E para ter mais descontos, o usuário ativo é que deve correr atrás de outro usuário – e não sua verba de marketing.

O ápice do PDD (até o momento) ocorreu esta semana, durante o festival “618”, principal data de compras no primeiro semestre da China. Outra data ainda mais importante é o 11 de novembro, o dia dos solteiros, criado pelo Alibaba.

O festival marcou a ultrapassagem do PDD sobre o grupo JingDong, um titã do e-commerce, fundado antes mesmo de Jack Ma criar o Alibaba. O PDD não revela exatamente quanto vendeu na data promocional, mas listou os itens mais consumidos em seu site no período: computadores, celulares, eletrônicos, alimentos, bebidas e produtos ligados a cuidados maternos e infantis.

Para os investidores do PDD, as informações foram suficientes. Na bolsa eletrônica Nasdaq, as ADRs (recibos de ações estrangeiras listadas nos EUA) do PDD mais que dobraram de valor desde dezembro de 2019. Dos US$ 44 bilhões anotados no início deste ano, o valor de mercado dos certificados agora é de US$ 105 bilhões.

O festival que impulsionou o PDD nasceu, ironicamente, de um concorrente. O dia 18 de junho (ou 6/18, na forma anglo-saxônica de escrever a data, começando pelo mês e depois o dia) é o aniversário de fundação do site de compras JingDong (JD.com), o então segundo maior e-commerce da China.

Nessa data, a JD.com obtinha grande sucesso vendendo produtos com desconto, o que foi rapidamente imitado pelos concorrentes e se transformou em importante data comercial do primeiro semestre. É assim que, durante os 18 dias iniciais de junho, o e-commerce chinês promove uma “guerra de descontos” para atrair clientes e aumentar as receitas.

Chamado, na China, de “homem que reinventou o e-commerce”, Huang ainda é um garotão no mundo dos negócios, com recém-completados 40 anos. Tem muito serviço a mostrar se desejar se equiparar à estatura que Jack Ma e Larry Page construíram no mundo da internet. Em notas de dólares – e, às vezes, ter dinheiro na vida é importante – Huang já fez história.

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Novo mercado para youtuber? Live de compras bomba e fatura bilhões na China http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/17/concorrencia-para-youtuber-live-de-compras-bomba-e-fatura-bilhoes-na-china/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/17/concorrencia-para-youtuber-live-de-compras-bomba-e-fatura-bilhoes-na-china/#respond Wed, 17 Jun 2020 07:00:30 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1235

Influenciadora testa produtos ao vivo: interação com audiência vende mais (Alizilla/Divulgação)

Quem tem 40 anos (ou mais) deve se lembrar do sucesso que nomes como Ciro Botini fizeram no Brasil nos anos 90 ao ancorar programas de vendas ao vivo no canal Shoptime. Produtos revolucionários que prometiam emagrecimento rápido ou arrumar a casa sem esforço eram anunciados em clima de festa e urgência. “Compre logo, está acabando”. “A promoção é só para os primeiros 20 espectadores”.

O modelo eletrônico que ascendeu com a disseminação das TVs a cabo logo declinou, com o surgimento da internet e dos sites de compra. Há um lugar do mundo, a China, onde as compras online atingiram seu desenvolvimento pleno. Afinal, é na nação asiática que 48% dos pedidos emitidos eletronicamente em todo o mundo são feitos, os meios de pagamento são carteiras digitais que dispensam cartões de crédito e o sistema de logística para entrega funciona com maior eficiência.  Pois, justamente lá, o método de vender ao vivo, desta vez pela web, tornou-se uma febre nacional. Chamado de “live commerce”, a tecnologia deve ser responsável por vendas de US$ 123 bilhões em 2020, mais do que o dobro dos US$ 60 bilhões faturados em 2019, de acordo com projeção da consultoria chinesa ChoZan.

O método de venda consiste, basicamente, em unir o que Botini fazia nos anos 90 às ferramentas de internet. Especialistas, influenciadores e celebridades digitais passam 12, 14, 16 horas por dia, ao vivo, testando produtos, comentando sobre suas características e, eventualmente, entretendo sua audiência, com canções ou dancinhas, por exemplo. E, claro, oferecendo links para venda.

Plataformas como o Taobao Live (Alibaba), Douyin (TikTok) e Kuaishou (Kwai), juntas, controlam 80% deste mercado na China que, para muitos especialistas, representa o futuro do e-commerce, já que milhões de usuários preferem tirar dúvidas e interagir com os vendedores online a fazer uma compra sozinhos, sem “curadoria”, em marketplaces apinhados de ofertas tão variadas que, às vezes, é difícil achar o que se precisa.

O live streaming, que já era uma tendência em ascensão no país, ganhou impulso com a pandemia de covid-19 e a expansão da rede 5G no país. Com boa conexão e sem poder sair de casa, 524 milhões de chineses terão assistido a conteúdos de live streaming só este ano, calcula o instituto iResearch.

Segundo o Alibaba, a cada dia, 300 mil lojistas fazem transmissões ao vivo em sua plataforma. De um modo geral, a navegação no e-commerce não foi alterada, mas quando o usuário se interessa por algum produto, logo vê a mensagem em seu navegador, “a marca ou a loja está em transmissão ao vivo”. Quem acessa, então, assiste em tempo real ao que um influenciador patrocinado ou o profissional da marca está falando sobre o produto. E, claro, interage com ele.

Uma estratégia recorrente das empresas é reforçar a lembrança de marca (branding), ao invés de promover produtos diretamente, em lives com celebridades variadas. Nessas transmissões, elas se aproveitam para mostrar linhas futuras de produtos, colher impressões dos consumidores e relacionar-se com eles.

Para criação de “conteúdo ao vivo”, tornou-se comum, no país, a figura do KOE (em inglês, Key Opinion Expert), um especialista formador de opinião. O motivo é que as empresas identificaram a necessidade de dar mais profundidade às apresentações que fazem. Muitos representantes corporativos se destacaram agregando profissionalismo, conteúdo técnico e comercial ao produto.

Vendedoras virtuais explicam, recomendam… e  até cantam (L’Oreal/Divulgação)

O que até pouco tempo parecia ser uma “modinha chinesa” restrita a segmentos como cosméticos, moda e eletrônicos, ganhou espaço em múltiplas indústrias. Até casas foram vendidas desta forma. Em 24 de abril, o Evergrande Group, uma das maiores empresas imobiliárias da China, reuniu mais de 3,8 milhões de espectadores no seu canal ao vivo e acumulou mais de 7 milhões de curtidas durante uma única apresentação que misturava dicas de decoração e cuidados com a casa. Ao fim do streaming, 38 contratos de venda de apartamentos foram fechados.

Segmentos não relacionados a vendas e compras têm aproveitado o gosto chinês pelo streaming para atrair audiência para si. Em fevereiro, a construção do primeiro hospital para covid, em Wuhan, aquele feito em seis dias, foi transmitido ininterruptamente ao vivo, com milhões de usuários acompanhando em tempo real o andamento das obras.

Em março, o Palácio de Potala – antiga residência do Dalai Lama, agora transformada em museu – transmitiu uma visita ao vivo para 800 mil pessoas conectadas. A excursão virtual era conduzida por um guia e mais seis especialistas culturais da instituição, que davam detalhes e entravam em salas que normalmente não eram apresentadas em visitas físicas.

Enquanto as plataformas de live streaming dos países ocidentais se concentram em jogos e entretenimento, na China as empresas foram além e se transformaram no grande canal de vendas do e-commerce.  Será este também o futuro do e-commerce do lado de cá?

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Novo normal força startup de alimentos a rever modelos de negócios http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/10/novo-normal-chines-fortalece-delivery-e-mata-startup-de-comida-caseira/ http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2020/06/10/novo-normal-chines-fortalece-delivery-e-mata-startup-de-comida-caseira/#respond Wed, 10 Jun 2020 07:00:44 +0000 http://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/?p=1224

Proposta de startup era que famílias pudessem vender a comida feita em casa (Reprodução/ Home Cook)

Nada será como antes após a pandemia de covid-19. Na China, único país do mundo a sair dos efeitos da quarentena há mais de 60 dias, o “novo normal” impôs hábitos diferentes de se comportar, consumir e… planejar modelos de negócios.

Uma das vítimas do novo “mindset” pós-covid foi a celebrada startup de Xangai,  Home Cook. Ícone do sucesso da “sharing economy” (ou economia compartilhada) na China, o negócio permitia que pessoas comuns, como eu e você, ganhassem dinheiro com a comida a mais que preparamos em casa. Ao fazer uma macarronada para a família, por exemplo, o usuário poderia preparar umas porções a mais e a oferecê-las via app. Uma e-marmita, digamos. Um serviço de logística terceirizado retira e entrega as refeições “feitas em casa” por cozinheiros não profissionais a seus consumidores finais. Naturalmente, quem faz a comidinha a mais é remunerado por isso. Ou era.

O covid-19  fez acender luzes vermelhas na mente dos consumidores chineses, agora (quase) maníacos por higiene, o que os faz preferir refeições preparadas em cozinhas industriais, de grandes redes de restaurantes, em tese mais limpos e sob melhor vigilância sanitária. O tipo de comida solicitado via app também mudou radicalmente.  Lojas de fast food nunca venderam tão mal, já que após meses de exposição a notícias sobre imunidade e saúde, (quase) todos consumidores preferem alimentos frescos, com pouca gordura, açúcar e sódio e alto valor nutricional.

Os novos hábitos selaram o fim dos serviços amadores de alimentação, como o Home Cook. Na última semana, a startup anunciou o encerramento das suas atividades.  A súbita falência foi um choque para os investidores da empresa iniciante, que em menos de dois anos de atividade captou 3,5 milhões de usuários e mais de 40 mil “famílias” cozinheiras.

Na China, a Home Cook enfrentava dificuldades desde abril, quando a pandemia atraiu grandes players para o negócio de delivery de comida. Um setor que já era altamente competitivo tornou-se quase proibitivo para empresas iniciantes no disputado mercado chinês.

O “novo normal” impõe a empresas do setor de nutrição novas licenças sanitárias para manipulação de alimentos. Para negócios que operam com baixa escala, como uma família cozinheira, os custos com burocracia operacional se tornaram sufocantes.

Institutos de análise de comportamento do consumidor registram que comidas saudáveis estão no topo das preferências dos chineses neste período pós-pandemia. Agora, apontam pesquisas da iMiidia e da Nielsen, por exemplo, compradores checam em seus celulares tudo o que se refere às bebidas e comidas que vão ingerir. Opiniões de outros consumidores, descrição de marcas rivais e especificações dos produtos. Até os consumidores mais idosos, que apenas recentemente venceram a resistência de fazer compras via app, já têm o hábito de pesquisar rótulos e opiniões online.

De acordo com pesquisas dos institutos acima, 80% dos entrevistados disseram que prestarão mais atenção à alimentação saudável e 75% querem gastar mais em esportes e produtos fitness no futuro próximo. Na análise, 60% dos entrevistados afirmam que aumentarão os gastos com exames médicos regulares.

A dúvida dos analistas mundo afora é se esta tendência se replicará no Ocidente tão logo os países da Europa e das Américas superem suas crises sanitárias. Os sinais mais prováveis indicam que sim. Ninguém mais tratará sua saúde – e alimentação – como antes.

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